Em véspera de feriado, banda e apresentações de abertura deram clima de festival ao Espaço Carmela no Largo da Ordem

por Alexandre Baptista

 

Cada cidade tem um público bem diferente da outra. Quem está na estrada sabe. Mesmo no Brasil, que é um país com uma plateia mais empolgada e participativa que a maioria, a diferença entre as regiões ainda se faz bastante presente.

Curitiba é uma cidade que, apesar de brasileira, tem algo de europeia; a grande maioria dos artistas que passam por aqui nutrem um grande carinho pelo povo curitibano, mas reconhecem: é uma plateia difícil de “trazer junto”.  O que redobra o esforço das bandas em empolgar, envolver e transformar uma apresentação em uma celebração coletiva do rock.

Com produção da Mosh Productions, a noite com Mike Portnoy, Noturnall & Edu Falaschi, que faz parte da Redemption Tour do Noturnall, contou com três bandas de abertura: Xakol – banda de Caçador – SC liderada pelo músico e vocalista Saulo “Xakol” Castilho (baixista do Noturnall); Castellica – banda de Paraguaçu Paulista – SP, liderada pela família Colavite; e Hellene – banda da capital paulista que conta com o também locutor Paul Martins na guitarra.

 

 

Com uma hora de atraso na programação original, o show começou às 20:00 e a noite só acabou muito depois, perto de 02:00 da manhã, após o último fã conseguir seu autógrafo e foto no meet & greet.

Saiba como foi cada apresentação:

 

Xakol

 

Saulo Castilho deixa o baixo de lado e demonstra seus talentos vocais na banda Xakol. [foto: Clovis Roman/Acesso Music]

 

Com Saulo Castilho no vocal, Rafael Azevedo na guitarra, Gil Lima na bateria, Thiago Moser no baixo, André Freitas na guitarra e Luis Zimermann no teclado, o Xakol foi a primeira a se apresentar, pegando uma plateia ainda fria e conseguindo extrair uma boa reação da galera.

O som dos caras segue uma linha bastante inspirada em Dream Theater, Angra, Blind Guardian, Iron Maiden e outras influências do metal progressivo e heavy metal melódico, com uma execução competente e grande destaque pra ótima bateria de Gil Lima.

Runaway, por exemplo, tem uma linha que remete bastante a Iron e Angra, enquanto que The Nth Prophecy parece uma irmã de The Glass Prison do Dream Theater.

 

Thiago Moser assume o baixo do Xakol. [foto: Clovis Roman/Acesso Music]

 

Uma banda bastante promissora que demonstra encarar de frente uma plateia exigente, precisando somente superar as referências e encontrar seu som próprio.

Restless Hunter
Runaway
The Nth Prophecy
Dawn of Insanity
Eternally

 

Castellica

 

(Da esq. para dir.): Marco Aurélio Dower – baixo; Danilo Colavite – guitarra; e Thiago Colavite – vocal da banda Castellica. [foto: Clovis Roman/Acesso Music]

 

Os paulistas do Castellica pegaram a plateia já um pouco “amaciada” e mais receptiva; no entanto, a teatralidade de sua entrada, com os músicos uniformizados em agasalhos e capuzes pretos, numa espécie de Assassin’s Creed do metal, certamente influenciou no resultado.

É bastante recompensador assistir bandas que, independentemente de seu sucesso, acreditam em seu espetáculo e corajosamente compram essa briga. Seja tocar de cara limpa, de bermuda e camiseta ou fantasiado até a maquiagem, subir ao palco ciente de sua opção e sustenta-la, é algo pra poucos.

Com Thiago Colavite no vocal, Lucas Colavite e Danilo Colavite nas guitarras, Marco Aurélio Dower no baixo e Cláudio Calderão na bateria, o som do Castellica pode ser resumido como um Iron Maiden com um baixo no timbre de Chris Squire (YES).

 

Lucas Colavite (guitarra) e a teatralidade eficiente do visual do heavy metal melódico. [foto: Clovis Roman/Acesso Music]

 

A pegada acelerada das músicas, com o baixo de Aurélio Dower muito bem executado e um timbre maravilhoso, além dos vocais limpos e sem esforço de Thiago Colavite, sustentaram o clima de empolgação crescente na casa.

Outra banda bastante promissora que parece estar às vésperas de encontrar sua verdadeira identidade, saindo da sombra de suas influências.

Intro
Holy Knight
Rising
Night Crawler
Ages

 

Hellene

 

 

É com você, Lombardi! A excelente presença de palco e os vocais poderosos de Bia Lombardi roubam as atenções no Hellene. [foto: Clovis Roman/Acesso Music]

 

Com o som mais autoral das bandas de abertura, Hellene subiu ao palco impressionando também pelo estilo individual de cada membro, bastante definido e verdadeiro.

A formação que contou com Alan Dias e Paul Martins nas guitarras, Rodrigo Ricotta no baixo, Beto Patressi na bateria e Bia Lombardi nos vocais, deixou a galera bastante interessada.

Pra começo de conversa, a presença de uma mulher no front – algo ainda pouco comum na cena brasileira, como provocou a vocalista em um dos momentos do show – foi muito refrescante, saindo do padrão esperado.

Além disso as músicas da banda parecem transitar num universo bastante próprio, com influências bem mais sutis e distantes; mesmo quando entoaram a cover do Muse, Psycho, a canção tomou contornos mais pesados, mais crus e bastante alinhados com a própria sonoridade de Hellene.

Aliás, destaques para os riffs da guitarra de Paul Martins – confira nossa entrevista com o músico aqui -, inspiradíssimos e bastante autorais; e o vocal impressionante de Bia Lombardi: coisa de gente grande, a não dever nada para as grandes vocalistas do rock mundial, além de uma presença de palco hipnotizante.

 

Paul Martins e sua guitarra cheia de personalidade fazem do som do Hellene algo novo, bem-vindo e que veio pra ficar. [foto: Clovis Roman/Acesso Music]

 

Na apresentação de Lost Wars, Bia convidou todos a conferirem o videoclipe (muito bem produzido por sinal), feito em parceria com a Acnur – Agência da ONU para Refugiados; as rendas obtidas com a venda do single são revertidas para a causa.

 

 

Hellene
Me Arraste
Present
Psycho
Lost Wars
Todo Tempo

 

Mike Portnoy, Noturnall & Edu Falaschi

 

O líder e vocalista do Noturnall, Thiago Bianchi ao lado do novo guitarrista, o americano Mike Orlando: nova fase. [foto: Clovis Roman/Acesso Music]

 

Por fim a grande atração da noite subiu aos palcos. O Noturnall já chegou chutando tudo, apresentando a nova formação com Thiago Bianchi no vocal, Saulo “Xakol” Castilho no baixo, Henrique Pucci na bateria e Mike Orlando na guitarra, abrindo com Nocturnal Human Side regada a efeitos de iluminação com as luvas e óculos laser de Bianchi.

 

Efeitos de iluminação comandados pelos óculos e luvas de Thiago Bianchi do Noturnall: visual de respeito. [foto: Clovis Roman/Acesso Music]

 

O primeiro trecho do show, somente com o Noturnall, foi de clássicos da banda, terminando com a nova canção Cosmic Redemption.

Já na segunda porção, Bianchi convidou ao palco o grande Edu Falaschi (ex-Venus, ex-Almah, ex-Angra) que entrou esbanjando simpatia, bom humor e um grande sorriso.

Após tocarem juntos Nova Era, a banda abriu o palco para que Falaschi, sozinho, fizesse um pout-pourri acústico, composto essencialmente de músicas do Angra, além de What Can I Do do Symbols, pedida por um fã e tocada até o refrão somente; o repertório ainda contou com Pegasus Fantasy e uma homenagem a Mike Portnoy – The Silent Man, do Dream Theater, que foi cantada pelo público. Falaschi assumiu não ter decorado a letra a tempo para o show.

 

Edu Falaschi encara set solo e acústico: clássicos de sua carreira e uma homenagem a Mike Portnoy. [foto: Clovis Roman/Acesso Music]

 

Com o retorno do Noturnall ao palco, Bianchi homenageou o vocalista André Matos (fundador e ex membro do Angra, Shaman), falecido em junho deste ano e, para celebrar a memória do músico e amigo, a banda tocou com Falaschi e Bianchi nos vocais o hino do metal brasileiro, Carry On, do Angra.

 

Falaschi, com o Noturnall, entoa o clássico Carry On do Angra. Homenagem a André Matos. [foto: Clovis Roman/Acesso Music]

 

Após um pequeno intervalo, as luzes do palco se apagaram para a entrada triunfal da grande estrela da noite. Mike Portnoy assumiu as baquetas no lugar de Henrique Pucci para um set que lembrou em muito a abertura do show do Dream Theater em 2005 com As I Am.

 

Mike Portnoy, a estrela da noite: parecendo estar se divertindo bastante, revisitou clássicos de sua carreira no Dream Theater e Adrenaline Mob. [foto: Clovis Roman/Acesso Music]

 

Na sequência, mais uma antiga canção da banda fundada por Portnoy, Under a Glass Moon; foi então a vez de três músicas do Adrenaline Mob, banda da qual fizeram parte tanto Portnoy quanto o atual guitarrista do Noturnall, Mike Orlando.

Em Indifferent, Orlando assumiu os vocais e o vocalista Thiago Bianchi ficou na segunda voz. O set foi encerrado com mais uma do Dream Theater, Take The Time.

 

Mike Orlando, ex-guitarrista do Adrenaline Mob, também teve a chance de revisitar músicas da banda em que participou com Mike Portnoy. [foto: Clovis Roman/Acesso Music]

 

Na volta para o bis, foi a vez de tocarem o clássico do Pantera, Cowboys from Hell e da nova música Scream! For!! Me do Noturnall, com direito a um duelo e revezamento de kits de bateria entre Pucci e Portnoy.

Nocturnal Human Side
Wake Up
No Turn At All
Fight the System
Cosmic Redemption

(com Edu Falaschi)
Nova Era

(Medley Acústico de Edu Falaschi):
Wishing Well
What Can I Do
Rebirth
Pegasus Fantasy
The Silent Man

(Noturnall & Edu Falaschi)
Carry On

(Mike Portnoy, Noturnall & Edu Falaschi)
As I Am
Under a Glass Moon
Hit the Wall
Indifferent
Undaunted
Take the Time

Bis
Cowboys from Hell
Scream! For!! Me

 

No saldo geral da noite, a sensação que ficou no público foi de um show grande realizado em um espaço pequeno e intimista; a produção, mesmo com o atraso inicial, foi extremamente competente e conseguiu manter todos os aspectos do evento sob controle.

E, especialmente, como citou o guitarrista do Hellene em seu discurso, o grande herói da noite foi Thiago Bianchi, que conseguiu reunir grandes músicos em uma turnê que contemplou palcos de diversos tamanhos, em cidades tão diversas, ao mesmo tempo dando espaço para bandas em ascensão e cedendo seu lugar no palco para que o rock falasse por si só.

Que o belo exemplo da Redemption Tour do Noturnall se multiplique. Hail!

 

 


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