Rocketman
Ano: 2019 Distribuição: Paramount Pictures
Estreia: 30 de Maio

Direção: Dexter Fletcher

Roteiro: Lee Hall

Duração: 112 Minutos  

Elenco: Taron Egerton, Jamie Bell, Richard Madden

Sinopse: “A trajetória de como o tímido Reginald Dwight (Taron Egerton) se transformou em Elton John, ícone da música pop. Desde a infância complicada, fruto do descaso do pai pela família, sua história de vida é contada através da releitura das músicas do superstar, incluindo a relação do cantor com o compositor e parceiro profissional Bernie Taupin (Jamie Bell) e o empresário e o ex-amante John Reid (Richard Madden).”

 

 

 

Alexandre Baptista

Com uma bela mescla entre elementos surreais, musical e cinebiografia, Rocketman atinge seu objetivo de forma elegante e envolvente

Na esteira de Bohemian Rhapsody, o novo longa do diretor Dexter Fletcher mostra uma jornada de redenção, autoconhecimento e busca pelo amor

por Alexandre Baptista

 

Os leitores que acompanham minhas críticas talvez já saibam: eu não sou muito fã de cinebiografias. Elas são falhas em contar a história verdadeira, por mais que tentem ser precisas (a verdade sempre depende do ponto de vista, não é mesmo?). Quando tentam ser imparciais, caem para o aspecto documental (que também é bastante falho); quando inovam demais em seu formato, acabam ilustrando de maneira fantasiosa demais os fatos, mudando acontecimentos de data e misturando tudo. E para assistir alguma fantasia que não é realidade, mais vale um roteiro ou livro original, em minha opinião.

Com isso fora do caminho, devo dizer que as escolhas de Dexter Fletcher – diretor que assumiu o longa Bohemian Rhapsody (2018 – leia nossa crítica aqui) das mãos de Bryan Singer – para Rocketman foram bastante acertadas.

Para quem está acostumado com biografias e cinebiografias de estrelas da música, o enredo em geral é um tanto parecido. Já vimos The Doors – O Filme (The Doors, 1991); Ray (2004); Johnny & June (Walk The Line, 2005); The Beach Boys: Uma História de Sucesso (Love & Mercy, 2015); o próprio Bohemian Rhapsody e muitos outros. Jovem prodígio com uma história familiar desajustada (ou trauma de infância) atinge o sucesso; deslumbrado com a fama, o dinheiro e o mundo do estrelato, se envolve em vícios destrutivos e se afasta das coisas que verdadeiramente lhe são importantes; astro busca o caminho da redenção ou morre no processo.

Pensando nisso, talvez o clipe de 2001 de This Train Don’t Stop There Anymore (com Justin Timberlake interpretando Elton John) seja o melhor trailer de Rocketman que exista… O clipe é inclusive uma ótima inspiração para cenas inteiras do longa.

 

 

Ainda assim, Rocketman encontra um equilíbrio interessante entre o ritmo cinematográfico de fato e os aspectos de musical que o filme adota em certos trechos. Nesses pontos, a estética adota notas mais surrealistas que combinam bastante com as características mais marcantes de Elton John; sua trajetória é contada a partir do ápice de sua jornada destrutiva em um longo flashback que termina na apoteose do terceiro ato.

O filme se inicia com Elton John buscando o internamento em uma casa de reabilitação. Todo paramentado com seus trajes de apresentação, ele “invade” um círculo de terapia e começa a contar sua história. A partir dali, John narra sua vida desde a infância, quando ainda era o tímido Reginald Dwight. Acompanhamos a gestação de Elton John em sua persona final. Mas não estou falando aqui sobre o Elton John famoso e sim o aspecto pessoal do músico.

Ao mesmo tempo em que o flashback vai mostrando a “construção” de Elton, cada vez que as sessões de terapia voltam a cena, o astro está de “desconstruindo”: ele vai retirando peças de seu figurino até se despir por completo, ficando somente com um roupão. Temos aqui uma imagem muito forte dos dois paralelos que se constroem no longa que se encerra em 1983: Elton Hercules John, a pessoa que emergiu do reencontro de Reginald Dwight com o astro Elton John e que encontrou o amor.

A estética do longa se inspira muito nos locais, cenários e figurinos originais de Elton e é de extremo bom gosto, atualizando alguns conceitos apesar de bastante similares aos originais.

As músicas são todas interpretadas pelos atores e nesse ponto a escolha de Fletcher é ousada. Se no filme do Queen temos mesclas das músicas originais com trechos interpretados por Rami Malek sobrepostos com a voz de Marc Martel, aqui temos somente Taron Egerton e o elenco em versões bastante diferentes das músicas originais. Por um lado, a sensação é bastante interessante e o trabalho foi extremamente bem executado. Por outro, os fãs de Elton John talvez se sintam um pouquinho decepcionados.

Assim como na execução da trilha sonora, o elenco está muito bom na interpretação e o trabalho de Egerton em reproduzir os maneirismos de John é impecável.

Por fim, voltando ao momento de apoteose, sinto somente que não se iguala ao final de Bohemian Rhapsody, apesar de talvez ser até mais emocional. Terminando em 1983 com a “volta por cima” do músico, o filme exclui certas nuances de sua vida, perdendo momentos interessantíssimos como a briga com a Disney em função da trilha sonora de O Rei Leão (The Lion King, 1994) ou sua amizade que culmina com a singela homenagem a Lady Diana em 1997.

No entanto, o longa deixa claro que sua história é focada na jornada de redenção e autoconhecimento vivida por Elton John; e, claro, seus anseios por amor verdadeiro.

 

 

Avaliação: Ótimo!

 

 

 

Trailer

 

 


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