Rainhas do Crime (The Kitchen)
Ano: 2019 Distribuição: Warner Bros.
Estreia: 08 de Agosto

Direção: Andrea Berloff

Roteiro: Andrea Berloff (roteiro); baseado em Ollie Masters (HQ), Ming Doyle (desenhos)

Duração: 102 Minutos  

Elenco: Melissa McCarthy, Tiffany Haddish, Elisabeth Moss, Domhnall Gleeson

Sinopse: “O instigante drama sobre a máfia Rainhas do Crime, da New Line Cinema e BRON Creative, foi escrito e dirigido por Andrea Berloff, indicada ao Oscar de Roteiro Original por “Straight Outta Compton: A História do N.W.A.”. Rainhas do Crime é estrelado pela indicada ao Oscar Melissa McCarthy (“Poderia Me Perdoar?”, “Missão Madrinha de Casamento”), Tiffany Haddish (“Viagem das Garotas”) e Elisabeth Moss (da série de TV “The Handmaid’s Tale”), que interpretam três donas de casa do bairro de Hell’s Kitchen (Nova York) em 1978, cujos maridos mafiosos são mandados para a prisão pelo FBI.  Deixadas quase sem nada, elas assumem as rédeas da máfia da irlandesa – provando, inesperadamente, estarem prontas para tudo, desde gerenciar os negócios ilegais até eliminar a concorrência… literalmente. O elenco também conta com Domhnall Gleeson (“Star Wars: Os Últimos Jedi”), James Badge Dale (“Homens de Coragem”) e Brian d’Arcy James (“Spotlight: Segredos Revelados”), com Margo Martindale (da série de TV “The Americans”), o vencedor do Oscar Common (“Selma: Uma Luta Pela Igualdade”, “Marshall: Igualdade e Justiça”) e Bill Camp (“Vice”), além de Jeremy Bobb (“Marshall: Igualdade e Justiça”), E.J. Bonilla (da série de TV “The Long Road Home”), Wayne Duvall (“Os Suspeitos”), Annabella Sciorra (da série “Demolidor”) e Myk Watford (da série da HBO “True Detective”).”

 

 

Alexandre Baptista

Rainhas do Crime é uma excelente adaptação dos quadrinhos da Vertigo e merece ser visto no cinema

Filme que estreia hoje nos cinemas é envolvente e empolgante, com ambientação nos anos 70

por Alexandre Baptista

 

A Vertigo, recém-cancelada linha de quadrinhos da DC Comics, foi por 26 anos a linha editorial a dar voz e vez para tramas únicas, inovadoras e independentes na Editora das Lendas. Títulos como Sandman, Hellblazer, Preacher, Transmetropolitan, 100 Balas e muitos outros, foram impressos pela primeira vez nas páginas do selo.

Confira a coluna As Melhores Séries da Vertigo aqui.

Um desses títulos, publicado no Brasil pela Panini este mês, é A Cozinha: Rainhas do Crime (The Kitchen, 2015) de Ollie Masters com desenhos de Ming Doyle, que ganhou adaptação para os cinemas em Rainhas do Crime (The Kitchen, 2019) que estreia nas telonas nacionais hoje.

A trama se assemelha a muitas dos filmes de máfia que focam na Cosa Nostra como O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972) e suas sequências; Os Bons Companheiros (The Goodfellas, 1990), Cassino (Casino, 1995) e até mesmo Era Uma Vez na America (Once Upon A Time in America, 1984).

No entanto, por outro lado, parece uma continuação de Gangues de Nova York (Gangs of New York, 2002), ao focar a história na máfia irlandesa da Cozinha do Inferno em Manhattan no fim dos anos 70.

A mistura não deixa de fora o arco inicial, extremamente semelhante ao de As Viúvas (Widows, 2018) – embora o filme de Steve McQueen tenha vindo anos depois da HQ; a dinâmica do trio feminino que, por vezes lembre muito a do trio de As Panteras (Charlie’s Angels, 1976-1981); a estética setentista num design de produção tarantinesco-light (sem o sangue em profusão).

Essa receita se prova perfeita para a trajetória das mulheres que assumem a Cozinha do Inferno após a prisão de seus maridos mafiosos. A evolução de cada uma das personagens é cuidadosa e gradativamente exposta em cada uma das cenas: Claire Walsh (Elisabeth Moss), da frágil e reprimida esposa que apanha do marido (e da vida) para uma exímia atiradora, especialista em “limpeza”; Ruby O’Caroll (Tiffany Haddish), do abuso e da intolerância, do preconceito e da coadjuvância, às rédeas e ao protagonismo; e Kathy Brennan (Melissa McCarthy), da esposa dedicada à mafiosa de sangue-frio e honra criminal.

Além da deliciosa mistura e de um roteiro muito bem amarrado, Rainhas do Crime tem muitos outros pontos fortes. O elenco está todo impecável, do trio feminino principal aos coadjuvantes, que incluem Domhnall Gleeson como o assassino Gabriel O’Malley; Annabela Sciorra e Bill Camp, como o casal de mafiosos italianos; e Brian d’Arcy James como Jimmy Brennan, marido de Kathy.

Outro ponto impecável é a trilha sonora. Precisa e bem composta, ela empurra o filme em diversos momentos. A trilha musical também é extremamente empolgante com o melhor do rock dos anos 70: Barracuda do Heart; Carry on my Wayward Son do Kansas, The Chain do Fleetwood Mac na versão de The Highwomen, It’s a Man’s Man’s Man’s World de James Brown na indefectível versão de Etta James, Simple Man do Lynyrd Skynyrd, Pait it Black dos Rolling Stones e outras mais. Chega a ficar difícil não levantar da cadeira do cinema em certos momentos.

A direção de Andrea Berloff, no entanto, é indispensável. O filme tem, visivelmente, o olhar e a sensibilidade femininas: na pequena troca de palavras entre a matriarca italiana e Kathy; no “chega” proferido por Claire após ser atingida por um viciado; no diálogo entre Ruby e sua mãe; no diálogo entre Kathy e seu pai. Não, ela não fez nada pelos filhos, nem pela família. Ela fez para si.

Esse olhar e essa postura permeia todo o filme de maneira orgânica e natural, não precisando ser discursiva ou panfletária. E faz toda a diferença, transformando o que poderia parecer “só mais um filme de máfia” em uma obra indispensável aos amantes do gênero.

Afinal, quem disse que mulheres não servem para nada além de ter filhos?

 

 

Avaliação: Ótimo!

 

 

 

Trailer

 

 

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