O Quarteto Fantástico de Mark Waid é mais uma prova da genialidade do autor que criou a segunda melhor fase da família fundamental da Marvel Comics – atrás apenas do famoso run de John Byrne. Waid teve ao seu lado, quase todas as edições, o desenhista Mike Wieringo que com seus desenhos mais cartunescos foi a escolha perfeita! 

Os desenhos de Wieringo podem dar a sensação – a quem não leu a fase – que as tramas são bobas e infantis – e não é esse o caso.

Waid aborda absolutamente tudo do universo do Quarteto e temos um Dr. Destino assustador (e mais místico do que nunca), um Johnny Storm que se envolve com os negócios da família, a volta de Galactus, uma ida ao Inferno e muito mais! Se quiser saber como essa fase foi publicada no Brasil, confira nosso guia aqui.

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Conheça O Quarteto Fantástico de Mark Waid

Dr. Destino surge ainda mais ameaçador no Quarteto Fantástico de Mark Waid

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Muita coisa diferente acontece no Quarteto Fantástico de Mark Waid e um dos personagens que mais recebeu atenção – e mostrou suas diferentes facetas – foi Johnny Storm. A trama envolvendo o herói e os negócios da família é uma das que abre o run de Waid e mostra que o “eterno adolescente”, como alguns personagens da equipe o denominam, não é tão bobo quanto parece.

O herói é obrigado a assumir o posto de chefe das finanças da equipe (ideia da Sue!) e isso o coloca em uma posição totalmente diferente de tudo que já havíamos visto da relação familiar do Quarteto.

Falando em relação familiar, Waid dá uma aula logo em sua edição de estréia, Fantastic Four (1998) #60, e mostra que entende a equipe como poucos – definindo eles não como super-heróis mas como exploradores.

O autor aproveita ainda para explorar a parte financeira e de imagem da família – que funciona basicamente como uma empresa (o discurso de Richards falando da fama do Quarteto vai arrepiar os fãs mais fervorosos da equipe). Mas ainda tinham muitas surpresas reservadas para o esquentadinho da equipe.

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Conheça O Quarteto Fantástico de Mark Waid

A parceria entre o Tocha Humana e o Homem-Aranha é explorada no Quarteto Fantástico de Mark Waid

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O Tocha-Humana, além de ser um dos destaques do arco de abertura, também tem sua parceria com o Aranha colocada em foco e tem uma total mudança dos seus poderes ao ser selecionado como o novo arauto de Galactus em um arco mostra como Storm pode ser adaptável e o quão difícil é controlar os aparentemente fáceis poderes de fogo do personagem!

Todas essas passagens deixam muito espaço para que vejamos o lado mais esperto e ligado a família do personagem que muitas vezes é retratado apenas como um “idiota”. Ponto para Waid que consegue mostrar que Johnny Storm tem muito mais a oferecer.

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Quarteto Fantástico de Mark Waid: o Arco do Dr. Destino

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Muitos autores tentam relativizar a maldade de alguns vilões. Não é diferente com o Dr. Destino e vemos, vez ou outra, histórias onde o vilão mais parece um incompreendido gênio do que um demônio de pura maldade. Waid não mede seus esforços em mostrar que Doom é sim um gênio, mas um gênio diabólico que tem como objetivo esmagar Richards e sua família – nem que tenha de abrir mão do que ama. 

O arco do Dr. Destino no Quarteto Fantástico de Mark Waid também coloca Reed Richards em foco e mostra que a maldade pode ser o grande nêmesis do brilhante cientista do Quarteto. Waid estabelece que Victor decidiu mudar sua área de conhecimento principal para magia e, para fazer isso, decide abrir mão da mulher que um dia amou – Valéria.

Os arcos conhecidos como Quarteto Fantástico Inconcebível e Quarteto Fantástico Ações Autoritárias são considerados por boa parte dos leitores como um dos grandes confrontos de Doom com o Quarteto. Temos aqui magia, inferno, tortura e o vilão mostrando que está disposto a tudo para acabar com a família de Reed e atormentar seu rival!

Lembra que eu disse que os desenhos cartunescos de Wieringo poderiam dar uma ideia errada? Aqui temos Franklin sendo torturado no Inferno e sua irmã, Valéria, sendo possuída – sim, pesado!

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Conheça O Quarteto Fantástico de Mark Waid

O visual mais clássico de Mike Wieringo é perfeito para o Quarteto Fantástico de Mark Waid

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O interessante é que a derrota de Destino coloca Reed em rota de colisão com sua família uma vez que o personagem decide fazer com que a família assuma o lugar do vilão como ditadores da Latvéria. A história mostra uma faceta mais obcecada do Sr. Fantástico e mostra que a vontade de defender sua família não é sempre um trunfo.

A trama de Quarteto Fantástico Ações Autoritárias termina com uma visita ao Céu da Marvel Comics e temos um dos grandes criadores da Casa das Ideias fazendo o papel de Deus. Como homenagem, a passagem funciona muito bem mas como história, fica a sensação de uma resolução preguiçosa. Todos os traumas sofridos na mão de Destino somem com um passe de mágica e é quase como se Waid tivesse a oportunidade de começar seu run de novo…

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Conheça O Quarteto Fantástico de Mark Waid

Uma das cenas mais tristes do Quarteto Fantástico de Mark Waid envolve o Coisa

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Quarteto Fantástico de Mark Waid: As emoções do Coisa

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É injusto dizer que Waid não deu espaço para todos os membros do Quarteto brilharem e terem seu momento. O Coisa é um que mostrou todas as facetas do personagem que amamos: teve seus momentos de grandes confrontos (com seu famoso bordão Tá na Hora do Pau!), circulou pela Rua Yancy, demonstrou sua tristeza em ser “o que é” e teve seus momentos brincalhões com Storm e o Homem-Aranha. O personagem é, sem dúvida, o maior camaleão do Quarteto Fantástico de Mark Waid. 

Os momentos tristes, que envolveram a morte do personagem em Quarteto Fantástico Ações Autoritárias poderiam ter dado uma direção completamente diferente para o run de Waid se ele não tivesse optado por anular a morte do personagem pouquíssimas edições depois.

Apesar de não concordar, não posso tirar o mérito de Waid que entrega cenas emocionantes com o personagem – em uma particular ele mostra Ben contando a Reed porque não deixa ninguém assumir o fardo dele… Emocionante e uma prova da amizade entre os dois membros do Quarteto.

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Coisa cai em mais uma pegadinha no Quarteto Fantástico de Mark Waid

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O Quarteto Fantástico de Mark Waid é realmente tão bom?

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Quarteto Fantástico de Mark Waid é bom porque o autor sabe se reinventar durante todo o run. O tom varia de histórias mais familiares e cotidianas para as grandes sagas cósmicas que todos amamos. Tudo isso com um ótimo roteiro e com os fantástico desenhos de Mike Wieringo.

Família, amizade, união, espírito aventureiro… tudo que faz uma boa história do Quarteto Fantástico está ali e Waid é um dos poucos autores que aborda do Inferno ao Universo no mesmo run!

Sensacional!

Se você ainda não leu a fase de Waid no Quarteto Fantástico e é fã da equipe, recomendo que você faça isso o mais rápido possível!

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Confira nossa série Baú de HQs!

 

Créditos:
Texto: Lucas Souza
Imagens: Reprodução
Edição: Diego Brisse

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