Por Lucas Souza

O mais antigo super herói do mundo completou 80 anos. Criado por Jerry Siegel e Joe Shuster em 1938, o Superman mudou muito ao longo dos anos. Símbolo, uniforme, poderes, origem… Tudo foi repaginado ou modificado (mesmo que em pequenos detalhes) ao longo dos anos para atualizar o Azulão para os novos leitores.

Comparativo entre os uniformes mais icônicos do personagem

Em sua essência porém, o Super não mudou tanto assim desde o original. Depois de ter sua personalidade “suavizada”, já que o original era bem mais extremista e agressivo, o super manteve um padrão de comportamento que se tornou característico e identificável por parte dos leitores: bondoso, escoteiro, controlado e poderoso. Longe de ter os rompantes que outros personagens similares possuem, o Super é um modelo e um símbolo de esperança dentro do universo DC que serve de guia para os outros supers da editora. E é justamente isso que torna o personagem tão difícil de ser escrito.

Seu código moral e seus poderes tornam o Superman uma espécie de deus (todos nós já nos deparamos com o comparativo do herói com Jesus Cristo). Nas HQ´s mensais temos uma  fórmula que foi seguida durante muito tempo: supermonstro + ameaça a metrópolis e família = história do super. Infelizmente, esse padrão criou histórias repetitivas e – em grande maioria – ruins, que tiraram a revista do personagem da lista das mais vendidas. Cenário que vem sendo alterado desde a excelente run de Peter Tomasi no começo do Renascimento da DC (Confira nosso especial AQUI)

Publicada na Action Comics #775 e escrita por Joe Kelly, a história Olho por Olho (no original What’s So Funny About Truth, Justice & the American Way?) é um retrato perfeito da dificuldade que os roteiristas têm em trabalhar o personagem. Na premiada história, os métodos do Superman são considerados ultrapassados pela equipe Elite, que trabalha com mais extremismo e entende que a filosofia “bandido bom é bandido morto” deve reinar. Apesar da história mostrar a ótica do personagem, fica claro que os escritores e leitores, de forma geral, consideram o conceito ultrapassado. O método Superman de combater o crime e de se portar é de identificação mais distante e difícil do que o método do Justiceiro da Marvel Comics, por exemplo. Extremismo tem ganhado cada vez mais espaço no mundo dos quadrinhos (ALÔ Década de 90!).

Essa ótica deturpada gerou uma grande quantidade de reboots ou remakes do personagem nos seus 80 anos. O Superman elétrico da década de 90 e o Superman jovem e revoltado dos Novos 52 são grandes exemplos disso. Mas nenhum foi tão longe quanto o Superman do DC You. Menos poderoso, com uma moto e uma camiseta, esse superman rodou pelos EUA como um errante. Não digo que as histórias sejam de todo ruim, mas elas não encaixam na mitologia do personagem e nem no seu cerne. O Superman precisa ser escrito como sendo um ser acima dos demais e um farol de esperança para todos. Nos acostumamos com (e amamos) essa forma. Esse tipo de “releitura” normalmente fracassa e gera repulsa (Justiceiro da Marvel é um ótimo exemplo de personagem que também sofre com releituras apesar de mais identificável – leia Franken Castle).

Superman DC You: Melhor estilo Sons of Anarchy

Esse descrédito no “escoteirismo” do personagem fez com que suas principais histórias fossem arcos especiais ou fechados (Grandes Astros Superman,O Que Aconteceu ao Homem de Aço, Para o Homem que tem Tudo) ou histórias sobre a Liga da Justiça e o Universo DC como um todo (Reino do Amanhã, Justiça) ou sobre sua origem (As Quatro Estações, Origem Secreta, O Homem de Aço). Dificilmente temos grandes runs do personagem por conta dessas características. Um caminho que vem sendo bastante adotado é a subversão do símbolo: transformar o herói perfeito em um vilão impiedoso. Injustiça, adaptação do jogo de mesmo nome, leva essa temática ao extremo e mostra a queda de um símbolo.

Vale destacar as consideradas grandes fases e runs do herói: A reformulação pós Crise nas Infinitas Terras de John Byrne e a volta à essência do personagem no Renascimento de Tomasi. Essas duas fases de sucesso tem algo em comum: elas abraçam as características principais do personagem e nos fazem acreditar que a fé, crença e bondade dele são suas grandes armas. A grande maioria das histórias de sucesso do Azulão focam em sua personalidade e não em seus poderes. Batman traduz bem isso no filme Liga da Justiça de 2018: “O mundo precisa do Superman… o time necessita do Clark. Ele era mais humano do que eu alguma vez serei. Ele viveu neste mundo, se apaixonou, teve um emprego. Mesmo tendo todo aquele poder“

Superman se transforma em ditador na série Injustiça: Deuses Entre Nós.

Zona de conforto. Talvez seja a falta dela que faz com que o personagem seja tão difícil de ser escrito. Seu nível de poder pede por vilões mais megalomaníacos, mas sua personalidade impede rompantes e crueldade. Essa combinação parece ser mortal para a maioria dos escritores da HQ mensal do Superman. Porém, parece que o personagem recebeu um belo presente pelos seus 80 anos: desde o Renascimento suas histórias têm mantido-se em alto nível e seus títulos vêm sendo apontados como alguns dos melhores da nova fase.

Escoteiro, super poderoso, bondoso, controlado e cheio de esperança. Se essas são as características que deixam os escritores tão confusos é melhor eles se prepararem. Gostamos do nosso Superman assim. Nem que leve mais 80 anos, em algum ponto eles (e a DC Comics) entenderão isso….

Parabéns para o nosso Escoteiro Azul favorito!

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