por Lucas Souza

 

Seja Bem-Vindo ao Baú de HQ´s do Ultimato do Bacon! Aqui, toda semana, iremos falar sobre quadrinhos antigos que são muito bons mas não necessariamente conhecidos. Essa semana vamos falar sobre uma saga cósmica que envolve boa parte do Universo DC: Odisséia Cósmica.

No final da década de 80 a DC conseguiu juntar dois grandes astros da indústria para entregar uma saga cósmica recheada de ação que tem consequências até os dias de hoje para alguns personagens.

Jim Starlin, o criador de Thanos, assume o roteiro que conta com a arte do incrível Mike Mignola, criador de Hellboy, em uma história que aborda os confins do universo e reúne personagens que usualmente não caminham lado a lado.

Nos EUA, Odisséia Cósmica (Cosmic Odyssey) foi publicado em formato minissérie contando com quatro partes nos anos de 1988 e 1989. Aqui no Brasil a saga chegou primeiramente pelas mãos da editora Abril em formato minissérie com Odisséia Cósmica #1 – #4 (1990) e em encadernado com a história completa em Odisséia Cósmica (1991). A Panini Comics também publicou a saga em “Grandes Clássicos DC” #12 (2007) e em capa dura em Odisséia Cósmica (2015).

 

Odisséia Cósmica de Jim Starlin e Mike Mignola é uma grande aventura cósmica da DC

 

Odisséia Cósmica traz a aliança de Darkseid com heróis da Terra para deter o avanço da Força Antivida – que nessa aventura é um ser consciente que ameaça a própria existência do Universo. O primeiro ponto que chama atenção é o nível da ameaça que obriga até o arrogante Darkseid a admitir que precisa de ajuda. O segundo grande ponto da HQ é trazer uma equipe pouco convencional lutando lado a lado. Temos Superman, Batman, John Stewart, Estelar, Caçador de Marte, Órion e contamos ainda com participações de diversos Novos Deuses, Etrigan e Sr. Destino. A incomum equipe dá uma pegada cósmica e mística ao evento.

Após a aliança entre Darkseid, Nova Gênese e os heróis da Terra ser formada, acompanhamos a necessidade de o grupo ser dividido em equipes que vão enfrentar os mais variados testes. O interessante é que cada teste leva os heróis a se depararem com algo surpreendente que desafia uma de suas características dominantes. A história, que tem um vilão simples mas com desenvolvimento e enredo muito bem executados, consegue colocar Jason Blood no centro dos acontecimentos.

 

Darkseid precisa unir forças com heróis da Terra em Odisséia Cósmica

 

É impossível falar de Odisséia Cósmica sem citar o evento e a sequência de erros que atormentam John Stewart até os dias de hoje – tendo sido citado recentemente nas aventuras da Liga da Justiça escrita por Scott Snyder. Estamos falando do planeta Xanshi que é destruído no desafio que o Lanterna Verde enfrenta junto com o Caçador de Marte.

Na história, o arrogante herói entende que o Marciano está atrasando a missão e que ele, detentor da maior e mais poderosa arma do Universo, pode fazer qualquer coisa mais rápido se estiver sozinho. Aprisionando o companheiro em um constructo do anel, ele parte para cumprir o desafio – ao chegar lá ele vê que a máquina que deveria desativar é amarela (na época, essa era a fraqueza do anel, que não funcionava em nada da cor amarela). Por conta de sua arrogância, todo o planeta Xanshi é destruído – o Caçador de Marte culpa Stewart e a forma como essa culpa se desenvolve na história (e na relação com o Caçador de Marte) é bem interessante e pouco usual para uma revista em quadrinhos.

Além do fracasso do Lanterna Verde, vale citar a surpresa do Superman ao se deparar com hordas de adversários tão poderosos quanto ele e lutar ao lado de Órion e outros que possuem o mesmo nível de força que o seu – isso não é comum para o herói.

Batman também se destaca surpreendendo com seu raciocínio rápido e dando uma aula de humanidade e empatia (sim, o Batman!) ao arrogante Órion.

A interação entre os personagens e reação a cada uma das ações e escolhas dos mesmos rouba os holofotes em boa parte da trama e a ação, que é excelente e muito bem representada nos desenhos de Mignola, acaba ficando em segundo plano.

 

John Stewart é corroído pela culpa após o erro que comete em Xanshi

 

O roteiro de Jim Starlin é super linear e simples em Odisséia Cósmica, mas os desafios surpreendentes contra a Força Antivida e a ideia de reunir uma equipe de heróis tão pouco usual faz a diferença e torna a minissérie uma leitura muito boa.

O ritmo é excelente e traz uma dose de ação grande sem deixar de ter espaço para o desenvolvimento e explicação da ameaça e interação entre os personagens (um dos grandes diferenciais) – sendo o casamento entre universo cósmico e místico mais um super acerto de Starlin.

Para deixar a obra ainda melhor, temos os desenhos de Mike Mignola que parecia incrivelmente inspirado e entrega painéis espaciais lindos e belas sequências nos planetas (principalmente em Xanshi).

Odisséia Cósmica é uma HQ que vale a pena para os fãs que amam uma boa história espacial e querem saber mais sobre o grande trauma de John Stewart – sem contar que rever o Quarto Mundo criado por Jack Kirby é sempre um excelente bônus!

 

Batman testa todas as suas habilidades em Odisséia Cósmica de Jim Starlin e Mike Mignola

 

Fique Ligado no Ultimato do Bacon para mais Baú de HQs na próxima semana!

 

 


Acessem nossas redes sociais e nosso link de compras da amazon

Instagram 

Facebook

Amazon