Por Lucas Souza

 

A década de 90 foi um período de grandes transformações estéticas e de histórias para a grande parte dos super-heróis. Empresas como a Image Comics surgiram com uma proposta de heróis mais extremos e com visuais mais “chocantes” (sim, farei esse trocadilho diversas vezes durante a matéria). O Azulão já havia sofrido bastante no período, mas sua maior transformação ainda estava por vir. Morte, retorno, cabelos longos, uniforme preto, casamento.. O status quo do personagem estava mudando, mas essas mudanças podem ser consideradas menores frente a reformulação completa que se avizinhava.

 

Superman elétrico era tratado como a nova grande reformulação do personagem

 

A saga do Superman elétrico tem suas raízes plantadas na Kandor daquela época. A cidade engarrafada, nesse período, era uma espécie de cidade “prisão” comandada por Tulos. Após derrotá-lo, o homem de aço abriga a garrafa em sua fortaleza da solidão e – em uma aventura na cidade – ele retorna com seus poderes, recém recuperados depois da saga Noite Final, completamente descontrolados. A fase elétrica do superman foi publicada pela abril nas edições 21 a 33 de Super-Homem (2ª série), 1 a 4 de Super-Homem, O Homem de Aço, 17 e 18 de Os Melhores do Mundo e o Especial de encerramento Super-Homem : Eternamente. E a mudança é real. Após aprender a usar seus novos poderes (com ajuda de um traje de contenção feito pelo Dr. Hamilton ), o Escoteirão fica com a pele azul e passa a ser, basicamente, um ser de energia. Rajada de Energia, mudar de aparência como um transmorfo, intangibilidade, visão elétrica e outros são os novos poderes do Superman que – de certa forma – ficou ainda mais invencível. Uma pequena observação: nesta fase a Kryptonita não serve para nada!

 

Super tentando se barbear com os novos poderes elétricos

 

As histórias da fase elétrica – apesar de estranhas para os mais conservadores – funcionam bem! O lado jornalístico de Clark e Lois é bem empregado, os coadjuvantes cumprem papéis que ajudam a desenvolver a trama e agregaram ao personagem (muitos não lembram de Scorn, o monstro azul de Kandor que andava vestido com a antiga roupa do super e ajudava Metrópolis). A tensão dentro do Planeta Diário era constante por conta das ausências de Clark Kent – esse tipo de situação criada por vidas duplas é muito ausente nas HQ´s atuais e criava bons ganchos nessa fase. É extremamente divertido acompanhar o personagem redescobrindo os seus poderes e sendo testado pelos vilões e companheiros do Universo DC. Na liga da Justiça de Grant Morrison o Azulão Elétrico é, inclusive, submetido a testes de seus companheiros (velocidade, combate, força) para manter seu lugar na equipe.

Sendo franco: até esse momento, as histórias estavam boas e o personagem funcionava. A essência do Superman se mantinha apesar da aparência e dos novos poderes. Mas os roteiristas queriam mais. Depois de ser preso em uma câmara de contenção energética pelo homem dos brinquedos e pelo superciborgue, o herói é dividido em duas versões elétricas: uma azul e uma vermelha. A azul mais auto contida e a vermelha mais espalhafatosa e brincalhona.

A ideia de dividir o Superman em dois pode parecer interessante, mas ela dura tempo demais e as situações criadas passam rapidamente de inusitadas a chatas. Lois Lane e seus dois maridos, entra e sai do Planeta Diário, brigas e discussões sobre quem é o original e assim por diante. A fase “chocante” (sim, novamente o trocadilho) estava chegando ao fim. E o fim é confuso.

Para retornar o personagem para seu uniforme tradicional e sendo um só, começou a saga chamada Gigantes do Milênio. Nela, os Supermen Elétricos Azul e Vermelho devem deter os gigantes que foram despertos pela guarda do milênio para “rebootar” a terra graças às energias liberadas pelo Azulão. Com as dicas de um xamã (?) e ajuda dos outros heróis da terra ele detém a ameaça e retoma seu status quo no especial da abril Super-Homem: Eternamente. Como falado acima, complicado.

A fase elétrica do azulão é extremamente massacrada pelo público em geral. Fato curioso é que grande parte desse público sequer leu a saga, mas faz questão de demonstrar insatisfação com o visual do Superman Elétrico (década de 90!). Podemos dizer que o nível das histórias e as explicações das mudanças são bem preparadas e roteirizadas e que a fase ia bem até a divisão em dois – foi a partir daqui que a coisa desandou mesmo. A mudança é, de qualquer forma, extremamente corajosa. Modificar o cabelo e matar o Escoteirão Azul já trouxeram repercussão. Mudar o seu visual completamente entrou para história – prova disso é que a saga lançada em 1997 ainda é lembrada em 2018.

Dan Jurgens, um dos idealizadores do Superman Elétrico e outras grandes sagas, entende muito do personagem e mostrou que é possível manter o personagem fiel a suas raízes mesmo que todo o resto tenha sido modificado. A história dos Supermen Azul e Vermelho – que não funcionou no arco elétrico – foi inspirada em um conto lançado no começo da década de 60 em Superman#162 e voltou as HQ´s na fase do Renascimento (arco Superman Reborn – curto e funciona bem!). Na história original, que se passa fora da cronologia, o personagem se divide em duas versões para poder ajudar mais o povo de Kandor porque entende que falta tempo para cuidar dos dois mundos. Isso só mostra o quanto Jurgens respeita as origens e entende o personagem a fundo – mesmo que sua pesquisa tenha gerado um resultado prático ruim na saga de 97.

Corajosa, divertida e bem “a cara” dos anos 90, a fase elétrica do  Superman deve ser mantida viva na memória para lembrar que é a essência que faz o personagem Super e não o visual ou os poderes (mas não voltem com aquele visual anos 90 por favor!). É parte da jornada do personagem e deve ser lembrado nos 80 anos do primeiro Super de todos!

 

As muitas fases do Homem de Aço!

 

Quer ler a fase elétrica em ordem?

Busque em sebos (duvido que seja relançado no Brasil) as edições citadas e leia na seguinte ordem:

Super-Homem 21 a 29
Os Melhores do Mundo 17 e 18
Super-Homem, o Homem de Aço 1
Super-Homem 30
Super-Homem, o Homem de Aço 2
Super-Homem 31
Super-Homem, o Homem de Aço 3
Super-Homem 32
Super-Homem, o Homem de Aço 4
Super-Homem 33
Super-Homem: Eternamente

 

Fique ligado no Ultimato do Bacon para mais matérias sobre HQs!

 


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