O Preço da Verdade – Dark Waters (Dark Waters)
Ano: 2019 Distribuição: Paris Filmes
Estreia: 13 de Fevereiro de 2020 (Brasil)

Direção: Todd Haynes

Roteiro: Nathaniel Rich (baseado no artigo da revist do The New York Times "The Lawyer Who Became DuPont's Worst Nightmare" de); Mario Correa, Matthew Michael Carnahan (roteiro)

Duração: 126 Minutos  

Elenco: Mark Ruffalo, Anne Hathaway, Tim Robbins

Sinopse: Robert Bilott (Mark Ruffalo) é um advogado de defesa corporativo que ganhou prestígio trabalhando em casos de grandes empresas de químicos. Quando fazendeiros chamam sua atenção para mortes que podem estar ligadas a lixo tóxico de uma grande corporação, ele embarca em uma luta pela verdade, em um processo judicial que dura anos e põe em risco sua carreira, sua família e seu futuro em geral.

 

O Preço da Verdade - Dark Waters - O Ultimato 1

 

Alexandre Baptista

Qual é de fato O Preço da Verdade?

Filme que retrata a batalha do advogado Rob Bilott contra o descaso da DuPont em relação à vida estreia nesta quinta-feira, 13 de fevereiro

por Alexandre Baptista

O Preço da Verdade - Dark Waters - O Ultimato 2

 

O Preço da Verdade – Dark Waters não é lá um grande filme. Tem excelentes atuações, é verdade: Mark Ruffalo como o advogado Rob Bilott, Tim Robbins com Tom Terp, Victor Garber como Phil Donnely e Bill Camp como Wilbur Tennant; até mesmo Anne Hathaway, no papel da esposa de Bilott, Sarah, deixada totalmente à margem da narrativa, dá mais peso e relevância a sua personagem do que o roteiro em si.

Tem um roteiro coeso. Uma trilha sonora competente, embora clichê. Mas tem graves problemas de ritmo: se no começo apresenta os fatos de forma atabalhoada e sem respiro, no decorrer da história se arrasta da mesma morosa maneira que os litígios nos tribunais.

No entanto, é um filme “baseado em fatos reais” que demonstra como uma gigantesca empresa da indústria química contaminou proposital e conscientemente, de maneira irreversível, bilhões de pessoas ao redor do mundo. Basicamente, Erin Brockovich (2000) em escala apocalíptica.

Baseado no artigo de 2016 da revista do The New York Times, O advogado que se tornou o maior pesadelo da Dupont, de Nathaniel Rich, o longa encena o árduo calvário que o advogado Rob Bilott enfrentou ao aceitar representar o fazendeiro Wilbur Tennant em um processo contra a DuPont.

A angústia, a paranoia, a síndrome de Cassandra que Bilott atravessou ao longo dos anos é competentemente representada no longa. Ou talvez não.

Numa época de verdades de rede social, fake news e Terra Plana, tem sido cada vez mais fácil para as grandes empresas, de todos os setores, manipularem as informações, manobrarem a opinião pública, exacerbarem seus ganhos e lucrarem com o sofrimento, com a dor, com a doença e com a dependência.

Para além do filme é importante percebermos o quão reféns estamos do modo de organização social em que vivemos.

A indústria farmacêutica nos mantém cativos ao desenvolver remédios que regulam, controlam, mas não curam. Uso contínuo, lucro contínuo.

A indústria alimentícia nos mantém cativos ao desenvolver produtos de menor qualidade, substitutivos que são as únicas possibilidades dentro do orçamento da maioria da população mundial, mas que engordam, são cancerígenos, entopem veias e artérias, entre outros. São os amidos modificados com sabor queijo, as nojentas pastas processadas que eles ousam chamar de presunto, e todo e qualquer tipo de alimento ultra processado pelos quais passamos nos mercados.

A indústria mineradora e energética nos mantém cativos ao pagar multas ambientais irrisórias, relativas a poucos dias de faturamento de suas empresas, por crimes que deveriam ser hediondos uma vez que terão consequências milenares à fauna e à flora de áreas como Chernobil, Fukushima, Mariana e Brumadinho e seus entornos, além das consequências imensuráveis e imateriais às famílias vítimas de tais crimes.

E muitas e muitas outras indústrias, verdadeiras máfias que detém governos e poderosos em seus bolsos, calados e coniventes com o assassínio em massa e rentável para uma minúscula parcela da população mundial.

Como a indústria química representada no filme pela DuPont. Empresas que estampam as listas de “10 melhores lugares para se trabalhar” nas grandes publicações da área, bajulando funcionários com os famosos “arregos” – VT, VR, festa de final de ano, presente de natal, cesta de natal, vale-compras, vale-cultura, câncer, enfisema, úlcera, pneumoconiose, silicose, má-formação fetal, aborto espontâneo – tudo aquilo que um bom emprego de carteira assinada deve proporcionar, mas que no fundo estão apenas explorando de maneira fria e brutal a melhor e mais eficiente maneira de se obter lucro. Não se trata de preservar vidas e sim de quanto se lucra com a morte.

E a grande chave para o sucesso de tão lucrativa estratégia é o fator “longo prazo”. Assim como o cigarro, tais químicos (no caso da DuPont), ou outros como agrotóxicos, conservantes e todas essas substâncias que as notificações, sempre em letras minúsculas, tentam nos alertar contra, só irão cobrar seu preço daqui alguns anos. Só quando for tarde demais.

Qual o verdadeiro preço da verdade? Sem nenhum esforço, e como é visto no longa, ouso dizer que é a paz de espírito. Conhecer a verdade a respeito da nossa sociedade é abdicar de noites tranquilas de sono. O filme? Apesar de não ser lá grande coisa, carrega um alerta imprescindível.

 

 

O Preço da Verdade - Dark Waters - O Ultimato 3

Avaliação: Bom

 

 

 

Trailer

 

 


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