O Gênio e o Louco (The Professor and the Madman)
Ano: 2019 Distribuição: Imagem Filmes
Estreia: 25 de Abril (Brasil)

Direção: Farhad Safinia & P.B. Sherman

Roteiro: John Boorman, Todd Komarnicki, Farhad Safinia & P.B. Sherman; baseado no livro de Simon Winchester

Duração: 124 Minutos  

Elenco: Natalie Dormer, Sean Penn, Mel Gibson

Sinopse: “O filme conta a história real de dois homens ambiciosos que tentam concluir um dos maiores projetos do mundo: a criação do Dicionário Oxford. Um deles é o Professor James Murray (Mel Gibson), que tomou a decisão de iniciar o compilado, em 1857, e o outro é Doutor W.C. Minor (Sean Penn), que contribuiu com mais de 10.000 verbetes para o dicionário estando internado em um hospício para criminosos. Os dois têm suas vidas ligadas pela loucura, genialidade e obsessão.”

 

 

 

Alexandre Baptista

O Gênio e o Louco, longa dirigido por Farhad Safinia que estreia nesta quinta, 11 de abril nos cinemas, explora os bastidores da criação do mais famoso dicionário de língua inglesa do mundo

Com exuberantes atuações de Mel Gibson e Sean Penn, o longa convence em sua história de redenção e genialidade

por Alexandre Baptista

 

Algumas tarefas e realizações só são possíveis de serem alcançadas por indivíduos fora do padrão comum. Pessoas cujos traços de personalidade destoam do socialmente aceito, deixando sempre a dúvida: seriam gênios ou loucos?

Com essa premissa em seu subtexto, o longa de Farhad Safinia explora a vida do Dr. William Chester Minor, a partir do incidente que o sentenciou ao confinamento psiquiátrico (chamado à época de “tratamento”) e de James Murray, professor autodidata que se alçou à hercúlea tarefa de realizar o Oxford English Dictionary.

O longa tem um ritmo cadenciado e até melhor do que o esperado para uma trama que gira em torno da produção acadêmica de um dicionário.

As brilhantes atuações de Mel Gibson (Murray) e Sean Penn (Dr. Minor), no contraponto entre o gênio e o louco do título – quem seria qual? – ajudam muito o longa. Na verdade, eles são a grande força motriz do filme e fazem todas as pequenas falhas passarem batidas. Também estão muito bem Natalie Dormer (a viúva Eliza Merrett), Eddie Marsan (Sr. Muncie) e Stephen Dillane (Dr. Brayne), que em sua teia de relações, estabelecem todo sustento dramático do longa que chega a ser em alguns momentos, emocionante.

A trilha sonora de Bear McCreary é bastante competente, porém não se destaca como outras realizadas pelo maestro que tem impressionado positivamente por seu senso de adequação e ousadia em trabalhos dos últimos 15 anos.

A direção de Safinia é um tanto burocrática e protocolar: cumpre seu papel de maneira competente mas não apresenta absolutamente nada de relevante a ser destacado. Problemas na produção do filme fizeram com que o longa fosse finalizado por P.B. Sherman e isso talvez tenha influenciado bastante algumas situações da direção e do roteiro.

Na trama, baseada em fatos reais, temos alguns contrapontos interessantes – o roteiro não afirma que o Dr. Minor tem de fato algum distúrbio mental até praticamente a segunda metade do longa e, ainda quando o faz, deixa pontas em aberto para interpretações. Só sabemos do verdadeiro fato no final. Sobre o professor Murray, vemos a todo momento o seu brilhantismo ser comparado à teimosia e sua obsessão à loucura.

Ainda que eu seja bastante resistente às cinebiografias – entendo que o papel do cinema é justamente o oposto ao de “retrato da realidade”, deixando para os documentários tal tarefa – O Gênio e o Louco, baseado no livro O Professor e o Louco, 2009 (The Surgeon of Crowthorne: A Tale of Murder, Madness and the Love of Words, 1998) de Simon Winchester, explora um pouco mais o lado narrativo dos acontecimentos, adequando fatos para um melhor desenrolar e alinhar com a tensão dramática. Assim, o enredo é também uma história de redenção e conhecimento, centrada na trajetória do Dr. Minor e da viúva Merrett a partir de um certo ponto. Talvez, novamente, pelos mencionados problemas da produção, que afastaram o astro Mel Gibson da conclusão das filmagens.

De forma geral, O Gênio e o Louco é um filme que vale o ingresso e deve agradar especialmente os espectadores que gostam de filmes históricos e baseados em fatos reais.

 

 

Avaliação: Bom

 

Lucas Souza

 

Com estreia marcada para 25 de abril deste ano, “O Gênio e o Louco” (The Professor and The Madman) do diretor P.B. Shemran chama atenção pelo elenco que reúne para um filme que passa longe de ser um blockbuster com história de ação. Entre os grandes atores que estrelam o filme temos Mel Gibson, Sean Penn e Natalie Dormer entre outros menos conhecidos que também entregam ótimas performances.

“O Gênio e o Louco” conta a história da vida do Professor James Murray (Mel Gibson) e de sua empreitada no trabalho de criar a primeira edição do dicionário de Inglês de Oxford. Sua vida se cruza com a do louco Dr. William Chester Minor (Sean Penn) que estava internado em um asilo para pacientes com doenças mentais. A paixão dos dois pela língua inglesa é a verdadeira força motora do filme: um pela necessidade do desafio e o outro pela necessidade de uma ocupação que o distraia de fantasmas do passado.

 


Mel Gibson e Sean Penn entregam excelentes atuações em “O Gênio e o Louco”

 

Dr. William Chester Minor (Sean Penn) e sua relação com Eliza Merrett  (Natalie Dormer) chamam demais a atenção no filme, principalmente pela atuação dos dois. A história da desgovernada vida de Minor serve como uma espécie de balanceador de ritmo para tornar o filme mais atrativo para o grande público em geral – a própria natureza do relacionamento deles funciona muito bem em tela. A atriz Jennifer Ehle (Ada Murray) também se sai muito bem no papel da esposa de James Murray passando de forma convincente a sensação de uma mulher forte  e voltada para a família.

A forma como Oxford é retratada em “O Gênio e o Louco” é também muito interessante. Eles deixam claro toda a repulsa dos estudiosos do local no que diz respeito a excentricidade de James Murray (Mel Gibson) – mesmo quando precisam dele.  As belas paisagens inglesas e o sotaque britânico e escocês carregado terminando de dar a ambientação necessária para que mergulhemos na proposta da história e na época (muito bem ambientada).

 


Mel Gibson dá vida a James Murray e suas ambições em “O Gênio e o Louco”

 

“O Gênio e o Louco” é o tipo de filme que não vai agradar a todos os públicos por não conter uma trama envolvendo ação, dominação mundial ou explosões. Na essência o filme conta a história da criação do primeiro dicionário de Oxford e é cheio de diálogos mais extensos e pequenas e sutis reviravoltas políticas dentro desse ambiente acadêmico. Não se engane com a presença de atores que costumamos ver em blockbusters : esse não é um daqueles filmes que parece calmo e, de repente, um assassino aparece. Se você estiver disposto, “O Gênio e o Louco” vai te entregar um filme cheio de boas atuações contando a história de dois homens que se tornam amigos por conta de seu amor pela língua inglesa.

 

 

Avaliação: Ótimo!

 

 

O Oxford English Dictionary, publicado pela Oxford University Press, maior acervo do mundo de informações sobre a língua inglesa, foi originalmente publicado em diversos volumes, de 1884 a 1928 e foi elaborado ao longo de 70 anos. Para mais informações sobre ele, acesse a página da Oxford. Para dicionários para estudantes de língua inglesa, clique aqui.

 

 

Trailer:

 
 
 

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