O Escolhido (1ª Temporada) 
Ano: 2019 Distribuição: Netflix
Estreia: 28 de Junho

Direção: Michel Tikhomiroff 

Roteiro: Carolina Munhóz, Raphael Draccon

Duração: 270 Minutos  

Elenco: Paloma Bernardi, Renan Tenca, Gutto Szuster, Pedro Caetano, Mariano Mattos Martins, Alli Willow

Sinopse: “Três jovens médicos são enviados a um vilarejo remoto do Pantanal para vacinar seus moradores contra uma nova mutação do vírus da Zika. Quando seus esforços para tratar a população são recusados, o trio se vê subitamente preso em uma comunidade isolada e coberta de segredos. Os residentes são devotos de um líder enigmático que diz ter o poder de curar doenças sem fazer uso da medicina. Isso os levará a confrontar a força da fé sobre a ciência.”

 

 

João Maia

Depois de atiçar as redes sociais por meses a fio, a série O Escolhido escrita por Raphael Draccon e Carolina Munhóz finalmente está disponível na netflix.

A série tem um ar de mistério com pitadas de terror ao passo que mistura três protagonistas médicos representando a ciência contra uma vila tomada pelo fanatismo religioso. E fica aqui meu comentário a parte de que um pouquinho mais de esforço da produção e teríamos cenas saídas direto de Outlast.

 

 

Mas isso está longe de ser uma crítica. Pelo contrário, a série está muito bem ambientada. Na cidade fictícia de Aguazul, os moradores são abençoados com saúde enquanto juram lealdade ao titular Escolhido, um filho enviado de Deus para trazer a salvação. Toda a dinâmica da pacata cidade é ameaçada pela chegada dos forasteiros, que não bastassem serem estranhos ao local, são adeptos da ciência. Aqui fica uma pontinha de desapontamento pela necessidade de colocar a ciência e a fé em lados tão divergentes. Qualquer pessoa, devota de qualquer fé ou não teria sérios problemas para se adaptar ao que os jovens médicos enfrentam na cidade.

A série que a princípio poderia ser confundida com mais uma das que mostraria um grupo de aventureiros desbancando um culto maligno logo mostra que suas raízes místicas estão bem plantadas, ainda que pouco delas sejam vistas. Nesta primeira temporada somos apresentados aos personagens muito mais do que qualquer outra coisa. Vemos os médicos confrontados com a possibilidade da cura milagrosa e como cada um lida com isso: Lucia se divide entre sua missão como médica e sua curiosidade, Damião passa por um processo de transformação e Enzo se deixa levar pela ambição.

Ao mesmo passo, conhecemos os principais expoentes da vila. Sob serviço direto do Escolhido e seu porta voz na vila, Mateus faz de tudo para proteger os moradores. Temos também Zulmira, uma mulher feroz em sua fé. O próprio Escolhido se mostra um personagem interessante, mergulhado em suas incertezas e atribulado sobre os fatos acontecendo ao seu redor. Diversos outros personagens contribuem para o andamento da trama, mas falar mais sobre eles poderia estragar algumas surpresas, ficando aqui o aviso de que ninguém é realmente o que parece.

 

 

Como eu mencionei antes, essa temporada foca bastante nos conflitos entre os personagens e apenas roça levemente o que pode se tornar o conflito central da segunda temporada (não sou familiarizado com a obra em que esta série é baseada): afinal, de acordo com quase toda religião, se temos um salvador, deve haver também um destruidor. A serpente, mencionada diversas vezes durante a temporada (sendo o Ouroboros parte do logo da série), faz apenas “pontas” em alguns episódios, indicando que ainda há muito para ser visto, e que grandes coisas estão por vir na segunda temporada.

Sendo um adepto da literatura de Draccon e Munhóz, confesso que aguardo ansiosamente pela próxima temporada para que mais mistérios sejam solucionados e que o lado místico (caso seja real) seja tão épico quanto a fantasia contida em seus livros.

 

 

Avaliação: Ótimo!

 

 

Trailer

 

 


Acessem nossas redes sociais e nosso link de compras da amazon

Instagram

Facebook

Amazon