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O beco do pesadelo (2021) – O Ultimato

Em 27 de Jan de 2022 4 minutos de leitura
O beco do pesadelo (2021) wall

Guillermo del Toro retorna aos cinemas em grande estilo, quatro anos após o sucesso de A forma da água.

O beco do pesadelo (2021), novo filme de Guillermo del Toro, estreia nesta quinta-feira, 27 de janeiro.

Guillermo del Toro é um diretor ímpar. Com títulos como A Espinha do Diabo (The Devil’s Backbone, 2001),  Hellboy (2004), O Labirinto do Fauno (El Labereinto del Fauno, 2006), Círculo de Fogo (Pacific Rim, 2013) entre muitos outros, sem contar seus títulos como escritor, o mexicano já provou ao mundo sua qualidade, técnica e versatilidade.

O beco do pesadelo (Nightmare Alley, 1946) é, originalmente, um livro  de William Lindsay Gresham, adaptado aos cinemas  no ano seguinte de seu lançamento em O Beco das Almas Perdidas, dirigido por Edmund Goulding. O que faz desse um filme “imperdível” ou tão cativante? É sua fidelidade ao texto original? A atuação de seu elenco? A genialidade do diretor? Continue lendo e vamos descobrir.

Índice

O beco do pesadelo – a trama

Na trama do longa acompanhamos um homem que parece estar se livrando de um cadáver ao atear fogo em uma casa. Sem dizer palavra, o personagem – interpretado por Bradley Cooper e mais tarde identifcado como Stanton Carlisle – segue por trem para qualquer destino, descendo na última parada da linha, em alguma cidade da Costa Oeste americana.

Na típica cidade, Stanton é atraída pelo circo de Clem Hoatley (Willem Dafoe) que, como a maioria dos circos, é a perfeita oportunidade para um homem com um passado obscuro “sumir”.

Ali Stan irá conhecer diversas pessoas da trupe, aprender o ofício e galgar o sucesso na medida de sua ambição, até que sua verdadeira natureza vá se revelando e os acontecimentos o levem a uma espiral de poder e perigo.

Na difícil tarefa de superar o livro do qual deriva – e sua primeira adaptação para os cinemas que, embora tenha sido um fracasso de bilheteria originalmente, é um excelente filme noirO beco do pesadelo de Guillermo del Toro acerta em fazer da narrativa algo muito próprio ao diretor, alterando partes consideráveis da trama e trazendo novos elementos que funcionam como se sempre estivessem ali.

O beco do pesadelo – o elenco

Outro dos pontos altos de O beco do pesadelo é seu elenco estrelado e impecável. Bradley Cooper no papel principal está em seu auge, um ator que não erra ou desliza por um segundo e entrega um Stanton imprevisível, inigmático e carismático, ao mesmo tempo em que é transparente, selvagem e charmoso.

O restante do elenco é deslumbrante e fica difícil eleger quem tenta roubar mais a cena: seria David Strathairn com seu prestigitador aposentado e alcoolatra Pete, cerimonioso, pomposo e elegante apesar de bêbado e decadente?

Seria Toni Collette e sua Zena, a vidente, sensual, poderosa e dona de si, também decadente mas ainda mantendo muito de seu vigor juvenil?

E nem falamos ainda de  Willem Dafoe como Clem Hoatley, o frio e inescrupuloso dono do circo; Rooney Mara como Molly Cahill, interesse amoroso de Stanton ou Cate Blanchett, a doutora Lilith Ritter e potencial adversária de Molly.

Apesar de todo esse desfile de talentos e atuações impecáveis, ainda há espaço para mais, com Ron Perlman – o Hellboy do filme de 2004 e sua continuação – como Bruno, o homem musculoso do circo; Mary Steenburgen em uma participação como a senhora Kimball e Richard Jenkins como o multimilionário Ezra Grindle.

Ufa. Sinceramente, daria pra tirar todos os atores, atrizes, principais ou coadjuvantes do Oscar e outras premiações a partir deste filme.

O beco do pesadelo – aspectos técnicos

Passando então para a parte técnica – e sei que muitos não ligam pra isso, então prometo ser breve – Guillermo del Toro mostra algumas de suas marcas registradas, com ângulos de câmera muito bem posicionados, sobreposições de imagens que indicam sentidos narrativos e uma fotografia digna, novamente, de prêmios e homenagens.

A maquiagem é excelente e os efeitos práticos ganham – como sempre – de qualquer recurso digital que seja aplicado.

O beco do pesadelo – roteiro e direção

Como já mencionamos anteriormente, del Toro não é um diretor que se deixa levar por um roteiro, história ou livro. Pelo contrário, O beco do pesadelo prova que o diretor domina, “toma posse” de uma história qualquer que seja e a converte em algo seu.

Pouco importa que o material original seja um livro já publicado, uma lenda folclórica ou uma história em quadrinhos amada por milhares de pessoas.

Guillermo “compra” a ideia. E já que a comprou, ela agora lhe pertence e assim o diretor dispoe da mesma da forma que melhor lhe convier.

Em O beco do pesadelo, del Toro cria paralelismos e estabelece um clima de tensão que deixa o espectador na beirada da cadeira para acompanhar cada lampejo da história sendo revelada. Há um sentimento crescente de ruína, colapso e maldição que se constrói de maneira orgânica, geometricamente progressiva, numa espiral de cobiça, ambição e poder que transborda gêneros e extrai do longa apenas o essencial, numa perfeita amostra da potência que existe no pulp. Suspense, terror, noir, ação, mistério… um pouco de tudo e mais um pouco com a incomparável e inconfundível assinatura: GdT.

O beco do pesadelo – conclusão

Como sempre menciono, acho incrivelmente perturbador escrever uma resenha “sem spoilers”. Sinto-me ludibriando o leitor, escrevendo e escrevendo muito, sem dizer nada. O resumo, para aqueles e aquelas que estão na dúvida se vale a pena se arriscar para ir conferir este longa nos cinemas, é apenas um e na forma de pergunta: quanto você gosta dos filmes de Guillermo del Toro?

Se sua resposta for “mais ou menos” ou “nem um pouco”, passe longe deste. Mas se você, assim como eu, é fã da maneira como o diretor apresenta suas obras, vá despreocupado(a). Este é, sem dúvida, um de seus maiores filmes.

Avaliação: Excelente!
O beco do pesadelo (2021)

Créditos:

Texto e Edição: Alexandre Baptista

Imagens: Reprodução



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