Magneto: Infame
Ano: 2017 Editora: Panini
Páginas: 140

Autor: Cullen Bunn

Arte: Javier Fernandes e Gabriel Walta

 

Sinopse: “Outrora o mais mortal e temido gênio criminoso mutante do planeta, Magneto não é mais o homem que já foi. Após se aliar a Ciclope e os X-Men, o ele se tornou um peão na guerra de outro homem. Mas agora, determinado a lutar pela sobrevivência da raça mutante em seus próprios termos, Magneto age para recuperar o que perdeu… e lembrar ao mundo por que todos devem tremer ao ouvir seu nome. ​”

Ramon Sanches

Recentemente coloquei as mãos no que considero, pelo menos até o momento, uma das melhores HQs dessa fase "Nova Marvel". Trata-se de Magneto – Infame, uma ótima leitura que vai te convencer que a maior arma de Erick Magnus Lernsher é sua mente e não o fato de manipular campos magnéticos. 

Já ao colocarmos os olhos na perfeita capa ilustrada por Paolo Rivera, observamos o tom de seriedade e o peso da mensagem passada pela imagem de Magneto com um semblante fechado a sombra do contorno de seu capacete aqui, feito de arame farpado, remetendo aos campos de concentração de Auschwitz que fizeram parte de sua infância. Excelente.

No roteiro, contamos com o competente  Cullen Bunn (Indicado ao Eisner em 2012), apresentando um Magneto mais velho e ainda sofrendo  consequências de eventos anteriores do universo Marvel, utilizando-se de  métodos investigativos (e sanguinários!) para caçar os responsáveis pelas mortes recente de  mutantes. Todo o cuidado de Cullen para respeitar o background do personagem sem deixar de nos trazer algo novo é de se louvar.

Destaque positivo para a ótima forma como o autor nos apresenta a mente do mestre  do Magnetismo pois é em sua introspecção, que  observamos seu ponto de vista e viés ideológico. A ação também não fica de fora chegando de maneira sutil e brutal, como um predador calculista, enriquecendo o "modus operandi" de nosso vilão/anti-herói.  

Outro ponto positivo, é a habilidade de  Cullen para usar frases de impacto, que aqui funcionam de forma perfeita, e eleva a qualidade da obra como um todo.  Como nessa bela reflexão sobre si mesmo:

"O meu rosto é apenas um disfarce, a pele de um cordeiro para impedir que o rebanho entre em pânico, pois sou a aterradora salvação da espécie mutante. Eu sou Magneto." Genial.

Paralelamente, em seu encalço, Magneto precisa lidar com uma gangue que assassina mutantes, com a SHIELD e com um personagem envolta em mistérios que  compartilha um passado em comum com Erick.  

Tudo isso, regado a flashbacks que tiram nosso fôlego, trazem veracidade e ao mesmo tempo sustentam o argumento do personagem.

A arte, quase preguiçosa, fica por conta de Javier Fernandes e Gabriel Walta, e até cumpre seu papel, porém ainda nos deixa com a sensação de que poderia ser melhor, no entanto a hipnose causada pelo roteiro nos condiciona a relevá-la ou simplesmente ignorá-la.

Enfim, Magneto – Infame é tudo que se pode esperar de um material voltado para os fãs, conservadores ou não. Sua maneira fluída e equilibrada nos mantém aprisionados em sua narrativa do início ao fim deste ótimo primeiro volume que compila as edições de 1 a 6 da série Magneto (2014). Aguardamos ansiosos pelas edições que completam esta ótima série do mais complexo personagem do universo mutante.  

Avaliação: Ótimo!