Judy – Muito Além do Arco-Íris (Judy)
Ano: 2019 Distribuição: Paris Filmes
Estreia: 30 de Janeiro de 2020 (Brasil)

Direção: Rupert Goold

Roteiro: Tom Edge (roteiro); baseado na peça Peter Quilter "End of the Rainbow"

Duração: 112 Minutos  

Elenco: Renée Zellweger, Jessie Buckley, Finn Wittrock, Rufus Sewell

Sinopse: A atriz e cantora Judy Garland chega em Londres para se apresentar na boate Talk of the Town em 1968. Lá, ela relembra velhas histórias com amigos e fãs e começa um romance com o músico Mickey Deans, seu futuro quinto marido.

 

Judy - Muito Além do Arco-Íris - O Ultimato 1

 

Alexandre Baptista

Judy: Renée Zellweger brilha na representação do declínio de Judy Garland

Longa de Rupert Goold faz um emocional retrato da namoradinha da América e sua triste jornada final

por Alexandre Baptista

Judy - Muito Além do Arco-Íris - O Ultimato 2

 

Mais um mês, mais uma cinebiografia. Qualquer dia faço um texto só sobre o que penso sobre esse gênero, pra evitar mencionar isso em toda crítica.

Judy Garland foi um fenômeno mundial. Mas, assim como muitas celebridades construídas a partir da infância, pagou um preço duro, pesado e triste em sua vida em função do estrelato.

Recentemente o subestimado Vox Lux (2018) de Brady Corbet tentou ser a epítome dessas trajetórias – com algum sucesso na minha opinião – de como estrelas mirins, vítimas de atentados ou quaisquer pessoas que consigam qualquer tipo de atenção da mídia são manipuladas, usadas e abusadas por “eles” – sejam “eles” empresários, empresas, corporações ou indústrias.

O longa de Rupert Goold, que estreia na próxima quinta, 30 de janeiro no Brasil, é um emocional, delicado e corajoso retrato do trecho final da vida de Judy Garland, com pequenos momentos de flashback para o início e auge de sua carreira.

Está lá, de forma sutil, a presença sufocante de Louis B. Mayer, um dos sócios da MGM; está citada a infância difícil e a origem humilde da atriz; e estão habilmente costurados nas cenas os abusos de substâncias (além dos psicológicos, claro) a que a jovem namoradinha da América foi submetida.

O roteiro não tem grandes surpresas além do recorte inteligente e do foco na real decadência da atriz. As naturais licenças poéticas também estão lá e muitos detalhes da vida real de Garland não foram exatamente daquela forma, como por exemplo seu último marido, Mickey Deans (Finn Wittrock), com quem permaneceu casada até sua morte em 1969.

A trilha sonora é repleta de clássicos que Garland interpretava e chega a ser comovente a forma como o momentum de Somewhere Over the Rainbow é construído ao longo do filme, para a apoteose final. Apesar da trilha não ser espetacular, a forma como ela é trabalhada é bastante inteligente.

O elenco é realmente o grande diferencial de Judy – Muito Além do Arco-Íris (malditos brasileiros e essa mania rídicula com subtítulos), com destaque para Rufus Sewell no papel de Sid Luft e para Renée Zellweger no papel principal. Confesso que não sou fã das caretas e expressões de Zellweger mas neste longa ela parece estar mais contida e focada na interpretação em si. É realmente possível que ela saia da premiação do Oscar este ano com uma estatueta.

Além disso tudo, a questão talvez mais pungente seja a tentativa do, com algum sucesso, em apontar mais uma vez o dedo para as situações que existem desde de sempre na indústria do cinema.

Fato é que, infelizmente, entre Lost in Hollywood do System of a Down e o uso ostensivo da #metoo em 2017, uns poucos bois de piranha foram lançados ao rio, o barco seguiu e segue navegando e as "Garlands" de 2020 seguem pagando o triste preço da fama.

 

 

Ultimato do Bacon

Avaliação: Ótimo

 

 

 

Trailer

 

 


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