por Lucas Souza

 

Gail Simone e Adriana Melo voltam a formar uma dupla para trazer ao Universo DC Renascimento o Homem-Borracha. O personagem, que estreou em 1941 nas páginas da “Quality Comics” #1, ainda não tinha tido sua origem definida nesse novo momento da editora, chegando então em uma aventura solo que restabelece o seu status quo.

A história foi originalmente publicada em “Plastic Man” #1 – #6 em 2018 finalizando em janeiro de 2019. Aqui no Brasil a Panini Comics trouxe a minissérie completa em encadernado chamado “Homem-Borracha”.


Homem-Borracha mostra toda a extensão dos seus poderes nos roteiros de Gail Simone

 

“Homem-Borracha” de Gail Simone acerta em cheio no formato da história. Ao invés de contar a típica história de origem em linha do tempo linear, ela nos apresenta a um Eel O´Brian com pinta de malandro e trambiqueiro que está descobrindo seus poderes e usando-os para acertar as contas com seu passado. A roteirista nos introduz no universo perverso e underground de O´Brian e mostra bem que seu jeito fanfarrão, bem como suas piadas, são uma forma de esconder sua insegurança e a vergonha que o personagem sente por seus atos passados. Tudo isso é feito de uma forma divertida e leve onde as expressões do Borracha são o principal indicador de seus sentimentos (rapidamente escondidos por suas atitudes engraçadinhas).

Outra grande diversão da HQ são as transformações do Homem-Borracha. Gail Simone acerta nas referências que vão desde O Senhor dos Anéis passando por Transformers e chegando a personagens da Marvel. O humor de O´Brian está no tom certo que os fãs do personagem se recordam e ele consegue ir de engraçado a irritante bem rápido – se você se pegar torcendo pelos vilões em algum momento, você não está só (o personagem lembra muito o antigo desenho do Pica-Pau, onde o personagem era beeeem irritante). A roteirista ainda acerta ao dar a ele uma relação de pai e filho com uma criança que surge logo no começo da história – o que ajuda demais a percebermos o amadurecimento do herói e sua vontade de mudar.

 


Irreverente e irritante continuam sendo características do Homem-Borracha na nova minissérie do personagem

 

Infelizmente, Gail Simone erra feio ao estabelecer a ameaça da minissérie. O que começa como um interessante mistério acaba perdendo todo o senso de urgência e a autora não soube mostrar o quanto os vilões utilizados são um grande desafio. Nesta questão, me pareceu que Simone não soube diferenciar o tom brincalhão e bobão do Homem-Borracha do tom sério de seus inimigos – e infelizmente tudo vira uma grande galhofa. É realmente uma pena pois poucas vezes vi o personagem ser abordado de forma tão íntima e divertida. Os coadjuvantes, à exceção da criança que se intitula “Príncipe Suave”, também não conseguem mostrar muito carisma e adicionam muito pouco a história.

Apesar de estabelecer o Homem-Borracha para uma nova era da DC Comics, a HQ termina não conseguindo sair do lugar comum e se destacar como uma grande leitura. Para os fãs de Eel O´Brian a minissérie funciona melhor devido ao carinho e saudade que temos de explorar mais o universo desse interessante personagem.

Para aqueles que estão conhecendo ou tendo o primeiro contato com o Homem-Borracha, a história pode dar a sensação de que ele só funciona como integrante de equipe e não passa de um fanfarrão cujas histórias não podem ser levadas a sério. Em próximas oportunidades, vale prestar mais atenção à ameaça que o roteiro se propõe a entregar e como diferenciar o tom dessa ameaça do tom caricato e brincalhão do herói.

 

 

Avaliação: Bom

 

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