Por Breno Raphael

 

Em primeiro lugar, não sou fã de megassagas. Porém, com o passar do tempo, entendi que elas são parte essencial e inevitável das editoras de super-hérois mainstream. Sim , eu sei, poucas são geniais (guerra civil, saga da fenix negra) , algumas são bastante legais (Guerras Secretas 2015, Dinastia M, A queda, Infinito), mas a grande maioria são bem decepcionantes. Logo, aprendi que a fórmula mágica para se curtir uma megassaga é apenas cobrar dela o que ela se propõe a nos fazer: diversão. Nada de esperar tema muito sério, ou ler 50 tie-eins de qualidade duvidosa só pra procurar as conexões com tudo , não .. tudo que eu quero é que a saga me divirta . E Guerra dos Reinos me divertiu bastante.

Voltando um pouco no tempo, Jason Aaron assume o run do Thor na iniciativa Marvel Now em 2012, e logo no seu primeiro arco (“carniceiro dos deuses”) chama a atenção do público e da crítica. Em 2013, no arco chamado “O amaldiçoado”, Aaron começa a plantar as sementes do que viria a ser um conflito de proporções épicas. Após cinco séries (Thor: Deus do Trovão, Thor vol:4, Thors, A Poderosa Thor e O Indigno Thor) e mais de cinco anos de um run consagrado, sua fase chega no clímax com a prometida guerra.

A história começa já com os reinos de Asgard, Alfheim, Heven,  Jotunheim,  Muspelheim, Niffleheim,  Nidavellir, Svartalfheim e Vanaheim destruidos por Malekith e seu exército. O único que restou foi Midgard. Logo, Malekith e seus aliados começam sua invasão à Terra.

“Guerra dos Reinos” é uma megassaga auto-contida, ou seja, não precisa ler tie-ins para entendê-la. Além disso, mesmo tendo várias homenagens ao seu run, Aaron não exige que o leitor tenha lido tudo desde 2012, e até algumas vezes, explica as coisas para um eventual leitor casual. Seu roteiro não é engessado ou de difícil compreensão, pelo contrário, ele facilita muito as coisas, e tenta entregar um roteiro apenas simples e divertido. Outro ponto positivo é que a saga principal do começo ao fim tem a mesma equipe criativa, ou seja, não tem trocas durante as edições, como aconteceu em outras megassagas, que incomodam o leitor , principalmente quando eram nos desenhos.

Por falar neles, o Russel Dauterman entrega desenhos belíssimos e dinâmicos, como ele já tinha feito em “A poderosa Thor”.  A fluidez e o dinamismo dos quadros estão excelentes e em perfeita combinação com as cores quentes e fortes do Matthew Wilson. Vale também mencionar as fantásticas capas do lendário Arthur Adams.

 

 

Mesmo com pontos positivos, a saga derrapa em outros. Malekith nunca foi um vilão de primeira linha da Marvel e com isso,  algumas vezes, o senso de perigo não existe, ou ele é desfeito uma ou duas páginas depois. O horror de uma guerra também não existe. É meio frustrante pensar em um guerra sem ver civis em perigo, por exemplo. Além disso, há alguns personagens que o Aaron não acerta a mão. Não sei se foi porquê ele não conseguiu dar conta do universo marvel todo, ou porquê a sua visão daqueles personagens não é uma visão habitual , enfim, reparem no homem aranha, para ter um exemplo,  como ele está, digamos, diferente. 

Porém, o Aaron mais uma vez encerra bem. Se o final do título do Thor é surpreendente, e da “Poderosa Thor” é emocionante, o final de “Guerra dos Reinos” é frenético. Aaron faz referência ao começo e ao meio de seu run,  e conclui a saga com um desfecho decente, que muda algumas coisas para os heróis, principalmente o núcleo do Thor.

Fazendo uma comparação com outras guerras, “Guerra dos Reinos” não é genial como uma “Guerra Civil”, mas passa longe de está perto de ser uma “Guerra Civil 2”. Mesmo com um roteiro que as vezes é simples até demais, e que perde o senso de perigo em determinadas situações, Aaron, na reta final de seu trabalho no Thor, entrega uma saga divertida, emocionante e frenética, com uma arte inspirada, e que faz homenagens a mitologia que já foi construída por ele nesses anos. Sem dúvidas, Aaron marcou seu nome como um dos maiores escritores da história do Deus do trovão.

E se você se divertir lendo, já é o bastante.

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Mas o Jason Aaron ainda não acabou, tá ? “King Thor” é a minissérie que fecha seu run, e como já falei aqui, ele sabe fazer finais. E soube de novo.

 

 

 

Ultimato do Bacon

Avaliação: Ótimo!

 

 

 

 

 


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