Músico, locutor e apresentador da rádio Kiss FM fala sobre influências e cenário do rock no Brasil em bate-papo exclusivo

por Alexandre Baptista

 

Na última quinta-feira, 14 de novembro, a banda paulista Hellene esteve em Curitiba, abrindo o show de Mike Portnoy, Noturnall & Edu Falaschiconfira como foi o evento aqui.

O Ultimato do Bacon aproveitou a oportunidade para entrevistar o guitarrista da banda, Paul Martins, que é também locutor e apresentador da rádio Kiss FM em São Paulo.

Confira a transcrição da entrevista abaixo ou confira em áudio aqui.

UB – E aí pessoal, eu sou Alexandre Baptista e esse é o Sobrecapa e Ultimato do Bacon. A gente tá aqui com Paul Martins que é guitarrista do Hellene e também é locutor da Kiss FM em São Paulo. Tudo bom Paul?

PM – Tudo bem, e ti?

UB – Tranquilão cara. Feliz da vida de ter visto o show de vocês abrindo aí para o Noturnall que tava aí com Edu Falaschi, Mike Portnoy, Mike Orlando agora na guitarra…

PM – Só monstro…

UB – Só monstrengo!  E me surpreendi. Não conhecia o Hellene, sendo bem sincero contigo e achei, p*, o som animal, autoral para caramba… a Bia, p* dum vocal monstruoso,

PM – é mesmo.

UB – não deixa a dever para ninguém lá de fora que a galera fica pagando pau para um monte de [vocalistas estrangeiras]… com méritos obviamente.

PM – Sim

UB – E aí eu queria que você falasse um pouquinho pra gente, o que é estar abrindo esses shows para o Noturnall e ter essa vida aí tão misturada com música em tudo né? Tendo a banda, sendo locutor de uma rádio rock, fortíssima em São Paulo e no Brasil inteiro.

PM – Eu acho que, assim, por partes… a música é muito presente na minha vida e de todos que tocam comigo também. Tá aqui é uma oportunidade incrível, né? Apesar de conhecer o Thiago, vocalista do Noturnall desde muito cedo, sou amigo há muitos anos, mas acho que tudo tem um tempo pra coisa acontecer, né? Então da mesma da mesma forma que ele é um batalhador, eu acho que todas as bandas autorais, independentes… eu nem falo mais independentes – das bandas de ascensão que a gente fala lá na rádio – são batalhadoras e a gente tem que manter vivo aí pelo menos o nosso rock nacional, ponto.

Hoje quando eu desci do palco, você foi a primeira pessoa a me cumprimentar e falar “que do caralho”. Então eu fiquei muito emocionado porque, apesar de tocar há tantos anos, o projeto é novo, a gente tem 4 anos de banda, muito novo ainda… E pra gente é muito gratificante estar aqui numa outra cidade e encontrar caras que nem você para falar, pô, adorei.

UB – Que massa. E é isso, né? No Brasil a gente tem… você falou uma coisa que é muito verdade: existem certos núcleos aí que são núcleos mais fechados e tudo mais, e estão aí. E são núcleos que estão aí e a gente sabe que é complicado contornar, é complicado atravessar, é complicado chegar…

PM – …furar a bolha!

 

Paul Martins em apresentação com o Hellene no Espaço Carmela em Curitiba, no último dia 14 de novembro. [foto: Clovis Roman/Acesso Music]

 

UB – Isso, furar a bolha. E, especialmente pro rock né? Porque o Brasil parece que é o país do funk, do samba, do pop, da mpb e o rock segue sendo aquela coisa dos monstros dos anos 80 e não sai disso. E tem gente muito boa, tocando um rock muito [bom]… E é f*da, sei lá, como público, pra mim é muito massa ouvir um som diferente, que a gente sente que tem influências… e daí eu queria te perguntar outra coisa: pro Hellene, quais são as influências que você traz na tua guitarra? Eu ouvi algumas coisinhas ali que eu pensei, cara, tem uma coisinha ali totalmente autoral, mas tem uma influenciazinha ali e eu queria saber, antes de dizer o que eu escutei, o que você puxa dos monstros da guitarra e tal.

PM – Então, sempre tem. A proposta do Hellene é fazer um som de influências nossas, primeiro. Eu acho que tem muito de Depeche Mode, Rammstein, Musa – a gente tocou um som do Muse hoje – Hallestorm que é uma banda nova, não sei se todo mundo conhece… mas também os clássicos aí do rock’n’roll mundial e do heavy metal, né? A gente já é veiaco então já vêm as influências.

Na minha guitarra… assim, p* aí… Eu me formei no IG&T em São Paulo, uma escola super tradicional há muitos anos. Então, assim, vem desde Steve Vai, Jeff Beck, Satriani… o que mais? Scott Henderson…

Nacional: Eduardo Ardanuy para mim é um ídolo, para mim um dos melhores guitarristas do mundo. Eu não acredito que ele tá aqui ainda né?

E o Kiko né?

UB – Sim, grande Kiko Loureiro. É engraçado, porque a gente é de uma época em que o Wander Taffo estava começando o IG&T e a gente não pode revelar isso porque fica sem graça.

PM – Pois é, engraçado você falar isso… assim, eu vou fazer agora… eu sempre assisti os tributos ao Wander Taffo, né, com a Fátima Taffo, que ela que organiza e que é os Busic – o Ivan e o Andria. Sempre fui no show, muito fã. Dia 30 agora eu vou fazer a guitarra do Tributo a Wander Taffo. Então para mim, assim é uma coisa fora do comum. Eu tava lá assistindo, várias vezes e hoje os caras são meus amigos e tem oportunidade de tocar eu e o Danny Tigueis  – a gente vai fazer as guitas lá, p* responsa – ir para representar uma figura como o Wander e o Ardanuy né? Então assim… responsa!

UB – Massa

PM – Dá um frio… a barriga aqui tá f*da.

UB – E agora uma pergunta em relação a rádio: como é ser um formador de opinião, um formador de público? Porque a hora em que ele tá com microfone na mão, falando todo dia, uma vez por semana ou em uma coluna, enfim. A gente se torna formador de opinião.

Como é ser um músico e ao mesmo tempo ter essa responsabilidade de ser formador de opinião na área do rock na cabeça de uma das rádios mais importantes da cena [rock’n’roll] do Brasil.

PM – Acho que é uma responsabilidade incrível. Acho que precisa ter a cabeça muito no lugar também. Acho que hoje eu também estou com 42 anos e 25 anos de rádio, então, passei por muitas rádios.

E hoje eu tô na Kiss e apresento dois programas lá. Um é o Autoral Brasil Kiss FM que é focado nas bandas autorais. E o outro que é o Kiss Club que a gente apresenta também direto do Manifesto Bar que é um bar em São Paulo.

E também sou responsável pelo marketing na rádio. Então assim, acho que eu cheguei num ponto que a gente tem uma marca muito grande, muito valiosa na mão, que representa muito rock’n’roll e que fez 18 anos no dia 13 de julho – dia mundial do rock – e é um ano de comemoração para gente. Então a gente tá num período de expansão e de pontuar a recolocação de marca.

Então, quando você abre o microfone, respondendo sua pergunta, é uma p* responsabilidade. Hoje a gente fala para 60.000 ouvintes por minuto. É muita gente, fora live!

UB – Impressionante mesmo. É muita gente. Bom, não quero tomar mais do seu tempo, a noite foi cheia… queria te agradecer muito…

PM- Eu que agradeço cara. Descer [do palco] e ouvir o que você me falou, pra mim, eu ganhei a noite. Falei isso pra você.

UB – Sim, falou. Mas fez por merecer. O som de vocês tá do c@ralh* e, vida longa à Hellene!

PM – Valeu meu velho.

 

Deixe nos comentários o que achou da entrevista e fique ligado no Ultimato do Bacon para mais notícias, matérias e entrevistas sobre música!

 

Hellene – Lost Wars

* videoclipe feito em parceria com a Acnur – Agência da ONU para Refugiados; as rendas obtidas com a venda do single são revertidas para a causa.

 

 


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