Encontros (Deux Moi)
Ano: 2019 Distribuição: Imovision
Estreia: 03 de Outubro

Direção: Cédric Klapisch

Roteiro: Cédric Klapisch, Santiago Amigorena

Duração: 110 Minutos  

Elenco: François Civil, Ana Girardot, Camille Cottin

Sinopse: Rémi (François Civil) e Mélanie (Ana Girardot) têm em torno de 30 anos e, apesar de morarem em prédios um ao lado do outro, não se conhecem. Ambos estão solteiros e enfrentam problemas pessoais: ele, devido à demissão de praticamente todos de seu antigo trabalho enquanto foi promovido para outro setor, ela sem conseguir superar o término de um longo relacionamento, cujo fim já tem um ano. Cada um à sua maneira, os dois buscam meios de lidar com o momento depressivo através das redes sociais: ele pelo Facebook, ela através do Tinder.

 

 

Alexandre Baptista

Encontros, novo longa de Cédric Klapisch, é acalentador, suave e elegante

Filme que estreia nesta quinta-feira, 03 de outubro, é um chamado à vida

por Alexandre Baptista

 

Originalmente chamado no Brasil de (Des)encontros, o novo filme de Cédric Klapisch é um elegante conto focado em um pequeno trecho da vida de Rémy Pelletier (François Civil) e Mélanie Brunet (Ana Girardot).

A mudança do título nacional foi justificada pela produtora da seguinte forma:

Cada desencontro carrega uma perda. Nessa era tecnológica, o encontro se tornou uma coisa tão rara, que quando acontece, é quase um milagre. São tantos desencontros por aí, um resultado tão triste das desconexões pessoais, que por esses e outros motivos, não queremos mais que o belo filme de Cédric Klapisch carregue esse nome. Queremos ENCONTROS! Nosso filme agora se chama ENCONTROS.
 
Já dizia Vinicius de Moraes “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.” Se a vida é a arte do ENCONTRO, é nisso que queremos nos apoiar. Marque ENCONTROS! Ligue para aquele amigo que faz tempo que você não vê, e marque um ENCONTRO. Chama aquele grupão do whatsapp pra largar as figurinhas e risadas solitárias, e marque um ENCONTRO. Sabe aquela paquera no aplicativo que tá só na enrolação? Convide para ir ao cinema, marque um ENCONTRO!
Deixe o “des” pra lá! A vida é muito curta para não estar perto de quem nos faz bem, e de quem ainda queremos encontrar.
 
MAIS ENCONTROS POR FAVOR! #encontrosnocinema

 

A ideia é positiva, mas perde muito do singelo (Des)encontros. Afinal, o longa se constrói em cima justamente dessa dicotomia da vida moderna: o ver sem enxergar, o ouvir sem escutar, ficar sem estar, os (des)encontros – que são desencontros e encontros, ao mesmo tempo, representando oportunidades perdidas que, ao final, acabam servindo de alicerce para o verdadeiro encontro…

Ainda que o título original não traga nada disso – algo como “dois eus” – o primeiro título nacional parecia acertar muito no clima e na ideia geral do filme. E pode ter certeza, o encontro em si acontece, mas não pelo motivo que a maioria tende a achar.

Falando do longa em si, Klapisch constrói de maneira elegante e delicada a jornada de cura dos protagonistas, trabalhando aos poucos as agruras da vida contemporânea que exaurem e consomem a psique humana.

O resultado físico para os personagens é que ele não consegue dormir; ela, não consegue se manter acordada. Os outros sintomas evidentes são a apatia, insegurança, cansaço, isolamento social, culpa e tantos outros sentimentos e sensações que parecem ter se proliferado de forma anormal nos últimos anos.

Com o encerramento recente do setembro amarelo, os alertas para a prevenção do suicídio têm um belo exemplo em Encontros, de como a percepção da família e amigos acerca de quem está em stress, estado depressivo ou em total depressão é, muitas vezes, equivocada e cheia de estereótipos. Ainda que o filme não aprofunde essa vertente dos fatos, é notório que tudo na vida de Rémy e Mélanie só começa a se encaixar depois que ambos buscam ajuda profissional e passam a enfrentar as questões que os afligem.

O estresse no trabalho, o fim de um relacionamento, a pressão de uma apresentação importante… tudo se mostra como bodes expiatórios para questões mais antigas e profundas. E sua solução, às vezes mais simples e libertadora do que anos de auto-imposto flagelo.

Além da importante e delicada reflexão, o longa ainda apresenta pequenos alívios cômicos, muito bem pontuados, tornando o que de outra forma seria um filme extremamente chato em algo leve e envolvente.

A qualidade da atuação da dupla principal também reforça isso e a curta participação de Pierre Niney, é hilária.

A fotografia do filme é belíssima, seja nos panoramas interessantíssimos da cidade, da fábrica ou no enquadramento do banheiro de Mélanie, do armazém de Mansour (Simon Abkarian), do consultório da psicóloga etc.

A trilha sonora é deliciosa e envolve o espectador no clima do filme, sem exageros.

Encontros é um típico exemplar do cinema francês que, ainda que apresente um filme “simples”, raramente apresenta algo sem qualidade.

Num momento em que tudo parece em constante mudança e alteração no mundo, é importante lembrar e ter coragem de enfrentar também as questões e problemas internos, de cada “eu”, de cada um.

Lembrando que até os psicólogos e psicanalistas têm suas dúvidas e questionamentos pessoais, uma ida ao cinema pode ser inclusive um apoio à terapia.

 

 

Avaliação: Ótimo

 

 

 

Trailer

 

 


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