Doctor Who – 11ª Temporada

Ano: 2018

Distribuição: BBC One

Estreia: 7 de Outubro

Diretor: Jamie Childs, Mark Tonderai, Sallie Aprahamian, Jennifer Perrott, Sallie Aprahamian, Wayne Yip

Duração: 60 min/ep

Elenco: Jodie Whittaker, Tosin Cole, Mandip Gill, Brad Walsh, Sharon D. Clarke

Sinopse: "Em uma cidade de South Yorkshire, Ryan Sinclair, Yasmin Khan e Graham O'Brien estão prestes a mudar suas vidas para sempre, uma vez que uma mulher misteriosa, incapaz de lembrar seu próprio nome, cai do céu noturno.

 

Doctor Who - 11ª Temporada - O Ultimato 1

Alexandre Baptista

Décima primeira temporada de Doctor Who revitaliza a série e se garante como uma das grandes temporadas

Jodie Whittaker impressiona como a primeira Doutora do sexo feminino sem fazer grande alarde e inaugura uma nova era para o personagem

Por Alexandre Baptista

Doctor Who - 11ª Temporada - O Ultimato 2

 

Quando Chris Chibnall, que havia sido showrunner da série derivada de Doctor WhoTorchwood (um nome que é anagrama de Doctor Who, vejam só), foi anunciado como o responsável da série nessa décima primeira temporada, já era esperado que ele tentasse repetir o clima daquele período, aclamado por muitos fãs como a melhor fase do programa televisivo.

Além disso, conforme falamos em outubro na análise do primeiro episódio, Chibnall declarou que

"Nossa intenção é que velhos fãs da série se sintam satisfeitos com essa nova temporada. Mas também, que se você nunca viu Doctor Who e esteja pretendendo começar, faça isso agora. Porque esse é o melhor ponto de partida para se entrar nesse universo."

E é exatamente isso que a temporada faz. Ela retorna o clima de Doctor Who a uma forma mais simples e direta, com aventuras semanais pouco relacionadas ao grande cânone do alienígena gallifreano, episódica e dinâmica, sem grandes preâmbulos a cada capítulo e sem necessidade de começar os episódio com “anteriormente em Doctor Who”.

Ao fã novato, realmente é um dos melhores pontos de partida para se entrar na mitologia. Recomendo veementemente a décima primeira temporada como a inicial pois ela somente pincela elementos conhecidos, ficando no “feijão-com-arroz” da Doctor como solucionadora de problemas intergalácticos, que viaja em sua T.A.R.D.I.S. ao lado de companheiros a quem proporciona as aventuras mais fantásticas ao mesmo tempo em que as coloca na linha de frente de perigos e desafios. Além disso, como a Doctor está com uma nova turma em suas viagens, os poucos elementos do cânone que aparecem na temporada (a T.A.R.D.I.S., a chave de fenda sônica etc.) são brevemente (mas não enfadonha e didaticamente) explicados, pontuando esses elementos aos novos fãs de maneira orgânica e natural.

Ao fã recorrente, a temporada realmente abusa do feeling "David Tennant e seu 10o Doutor", com aventuras de clima leve, riso fácil, dinâmica aventuresca e sem grandes mistérios canônicos e profecias, como nas temporadas do 11o Doutor de Matt Smith e, em menor escala, no 12o de Peter Capaldi.

No entanto, um pequeno ponto negativo vem justamente desta qualidade: não espere muitas referências a vilões e personagens passados da série – à exceção do especial de ano novo – sendo uma das únicas referências diretas, uma menção à U.N.I.T., uma piada genial que acaba como começou, sem efeitos maiores além do riso rápido e fácil.

Jodie Witthaker como Doctor é um dos maiores trunfos da temporada, passando por cima do fato de que é a primeira mulher, a primeira regeneração feminina que vemos da Doctor, rápida e sutilmente já no primeiro episódio, mencionando esse fato pouquíssimas vezes novamente no decorrer da temporada. Ela trata o assunto como não sendo grande coisa, um acontecimento com a mesma relevância do clima… se está frio, uso um casaco; se está calor, roupas leves; deixando uma marca irreversível na história do personagem sem fazer grande alarde sobre isso.

A décima primeira é a temporada mais heterogênea e progressista de Doctor já feita e isso pode ser percebido nas dinâmicas entre os demais personagens. Repetindo algo que escrevi para o primeiro episódio, as interações entre as figuras de Ryan Sinclair (Tosin Cole), Yasmin Khan (Mandip Gill) e Graham O'Brien (Brad Walsh) são muito bem compostas, com atuações sólidas, convincentes e que lembra a dinâmica de equipe de Torchwood. Pode-se esperar alívios cômicos, momentos sentimentais e atos de bravura vindos de qualquer um deles em momentos diferentes e a presença de todos em nada ofusca a figura central da Doctor. Um destaque especial para o nono episódio It Takes You Away e a presença de Sharon D. Clarke como Grace O’Brien: prepare-se para um dos momentos mais fortes e emocionantes da série. Mas fique atento. A sutileza da cena talvez a faça parecer uma cena qualquer caso você esteja assistindo descompromissadamente.

Por fim, vale mencionar que a trilha sonora também acerta bastante, sendo a nova versão do tema clássico de abertura a melhor de todas até hoje. A marcha inicial entra em um crescendo até que desacelera como se tivesse sido freada, congelada no tempo e entram então as três notas características tocadas por algo que lembra um theremin, retomam a marcha a toda velocidade. Clássico e atual ao mesmo tempo.

Em outubro, a nova temporada prometia ser uma das melhores em décadas. É justamente isso o que tenho a dizer hoje: apesar de pequenos detalhes que a impedem de ser “a temporada perfeita”, a décima primeira temporada é bem acima da média, como não acontecia a algum tempo.

 

Doctor Who - 11ª Temporada - O Ultimato 3

Avaliação: Ótimo!

 

 

Trailer

 

Veja o que achamos do primeiro episódio no Sobrecast

Doctor Who - 11ª Temporada - O Ultimato 4

 

 


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