por Alexandre Baptista

 

Se você procurar Meu Eterno Talvez (Always Be My Maybe, 2019) na internet, vai tomar um spoiler da melhor cena do filme. Então vai na minha, leia nossa dica de streaming de hoje e corra conferir o longa, sem procurar mais informações pela rede. Se por outro lado você achar que eu estou sendo exagerado, só não diga depois que eu não avisei.

A comédia romântica escrita por Michael Golamco, Ali Wong e Randall Park (e estrelada pelos dois últimos), estreou direto na Netflix no dia 31 de maio de 2019. Conferi a mesma por insistência do Diego Brisse e não me arrependi.

Dirigida por Nahnatchka Khan, a trama que se passa basicamente em São Francisco, traz Sasha Tran (Wong) e Marcus Kim (Park), dois amigos de infância inseparáveis que durante a adolescência acabam ficando juntos uma noite, logo após o enterro da mãe de Marcus.  O episódio faz com que a amizade desande até que os dois se reencontrem anos depois. Ele, funcionário da empresa de instalação de aparelhos de ar-condicionado do velho pai. Ela, chef badalada e de sucesso absoluto nos EUA, abrindo uma nova filial de seu restaurante em São Francisco.

Até aí, nada de novo no reino das comédias românticas. Exceto que a química entre Park e Wong é fantástica; James Saito, que interpreta o pai de Marcus, Harry, é sensacional e muito engraçado; e a direção, de maneira geral, favorece demais o timming cômico dos atores. Pode parecer absurdo, mas comédia é o que mais falta nas "comédias" românticas.

Só que, além de tudo isso, o filme é um desfile de clichês sociais e críticas a esses clichês: especialmente à gentryficação e à “hipsteria”. Como muitos sabem, São Francisco foi a capital do movimento hippie. Atualmente, a cidade sofreu com o fenômeno da gentryficação, que no Brasil recebeu um apelido ainda mais divertido, a gourmetização.

Só que na Cidade Dourada, parece que esse fenômeno bateu com mais força. Coisa de hipster que adora pagar caro pra tomar café em copo americano mal lavado. Mas que jamais tomaria o MESMO café, no MESMO copo, num boteco de verdade.

E o longa está cheio desse tipo de humor ácido, fazendo piada com um estilo de vida que é particularmente procurado entre os adultos que ainda se sentem jovens aos 50 anos de idade, ganham bem, mas parecem não saber o que fazer da vida de maneira mais profunda e concreta. E, entre os atores e atrizes de Hollywood.

De maneira geral, o filme não tem nada de espetacular. Trilha sonora competente, fotografia básica, mas bem-feita. Um filme de orçamento enxuto, que entrega um bom roteiro, boas piadas, boa dose de sentimentalidade. Merece suas três fatias de bacon tranquilamente.

Mas aí vem o tal do spoiler. Repito, se você procurar, a Netflix colocou em sua página no YouTube a cena completa – que está inclusive no finalzinho do trailer aqui abaixo. Mas não vale a pena vê-la fora do contexto do filme. Ser pego de surpresa nessa cena eleva a crítica ao estilo de vida hipster ao maior grau possível. E garante ao filme mais umas três fatias de bacon só pela moral que a cena impõe em todos os sentidos.

Meu Eterno Talvez pode parecer só uma comédia romântica. O longa a princípio te pega como quem não quer nada, sem grandes ganchos e parecendo meio genérico. Mas pode apostar que, um belo dia, do nada, ele vai voltar à sua cabeça e te fazer rir sozinho no meio da rua.

 

Meu Eterno Talvez está disponível na Netflix!

 

 

Trailer:

 

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