por Alexandre Baptista

 

A dica de streaming dessa semana é uma estreia recente da Netflix que fez algum barulho na 89a premiação da Academia, ou Oscar 2017.

Capitão Fantástico (Captain Fantastic, 2016), escrito e dirigido por Matt Ross está sob o gênero de “comédia” e “drama” na plataforma. E, obviamente, não é nem uma coisa nem outra. Capitão Fantástico é um comentário social, uma história de vida, uma “aventura da vida real”, tão bem representada que foge à classificação simplista e simplória de “gênero” cinematográfico.

Na trama, Ben Cash (Viggo Mortensen) e sua esposa Leslie (Trin Miller) decidem criar seus filhos à margem da sociedade, vivendo em uma pequena cabana nas montanhas do estado de Washington nos EUA. Fora da “rede”, a família Cash tem um sistema extremamente bem organizado de tarefas e compromissos para cada um de seus membros, incluindo horários rígidos de leitura e estudo.

No entanto, esse estilo de vida livre é posto à prova e duramente confrontado quando a família é obrigada a se inserir – mesmo que por um tempo definido e curto – novamente na sociedade ocidental.

A história em si já é cativante. No entanto a entrelinha do filme certamente irá deixar a maioria das pessoas interessada pois coloca o dedo em diversas feridas do mundo moderno. Mesmo que não acerte todas as críticas que desfia, certamente uma ou duas devem servir para criticar o estilo de vida de cada espectador.

Viggo Mortensen como o “Capitão Fantástico” do título é simplesmente exuberante e cativante. Conhecido pela dedicação que coloca no preparo dos personagens que interpreta, é visível que o ator deve ter passado alguns meses vivendo em uma cabana no meio do mato antes de filmar o longa que lhe rendeu a indicação ao Oscar de Melhor Ator naquele ano. Outros destaques vão para a pequena Shree Crooks, que faz a filha de Ben, Zaja – totalmente selvagem e instintiva; e Frank Langella, no papel de Jack, sogro de Ben – um contraponto necessário ao Capitão.

Confesso que conferi o filme com certo receio. Alguns longas com um aspecto meio indie acabam me irritando porque, apesar de não apresentar grandes coisas, fazem um burburinho absurdo e descabido. No entanto, Capitão Fantástico me surpreendeu positivamente.

Apesar de parecer estabelecer uma batalha maniqueísta entre “o sistema” e “a vida alternativa”, o longa pontua de igual maneira os excessos de cada sistema de organização humana, social etc., estabelecendo uma reflexão extremamente pertinente (especialmente na atual conjuntura de polarização política que vivemos) sobre os limites aceitáveis de ambos os lados.

Mais do que estabelecer um fácil e batido discurso panfletário, o longa convida o espectador a refletir sobre o verdadeiro valor do raciocínio crítico e como esse mesmo raciocínio crítico de nada vale isolado em um monastério ou isolado da sociedade.

Um alerta, no entanto: se você está esperando somente um passatempo, Capitão Fantástico não é o filme. Apesar de não ser um filme “cabeçudo”, que exija muita atenção e raciocínio, não é nem de longe, uma “comédia” ou “drama” banal como a categorização pode sugerir.

Bom filme e claro, Feliz Dia de Noam Chomsky.

 

Capitão Fantástico está disponível na Netflix!

 

 

Trailer:

 

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