Crime Sem Saída (21 Bridges)
Ano: 2019 Distribuição: Galeria Distribuidora
Estreia: 12 de Dezembro

Direção: Brian Kirk

Roteiro: Adam Mervis (história); Adam Mervis, Matthew Michael Carnahan (roteiro)

Duração: 99 Minutos  

Elenco: Chadwick Boseman, Sienna Miller, J.K. Simmons

Sinopse: Encarregado de encontrar uma dupla de assassinos de policiais, um polêmico detetive de Nova Iorque (Chadwick Boseman) descobre uma grande e inesperada conspiração. Com apenas algumas horas para capturar os assassinos antes que consigam desaparecer, medidas extremas são tomadas, como o bloqueio das 21 pontes que dão acesso à ilha. Mas à medida que a noite avança, ele não sabe mais se está caçando ou sendo caçado. Produzido por Anthony e Joe Russo (Vingadores: Guerra Infinita) e dirigido por Brian Kirk (Game of Thrones).
 

 

 

Alexandre Baptista

Crime Sem Saída e o excludente de ilicitude

Longa que estreia hoje, 12 de dezembro, nos cinemas trata dos bons motivos que justificam a corrupção

por Alexandre Baptista

 

Algumas pessoas dizem que a vida imita a arte. Eu discordo. Se isso fosse verdade, teríamos que admitir por exemplo, que existe corrupção dentro da polícia, o que não é o caso desta sólida instituição humana.

O longa dirigido por Brian Kirk, estrelando Chadwick Boseman no papel de Andre Davis não tem nada de novo. Extremamente fantasioso, ele conta a história de um garoto negro que perde o pai, policial, para o crime. Morto a tiros, o pai do garoto era como todos os policiais do mundo, um exemplo de dignidade e respeito.

Como bandido bom é bandido morto, o garoto cresce e segue os passos do pai, tendo uma ficha de apreensões, prisões e mortes de delinquentes alta a ponto de passar por ações disciplinares constantemente. No entanto, Andre tem como todo policial, um senso moral e ético incorrigível e cada uma de suas mortes é justificada.

As coisas mudam um pouco quando ele começa a investigar um latrocínio que envolveu a morte de vários policiais – e é aí que o filme descamba para a fantasia absurda, maluca e imaginativa – em que percebemos que “algo não se encaixa” e o espectador começa a suspeitar que talvez os policiais mortos tivessem algo a esconder, algum esquema… policiais sujos e corruptos. O que não existe no mundo real.

Vocês já podem imaginar. Num país como os EUA, onde existe a “causa provável”, algo como o excludente de ilicitude que queremos implantar aqui, a coisa funciona, bem como funcionará no nosso caso, com a nossa polícia – onde não há um caso sequer de “maçã podre”. O excludente é infalível e irá proteger nossa corporação dos malditos bandidos. Mas nesta fantasiosa produção cinematográfica, em que dentro de uma instituição idônea existem pessoas dispostas a cometer delitos em benefício próprio, os policiais usam da tal causa provável como justificativa para matar testemunhas e rivais buscando acobertar os próprios esquema e crimes. Um absurdo.

Tirando essa fantasia maluca, o filme é bastante óbvio, com reviravoltas bastante óbvias, uma direção bastante burocrática e uma trilha sonora genérica.

Salva de palmas – ou tiros – para a cena do funeral do pai de Andre no começo do filme e para o elenco que é bastante competente – especialmente o maravilhoso J.K. Simmons no papel do Capitão McKenna; Sienna Miller como a parceira imposta de Boseman; e o próprio Pantera Negra, que repete a brilhante atuação do filme da Marvel.

Para não dar nenhum spoiler, evito comentar com mais detalhes. No entanto, a conclusão do filme, mais fantasiosa ainda, nos deixa o seguinte recado: não existem fins que justifiquem os meios. Um verdadeiro absurdo.

 

*como hoje em dia o nível dos leitores tem ficado a desejar, fui orientado a deixar a seguinte nota por aqui: o texto acima contém ironia.

 

 

Avaliação: Bom

 

 

 

Trailer

 

 


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