Creed: Nascido Para Lutar (Creed)

Ano: 2015

Distribuição: Warner Bros.

Estreia: 06 de Dezembro (Brasil – CCXP)

Roteiro: Ryan Coogler (História e roteiro); Aaron Covington (roteiro); Sylvester Stallone (personagens)

Diretor: Ryan Coogler

Duração: 133 minutos

Elenco:  Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Phylicia Rashad

Sinopse: "Adonis Johnson (Michael B. Jordan) nunca conheceu o pai, Apollo Creed, que faleceu antes de seu nascimento. Ainda assim, a luta está em seu sangue e ele decide entrar no mundo das competições profissionais de boxe. Após muito insistir, Adonis consegue convencer Rocky Balboa (Sylvester Stallone) a ser seu treinador e, enquanto um luta pela glória, o outro luta pela vida.”

 

 

Alexandre Baptista

Creed ressuscita a franquia Rocky Balboa de maneira intensa, bem-feita e com grande qualidade artística

Ryan Coogler e Michael B. Jordan fazem um trabalho impressionante que resgata as origens e a verdadeira essência dos filmes de Rocky

Por Alexandre Baptista

 

Quando estreou em 2015, Creed não despertou muito interesse dos espectadores. Pouco menos de 10 anos depois de Rocky Balboa (2006), filme visto pelos fãs como redentor capítulo final da exaurida franquia de filmes do Garanhão Italiano, o longa escrito e dirigido por Ryan Coogler só chamou a atenção dos mais fieis após as positivas críticas e reações da mídia.

Talvez por isso, esse ceticismo em relação ao que poderia oferecer de substância um osso já sugado até o tutano, que só fui conferir o longa quando sua continuação, Creed II (2018) estreou em janeiro nos cinemas.

Fico feliz por ter errado. Deveria ter conferido o longa de Coogler nas telonas e confesso agora concordar com o coro de vozes que diziam: Creed foi uma das grandes injustiças do Oscar em 2016, tendo levado no entanto o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante pelo desempenho de Sylvester Stallone no mesmo ano. Merecido. Stallone desempenha o papel de tutor ou mestre mais velho e mais sábio com uma franqueza não expressa em palavras. Resgata a sinceridade do bruto, o bom selvagem, o quase parvo Rocky Balboa do primeiro filme – determinado e com bom coração, mas que não consegue articular e expressar seus sentimentos. Detalhe para a emocionante cena em que Rocky fala sobre o pedido de casamento (uma remissão ao primeiro filme singela, profunda e extremamente emocionante aos fãs da franquia).

Mas Michael B. Jordan deveria ao menos ter sido indicado. Sua entrega no papel de Adonis Johnson – filho bastardo de Apollo Creed – é emocionante e profunda. A sutileza do ator é impressionante e realista. Sua representação do personagem – um órfão bastardo, adotado pela esposa de seu famoso pai, que tem que lidar emocionalmente com o legado de alguém que não conheceu, a súbita inversão de valores de vida e a busca por si mesmo – traz alta qualidade ao longa, fazendo da trama algo bem diferente do tradicional e desgastado roteiro de superação dos filmes de Rocky Balboa.

Pelo contrário, aliado ao excelente elenco, a qualidade que o ótimo roteiro de Ryan Coogler e sua direção imprimem no longa, trazem à tona os primeiros rumos do original de 1976: uma pretensão mais artística, mais poética, retratando a realidade das classes menos abastadas de Nova York e Los Angeles; o pugilismo como saída e certeza de sucesso para aqueles que tiveram menos oportunidades mas primaram pelo aprimoramento físico.

A trilha sonora evoca em alguns momentos alguns dos temas tradicionais, mas não chega à reprodução dos mesmos, apenas incitando e evocando o saudosismo dos fãs na memória. Os novos temas têm o novo contexto como foco principal e, nesse sentido, fazem um excelente trabalho estabelecendo que, ainda que seja um filme “da franquia Balboa”, é um novo rumo, um novo começo.

A fotografia é cuidadosa e intimista, buscando dar ares de filme independente para um longa que deveria ser o renascimento de uma franquia de enorme sucesso. E talvez realmente seja. Assim como em Pantera Negra (Black Panther, 2018), Ryan Coogler tem o dom de transmitir verdade sobre os temas que aborda, de uma maneira tridimensional e esférica, com bom desenvolvimento e motivações, ao contrário das bobagens ligeiras, rasteiras, planas e rasas com que temos que conviver nos cinemas normalmente.

Creed é um filme excepcional por conseguir circular por tantos universos de maneira tão orgânica, mantendo qualidades artísticas e entregando ao mesmo tempo, um blockbuster de pugilismo, um filme intimista, um reboot de franquia e um bom entretenimento para os fãs do gênero. Ryan Coogler pode não ter ainda seu Oscar. Mas se continuar nesse ritmo, é apenas uma questão de tempo.

 

 

Avaliação: Ótimo!

 

 

Trailer

 

 


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