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Além da saúde pública e dos impactos econômicos, como a pademia de Covid19 afetou a vida de pessoas normais?

 Uma pandemia. Quando as primeiras notícias sobre um homem doente na China com um novo tipo de coronavírus apareceram em dezembro de 2019, ninguém podia imaginar o tamanho do surto que o mundo viveria apenas alguns meses depois.

Foi em 12 de março de 2020 que a Organização Mundial da Saúde – OMS anunciou a pandemia de Covid-19 com “mais de 20.000 casos confirmados e quase 1000 mortes na região europeia”.

Pouco mais de um mês depois, os números são muito maiores: 1.745.273 casos ativos, de um total de 2.661.504 casos totais. As mortes são de 185.504 para o dia 23 de abril de 2020, de acordo com a Worldometers e o Covid-19 Visualizer.

E esses números não estão considerando países onde, como o Brasil, os testes de possíveis casos não estão sendo conduzidos da maneira que a OMS aponta, gerando um grande número de casos subnotificados.

Uma pandemia falsa de acordo com um homem louco

Se a pandemia não fosse assustadora o suficiente, o povo brasileiro ainda enfrenta outro problema sério: as ilusões de um homem louco com muito poder. O presidente Jair Bolsonaro, desde o início do surto, fala repetidamente a respeito de uma trama que visa tirá-lo do cargo.

Em sua mente – e na opinião de seus apoiadores – a esquerda brasileira, a Rede Globo de Televisão, a China e o comunismo, com apoio da OMS e de outros países socialistas, forjaram a pandemia para quebrar a economia global e tirá-lo do cargo.

Essas ilusões poderiam significar apenas a paranoia de uma pessoa poderosa. Mas o problema para pessoas reais começa quando suas ações preventivas para conter a disseminação do coronavírus se tornam intencionalmente confusas e contra o senso comum básico.

Em um de seus primeiros discursos oficiais sobre o assunto, Bolsonaro se referiu a Covid-19, para aqueles que, como ele, têm “histórico de atleta” como "um resfriadinho ou uma gripezinha".

 

 

As pessoas comuns ficam sem saber o que fazer. O que pensar. Quando prefeitos e governadores tomam uma linha de ação e outros prefeitos, outros governadores e o presidente tomam ações diametralmente opostas, quem sofre são as pessoas comuns.

Zeladores, empresários, trabalhadores, professores, estudantes, advogados, motoristas, cozinheiros, donos de lojas, administradores e um grande número de outras pessoas não têm certeza se devem proteger sua saúde e permanecer em distanciamento físico ou apenas retomar a vida normal e ajudar a economia brasileira para que não caia ainda mais.

Como a pandemia mudou os números do dia-a-dia

Uma coisa que todos nós poderíamos imaginar é que alguns hábitos mudariam durante a pandemia e a reclusão social em todo o mundo.

No Brasil, o publicitário e professor Lucas Souza, especialista em comércio eletrônico, alerta sobre o declínio da publicidade e do ensino – especialmente em áreas que não podem ser traduzidas para o formato digital:

“…algo em torno de 33% menos. Tenho clientes, clínicas de estética, no centro do Rio de Janeiro, bem no “fervo”, localizados em uma área de grande circulação de pedestres, saídas de metrô, alta circulação… e, de repente, esse valor foi a zero”.

"Falando sobre o mercado carioca e brasileiro, não estamos otimistas no sentido de que os negócios on-line serão a grande saída … as pessoas têm medo; as pessoas estão se apegando a seus investimentos e coisas supérfluas estão sendo cortadas”.

 

Segundo Souza, o comércio eletrônico não é necessariamente o salvador dos negócios. A experiência no mercado de mudanças deve ser, como no físico, uma boa experiência para o cliente, já que o consumidor não retornará ou repetirá uma experiência ruim:

 

“[No Brasil], temos um grande número de pessoas fazendo sua primeira compra on-line em supermercados. Mas essas compras são positivas? O que estamos ouvindo é que a maioria não é. Datas de entrega não cumpridas, entrega de produtos errados, entrega não cumprida, reembolso e assim por diante (…) se, neste momento de pandemia, as compras on-line forem problemáticas para o consumidor (…), certamente esse consumidor retornará às compras físicas quando a pandemia terminar ”.

 

Outro dado, publicado em 31 de março de 2020 pela Slackline de Seattle, WA, EUA, aponta a mudança nas categorias de produtos mais procuradas, refletindo claramente os hábitos que as pessoas em reclusão estão modificando.

 

Como a pandemia afetou o cotidiano 1
 

Em Curitiba, um grande e tradicional shopping center anunciou o fechamento. Em 21 de abril de 2020, o Pollo Shop – estabelecido na capital do Paraná há mais de 25 anos – divulgou um comunicado com as medidas e ações para o fechamento total do empreendimento.

Os lojistas terão 30 dias para devolver seus espaços esvaziados à administração. O shopping possuía 220 lojas entre lojas de roupas, alimentos, café, papelaria e lojas de brinquedos.

O comunicado completo pode ser lido aqui:

 

COMUNICADO À IMPRENSA 

PolloShop encerra suas atividades comerciais 

O PolloShop acaba de anunciar o encerramento das suas atividades comerciais. A administração do shopping enviou um comunicado para seus lojistas para que possam se organizar e entregar suas lojas ano prazo de 30 dias. 

Os administradores do shopping informam que desde 2014 a economia brasileira vem sofrendo uma grande retração no consumo e aliada às mudanças do comportamento do consumidor, que nestes últimos anos promoveu a redução de fluxo nos shopping centers e no varejo em geral, fez com que houvesse um grande realinhamento (para baixo) dos valores de aluguéis no país. 

O PolloShop está sobre um imóvel de terceiros que, não só não aceitaram renegociar uma redução no valor na renovação do contrato, como ainda pediram aumento do aluguel do imóvel, obrigando a administração do shopping a entrar com uma ação revisional, que se arrasta na justiça há quase 3 anos. 

Neste meio tempo, a direção do empreendimento tentou várias vezes buscar entendimento para um acordo, e agora com a crise estabelecida pelo surto da COVID19 com o fechamento dos shoppings e a suspenção dos pagamentos por parte dos lojistas a administração do empreendimento ficou impossibilitada de arcar com o alto valor do aluguel do imóvel. Mais uma vez foi pedida a redução dos valores ou a opção para os proprietários do imóvel assumirem a operação do shopping para preservar o interesse dos lojistas, mesmo com prejuízo dos sócios do empreendimento, mas não houve acordo. 

Como o relacionamento com os seus lojistas sempre foi pautada pelo respeito, pela ética e principalmente pelo apoio comercial, a direção do PoloShop fechou um acordo com os empreendedores dos Shoppings Jockey Plaza, Ventura Mall, Shopping Cidade e Shopping Jardim das Américas para receber os lojistas que quiserem dar continuidade a suas operações com uma carência temporária de aluguel. 

O PolloShop surgiu como uma grande solução para os pequenos comerciantes e confeccionistas enfrentar os grandes shoppings que devido a seus custos só permitiam a operação de grandes lojas, redes de varejo e franquias de grandes marcas. Com o crescimento do e-commerce e o novo comportamento de consumo das novas gerações, o lojista de pequeno porte está sendo fortemente impactado, pois os grandes shoppings oferecem, além das compras, várias opções de passeio, lazer e entretenimento. Com isso, os pequenos lojistas e centros comerciais, voltados quase que exclusivamente para compras tendem a desaparecer. 

Com essa análise e visão de futuro, o PolloShop chegou a desenvolver um projeto de transformar parte de suas lojas em operações de gastronomia, aproveitando os recuos externos para Rua Camões e Dias da Rocha Filho na busca de modernizar seu mix e força de atração de consumidores, porém mais uma vez foram barrados pelos proprietários do imóvel, que negaram autorização para tais obras. 

Por essas atitudes unilaterais e a intransigentes por parte dos proprietários do imóvel, o PolloShop encerra suas atividades depois de 25 anos de atuação no mercado de varejo curitibano. 

Sobre o PolloShop 

Com 25 anos de operação e fazendo parte da história de tantas famílias curitibanas, o PolloShop trouxe ao mercado da capital paranaense o conceito inovador de varejo orientado por valor, e por mais de 20 anos se consolidou como um empreendimento inovador e de sucesso absoluto que faz parte da história de muitos clientes. O posicionamento de opção inteligente e prática para os clientes que buscam produtos com estilo, atitude e qualidade, aliados a preços mais baixos que os praticados em empreendimentos convencionais, conquistaram o público curitibano e renderam ao shopping importantes prêmios de vendas, marketing e publicidade ao longo dos anos. 

A inovação sempre esteve presente nas ações do empreendimento. O PolloShop foi o primeiro shopping a trazer para o interior do empreendimento a árvore solidária de Natal, onde o cliente podia retirar um cartão com as informações de uma criança carente e presenteá-la. O projeto beneficiou mais 25 mil crianças e adolescentes. Criou também o Bazar Fashion que trouxe aos clientes diversas oportunidades ao longo destes anos para que o público pudesse realizar as compras com até 70% de desconto em peças de lançamento de estação. E junto com os benefícios oferecidos aos clientes, surgiu o Stúdio PolloShop, que além dos programas temáticos, trouxeram diversos desfiles ao vivo, com looks montados com peças das lojas do shopping. E por último, a criação de um portal especial com conteúdos sobre variedades que vão desde moda à atualidades mundiais. 

O empreendimento contava com um mix de 220 lojas, distribuídas em moda feminina, masculina e infantil, acessórios, tecnologia, produtos para casa, presentes, papelaria, brinquedos, cafés e restaurantes.

 

Pelo lado positivo, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou em 16 de abril de 2020 a diminuição de acidentes de trânsito e mortes devido a reclusão social no período entre janeiro de 2020 a abril de 2020, por exemplo.

No Estado do Paraná, houve 2,5% menos mortes e 2,8% menos feridos, em comparação com o mesmo período de 2019.

 

Acidentes nas estradas do Estado do Paraná:

Jan-abr 2020:
– 115 mortes
– 1.977 feridos
– 1.792 acidentes atendidos

Jan-abr 2019:
– 118 mortes
– 2.035 feridos
– 1.809 acidentes atendidos

Dados: PRF
 

 

Como a pandemia afetou o cotidiano 2

 

 

Como a pandemia mudou a vida cotidiana

Além do enorme impacto que todos podemos perceber, há outro ainda mais profundo, que está acontecendo na vida das pessoas comuns.

Ana Paula Kawalkievicz Maceno, analista sênior de recursos humanos da Votorantim SA, mas também mãe de uma menina de 6 anos, está em casa há pelo menos 30 dias com sua filha Carolina, que teve suas aulas na escola suspensas.

Quando questionada sobre o que mudou em sua vida com a pandemia, a resposta foi direta:

“(…) tudo. Tudo. Eu sou uma pessoa elétrica… saio cedo para o trabalho, volto tarde… uma rotina completa na rua. Fico em casa à noite e nos finais de semana (…), então o principal desafio foi como organizar minha vida para começar e terminar meu dia em casa. Tem sido muito difícil (…) e emocionalmente desafiador".

 

Segundo ela, o principal problema e mudança que ela está enfrentando é como lidar com todas as suas tarefas na Votorantim – jornada de trabalho, demanda, metas – e ter uma pequena de seis anos de idade em fase escolar.

Ela precisa preparar todas as refeições e lanches com uma frequência considerável, gerenciar como manter sua filha concentrada nas tarefas da “escola em casa” e nas atividades educacionais, bem como nas atividades de lazer.

Felizmente, a empresa parece ser compreensiva com essa nova realidade:

 

“Posso garantir que a Votorantim está muito preocupada e compreensiva por termos filhos em casa e, com isso nosso compromisso com as tarefas diárias não tem sido exatamente o mesmo nessas 8 horas e meia de trabalho no escritório. As solicitações e o fluxo de trabalho ainda são os mesmos, então às vezes estendemos nosso tempo de trabalho – devido a vários intervalos que tomamos durante o dia para atender nossos filhos. (…) A chave é ser totalmente transparente com seu gestor”.

 

E esse parece ser um caminho recorrente para a maioria das empresas: ceder em alguns pontos para continuar funcionando.

A rádio Mundo Livre, com uma emissora em Curitiba, se dispôs a deixar seus jornalistas e locutores trabalharem em casa e permanecerem seguros, mesmo que isso signifique uma perda na qualidade do som. Diana Vieira, jornalista e locutora da Mundo Livre, lembra os primeiros dias da pandemia:

“Num primeiro momento, quando o Sindicato dos Radialistas lançou algumas recomendações para que os locutores trabalhassem de casa, eu fiquei um tanto incrédula (…) porque o rádio é ao vivo, você tem que estar esquentando aquele conteúdo, você tem interatividade com o público…”

 

A opção de programas gravados parecia pouco realista e impossível. A ideia de trabalhar no rádio em turnos menos movimentados parecia mais viável. Mas não muito eficaz quando se pensa em distanciamento social.

“A gente viu que era o momento de ser mais rigoroso em relação ao isolamento (…) Num primeiro momento a gente pensou na questão técnica (…) em casa, não é a mesma coisa que no estúdio (…) a gente fez então uma concessão: a gente perdeu um pouco em termos de qualidade de áudio mas fizemos isso em nome de manter a integridade dos funcionários”.

 

O que parece ser um movimento respeitoso e inteligente por parte da rádio. Os locutores usam o mesmo espaço, o espaço confinado do estúdio e, mesmo em turnos, a logística e a limpeza seriam imensas para manter essa rotação de usuários.

E, apesar da perda da qualidade do áudio, "os ouvintes nos entendem e nos parabenizam por esse movimento", diz Diana.

Como a pandemia mudou de maneira positiva

Apesar de todas as más notícias, mortes e lutas, há um sentimento recorrente de que a pandemia mudou algumas coisas para melhor.

E o principal parece ser o nosso lado humano. E mesmo as lives nas redes sociais podem ser um exemplo disso:

“Acredito que as redes sociais (…) já vinham trazendo isso [humanização] (…) esses artistas estavam mostrando seu cotidiano, que são gente como a gente, que têm os mesmos dramas cotidianos… e a pandemia intensificou isso”, diz Diana Vieira.

 

Ana Paula tem um entendimento semelhante:

“Eu acho que todos nós vamos mudar depois disso (…) agora, mais do que nunca, tenho vontade de ver minha irmã, visitá-la (…) tenho saudade das pessoas do trabalho, de estar lá, conversar olho no olho … acho que vamos sair dessa mais humildes depois de tudo isso”.

 

Outra das principais mudanças percebidas está no formato de home office:

“Acredito que algumas tendências de buscar uma vida mais sustentável, talvez elas permaneçam. E seria muito bom que permanecessem. Muitos trabalhadores poderiam há muito tempo estar fazendo home office. Será que a gente precisa mesmo estar se deslocando tantas vezes por dia?”, diz Vieira.

Maceno concorda:

“Sabemos que muitas empresas já adotam essa postura (…) [A Votorantim] já adota o home office, alguns dias da semana, para os gestores. E eles estão vendo como esse método está funcionando [para a equipe] (…) acredito que as empresas podem adotar com mais frequência o formato de home office”.

Mas Lucas Souza alerta:

“A experiência deve ser positiva. O que eu vejo é uma divisão: empresas que se adaptaram bem; e outras empresas em que esse modelo não funcionou tão bem."

 

De qualquer maneira, só saberemos quão permanentes essas mudanças serão no futuro.

A única certeza é que estes são tempos únicos e, embora devamos estar fisicamente distantes, devemos estar unidos em um objetivo global comum.

English

How the pandemic affected the day-to-day life

Besides public health and economic impacts, how the Covid19 outbreak affected the lives of normal people?

A pandemic. When the first news about a sick man in China with a new kind of the coronavirus appeared in December, 2019, nobody could imagine the size of the outbreak the world would live just a few months later.

It was on March 12, 2020 that the World Health Organization – WHO, announced the Covid19 outbreak a pandemic with “more than 20,000 confirmed cases and there have been almost 1,000 deaths in the European Region”.

A little more than one month later, the numbers are far bigger: 1,745,273 active cases of a total of 2,661,504 total cases. The deaths are of 185,504 for the April 23rd, 2020, according to Worldometers and the Covid-19 Visualizer.

And those numbers are not considering countries where, like Brazil, the tests of possible cases are not being conducted the way WHO points out and there is a vast number of under notified cases.

A fake pandemic according to a mad man

If the pandemic weren’t scary enough, Brazilian people are facing yet another serious problem: the delusions of a mad man with too much power. President Jair Bolsonaro, since the start of the outbreak, repeatedly speaks of a plot that aims to take him away from office.

In his mind – and the mind of his supporters – Brazilian left wing, Rede Globo de Televisão, China and communism, with support of WHO and other socialist countries, forged the pandemic to break the global economy and take him from office.

Those delusions could mean paranoia from a powerful person. But the problem for real people starts when his actions focusing on preventive actions for containing the spread of coronavirus are intentionally confusing and against the basic common sense.

On one of his first official speeches on the issue, Bolson referred to Covid-19, to those who, like him, have an athletic background, as “nothing more than a simple cold, a simple flu”.

Common people are left without knowing what to do. What to think. When mayors and governors take a line of action and other mayors, other governors and the president take the extreme opposite action, who suffers is the day-to-day life.

Janitors, businesspersons, workers, teachers, students, lawyers, drivers, cooks, owners of stores, administrators and a huge number of other people are not sure if they should protect their health and stay in physical distancing or just resume normal life and help Brazilian economy not to fall even further.

How the pandemic changed day-to-day numbers

One thing we all could imagine is that some habits would change in the pandemic and the reclusion people is facing all around the globe.

In Brazil, adman and teacher Lucas Souza, specialist in e-commerce, warns about the decline in advertising and teaching – especially on areas that cannot be translated to a digital form:

“… something around 33% less. I had clients from aesthetic clinics, in downtown Rio de Janeiro, a great business place, located in a high pedestrian transit area, subway exits, high circulation… and suddenly this amount [of trading] went to zero”.

“speaking about the carioca and Brazilian market, we’re not optimistic in the sense that online business will be the great exit… people are scared; people are holding to their investments and things that are superfluous are being cut”.

According to Souza, the e-commerce is not necessarily the savior of business. The experience on the shifting market should be, as in physical one, a good experience for the costumer.

The consumer will not return or repeat a bad experience:

“[In Brazil] we are having a vast number of people having their first online purchase in supermarkets. But are these purchases being positive? What we are hearing is that the majority is not. Delivery dates not being met, delivery of wrong products, delivery not fulfilled, refunds and so on (…) if, in this moment of pandemic, the online shopping is troublesome for the consumer (…), most certainly this consumer will return to physical shopping when the pandemic ends”.

Another data, posted on March 31, 2020 by Slackline from Seattle, WA in US, points out the changing in categories of products, in a clear reflection of the more indoor habits people are facing.

 

Como a pandemia afetou o cotidiano 1

 

In Curitiba, state of Parana, Brazil, a major and traditional shopping center announced there are closing doors.

On April, 21st, 2020, Pollo Shop – established on Parana capitol city more than 25 years ago – released a statement with the measures and actions for the total closing of the mall.

Shop owners will have 30 days to return their spaces emptied to the mall administration. The mall had 220 stores, from clothing, food, cafe, office and toys.

A translation of the full statement can be read here:

"PolloShop ends its commercial activities

PolloShop has just announced the end of its commercial activities. The mall's management sent a notice to its tenants so that they can organize and deliver their stores within 30 days.

The mall's administrators inform that since 2014 the Brazilian economy has been suffering a great contraction in consumption and coupled with changes in consumer behavior, which in recent years has promoted a flow reduction in shopping centers and retail in general, has meant that there was a major realignment (downward) of rental values ​​in the country.

PolloShop is on a third-party property that not only did not accept to renegotiate a reduction in the value of the renewal of the contract, but also asked for an increase in the rent of the property, forcing the mall's administration to bring a review action, which dragged on in court almost 3 years ago.

In the meantime, the management of the enterprise has tried several times to seek understanding for an agreement, and now with the crisis established by the outbreak of COVID19 with the closing of shopping malls and the suspension of payments by tenants, the management of the enterprise was unable to afford the high value of the rental of the property. Once again, a reduction in the amounts was requested or the option for the owners of the property to take over the operation of the mall in order to preserve the interest of tenants, even at the expense of the venture's partners, but there was no agreement.

As the relationship with its tenants has always been based on respect, ethics and mainly commercial support, the PolloShop management closed an agreement with the entrepreneurs of the Jockey Plaza, Ventura Mall, Shopping Cidade and Shopping Jardim das Américas malls to receive the tenants who want to continue their operations with a temporary rental grace period.

PolloShop emerged as a great solution for small retailers and clothing manufacturers to face large malls that due to their costs only allowed the operation of large stores, retail chains and franchises of major brands. With the growth of e-commerce and the new consumer behavior of the new generations, the small retailer is being strongly impacted, as the large malls offer, in addition to shopping, several options for sightseeing, leisure and entertainment. As a result, small shopkeepers and shopping centers, which focus almost exclusively on shopping, tend to disappear.

With this analysis and vision of the future, PolloShop even developed a project to transform part of its stores into gastronomy operations, taking advantage of the external setbacks to Rua Camões and Dias da Rocha Filho in the search to modernize its mix and strength of attracting consumers , but again they were stopped by the property owners, who denied authorization for such works.

Due to these unilateral and uncompromising attitudes on the part of the property owners, PolloShop ends its activities after 25 years of operation in the Curitiba retail market.

About PolloShop

With 25 years of operation and part of the history of so many families from Curitiba, PolloShop brought to the market of the capital of Paraná the innovative concept of retail oriented by value, and for more than 20 years it has consolidated itself as an innovative and absolutely successful enterprise that makes part of the history of many customers. The positioning of an intelligent and practical option for customers looking for products with style, attitude and quality, allied to lower prices than those practiced in conventional enterprises, won over Curitiba's public and earned important sales, marketing and advertising awards throughout the mall of the years.

Innovation has always been present in the company's actions. PolloShop was the first mall to bring the Christmas tree to the interior of the project, where the customer could take a card with the information of a needy child and present it. The project benefited over 25 thousand children and adolescents. It also created Bazar Fashion which brought customers several opportunities over the years so that the public could make purchases with up to 70% discount on season launch pieces. And along with the benefits offered to customers, the Stúdio PolloShop appeared, which in addition to the thematic programs, brought several live shows, with looks assembled with pieces from the mall's stores. And finally, the creation of a special portal with content on varieties ranging from fashion to world news.

The project had a mix of 220 stores, distributed in women's, men's and children's fashion, accessories, technology, home products, gifts, stationery, toys, cafes and restaurants.

 

On the bright side, Brazilian Federal traffic authority – Polícia Rodoviária Federal (PRF) registered on April 16th, 2020 the diminishment of traffic accidents and deaths due to social reclusion in the period between January 2020 – April 2020, for instance.

On Parana State, there was 2,5% less deaths and 2,8% less injured, compared to the same period of time in 2019.

Accidents on Parana State roads:

Jan-Apr 2020:

– 115 deaths

– 1.977 injured

– 1.792 accidents reported

 

Jan-Apr 2019:

– 118 deaths

– 2.035 injured

– 1.809 accidents reported

Data: PRF

 

Como a pandemia afetou o cotidiano 2

How the pandemic changed day-to-day life

Besides the huge impact we all can perceive, there is another one, yet more profound, that is happening on the lives of ordinary people.

Ana Paula Kawalkievicz Maceno, Senior Human Resources Analyst at Votorantim S.A., one of the major companies in Brazil, but also mother of a 6 years old girl, is at home office for at least 30 days now with her daughter Carolina, who got her classes at school suspended.

When asked about what changed in her life with the pandemic, the answer was straight forward:

“(…) everything. Everything. I’m a non-stop person and so I leave early for work, I return late… a complete routine outside [home]. I stay at home by night and weekends (…) so the main challenge was how to organize my life to begin and end my day at home. It’s been very difficult (…) and very emotionally challenging”.

According to her, the main problem and change she is facing is how to cope with all her work duties at Votorantim – work hours, demand, goals – and having a six-year-old at learning age. She has to prepare all the meals and snacks at a considerable frequency, manage how to keep her child focused on home school tasks and educational activities, as well as leisure ones.

Fortunately, the company seems to be comprehensive of this new reality:

“I can assure you that Votorantim is very concerned and comprehensive that we have children at home and so our commitment to the daily tasks is not exactly the same on those 8 and half hours of office work. The requests and workflow is still the same, so we sometimes extend our working time – due to several break times we take during the day to attend our children. (…) The key is to be fully transparent with management”.

And that appears to be one recurrent way for most companies: compromise to keep functioning. Mundo Livre radio, with a station in Curitiba, was willingly to let their journalists and DJs to work from home and stay safe, even if that meant a loss in sound quality.

Diana Vieira, journalist and DJ at Mundo Livre recalls the first days of the pandemic:

“At first, the radio syndication press released recommendations for the stations on how to make the radio from home office. I was in disbelief at first, because radio is live, you have to be warming up the content, you have to have interaction with the audience…”

The option of recorded programs seemed not realistic and impossible. The idea of working at the radio in less crowded shifts, seemed more feasible. But not very effective when thinking about social distancing.

“We saw it was time to be stricter with the distancing. (…) The first issue was a technical one, not everyone have a home studio (…) So we compromised the audio quality, but we did that so we could maintain the employee’s [health and] integrity”.

Which seems to be a respectful and intelligent move from the part of the station. DJs use the same space, a confined one – the studio, the speaking booth – and so even in shifts, the logistic and cleaning would be immense to maintain this rotation of users.

And despite the audio quality loss, “the listeners understand and congratulate us on that move”, says Diana.

How the pandemic changed in a positive way

Despite all the bad news, deaths and struggle, there is a recurring feeling that the pandemic changed some things for the better.

And the main thing seems to be our humane side. And even those live events on social media can be an example of that:

“I believe social media (…) was already bringing that [humanization] (…) those artists were showing they are people like us, with similar daily life drama”, says Diana Vieira.

Ana Paula has a similar understanding:

“I think we will all be changed after this (…) now, more than ever, I have this urge to see my sister, visit her (…) all the people at work, to be there, to talk eye to eye… we’ll be humbler after all this, for sure”.

Another main change perceived is on home office format:

“Some tendencies on sustainability came to… should come to stay. If you think, many workers could be in home office a long time ago… do we really need to commute every day to work?”, says Vieira.

Maceno agrees:

“We know many companies already adopts this scenario (…) [Votorantim] already adopts the home office, a few days in the week, for managers. And they are seeing how this method is working [for staff] (…) I believe the companies may adopt more often the home office format”.

But Lucas Souza warns:

“The experience must be positive. What I’ve seen is a division: companies that adapted well; and other companies where this model didn’t work so well.”

 

Either way, we’ll only know how permanent those changes will be in the future.

The only certainty is that these are unique times and even though we must be physically distant, we should be united in a common global goal.

Capstone

How the pandemic affected the day-to-day life

When the first news about a sick man in China appeared in December, 2019, nobody could imagine global pandemic just a few months later. Nor the changes in our daily habits.

Adman and teacher Lucas Souza, specialist in e-commerce, warns about the decline in advertising and teaching, “something around 33% less”, he says, especially on areas that cannot be translated to a digital form.

According to him, even clients located on high circulation area in Rio de Janeiro – a perfect business spot – have seen their trade fall: “…suddenly this amount [of trading] went to zero”.

He says the e-commerce is not necessarily the savior of business and the shifting market should provide, as in physical one, a good experience for the costumer:

“…a vast number of people are having their first online purchase in supermarkets. But are these purchases being positive? (…) if, in this moment of pandemic, the online shopping is troublesome for the consumer (…), most certainly this consumer will return to physical shopping when the pandemic ends”.

On March 31, 2020, Slackline pointed out the changes in consumption:

 

Como a pandemia afetou o cotidiano 1

 

How the pandemic changed day-to-day life

Besides the huge impact we all can perceive, there is another one, yet more profound, that is happening on the lives of ordinary people.

Ana Paula Kawalkievicz Maceno, Senior Human Resources Analyst at Votorantim S.A., one of the major companies in Brazil, but also mother of a 6 years old girl, is at home office for at least 30 days now with her daughter Carolina, who got her classes at school suspended.

When asked about what changed in her life with the pandemic, the answer was straight forward:

“(…) everything. (..) I [used to] leave early for work, I return late (…) so the main challenge was how to organize my life to begin and end my day at home. It’s been very difficult (…) and very emotionally challenging”.

According to her, the main change is how to cope with all her work duties at Votorantim and having a six-year-old at learning age. She has to prepare all the meals and snacks at a considerable frequency, manage how to keep her child focused on home school tasks and educational activities, as well as leisure ones. Fortunately, the company seems to be comprehensive of this new reality:

“Votorantim is very concerned and comprehensive that we have children at home (…) The key is to be fully transparent with management”.

And that appears to be one recurrent way for most companies: compromise to keep functioning.

Mundo Livre radio, with a station in Curitiba, was willingly to let their journalists and DJs to work from home and stay safe, even if that meant a loss in sound quality. Diana Vieira, journalist and DJ at Mundo Livre recalls the first days of the pandemic:

“(…) I was in disbelief at first, because radio is live (…) you have to have interaction with the audience…”

The option of recorded programs seemed not realistic and impossible. The idea of working at the radio in less crowded shifts, seemed more feasible. But not very effective when thinking about social distancing.

“We saw it was time to be stricter with the distancing. (…) The first issue was a technical one, not everyone had a home studio (…) So we compromised the audio quality, but we did that so we could maintain the employee’s [health and] integrity”.

Which seems to be a respectful and intelligent move from the part of the station. DJs use the same space, a confined one, and so even in shifts, the logistic and cleaning would be immense to maintain this rotation of users.

And despite the audio quality loss, “the listeners understand and congratulate us on that move”, says Diana.

How the pandemic changed in a positive way

Despite all the bad news, deaths and struggle, there is a recurring feeling that the pandemic changed some things for the better.

And the main thing seems to be our humane side. And even those live events on social media can be an example of that:

“I believe social media (…) was already bringing that [humanization] (…) those artists were showing they are people like us, with similar daily life drama”, says Diana Vieira.

Ana Paula has a similar understanding:

“I think we will all be changed after this (…) now, more than ever, I have this urge to see my sister, visit her (…) all the people at work, to be there, to talk eye to eye… we’ll be humbler after all this, for sure”.

Another main change perceived is on home office format:

“…if you think, many workers could be in home office a long time ago… do we really need to commute every day to work?”, says Vieira.

Maceno agrees:

“[Votorantim] already adopts the home office for managers. And they are seeing how this method is working. I believe the companies may adopt it more often”.

Either way, we’ll only know how permanent those changes will be in the future.

The only certainty is that these are unique times and even though we must be physically distant, we should be united in a common global goal.

Confira o audio das entrevistas completas (portuguese only):

 


Créditos:

Texto e Edição: Alexandre Baptista
Imagens: Reprodução