Enquanto cineastas se atacam para definir o que é cinema, grupo Cinépolis inaugura projeto ambicioso que pretende formar público e aproximar o cinema de arte e os blockbusters

por Alexandre Baptista

 

Na última quarta-feira, 30 de outubro em Curitiba, em um evento para jornalistas e empresários, o grupo Cinépolis inaugurou a primeira Sala de Arte do Brasil, projeto pioneiro que deve abrir caminho para outras praças como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Além disso, o evento também contou com a ampliação para o dobro do número de salas VIP com poltronas lounge no complexo existente no shopping Pátio Batel.

Maior operadora de cinemas da América Latina e segunda maior do mundo em ingressos vendidos, a Cinépolis apresentou a sala 07 do complexo como a primeira Sala de Arte no Brasil, com uma programação exclusiva de filmes indicados e celebrados nos festivais e premiações da sétima arte no mundo todo, além da presença dos grandes clássicos do cinema.

Com 54 lugares, a sala pretende ser um espaço permanente com cerca de 4 sessões diárias e 2 títulos em cartaz.

“A Cinépolis traz a Curitiba, uma cidade que respira cultura, a Primeira Sala de Arte do Brasil. Somos referência em incentivo ao cinema de arte e a inauguração desta sala não poderia nos deixar mais felizes. Além disso, estamos entregando um complexo ainda mais moderno com três novas salas, incluindo duas VIP com Poltronas Lounge, reforçando nossa qualidade e diferencial no serviço para nossos clientes”, afirma Luiz Gonzaga de Luca, presidente da Cinépolis Brasil.

 

“Ter a primeira Sala de Arte do Brasil instalada no cinema do Pátio Batel é algo muito valioso para nós, a arte em todas as suas vertentes está presente no DNA do Shopping. Podemos ver arte ao longo de nossos corredores, na mostra permanente de nosso acervo de obras, e agora no conforto da Sala de Arte da Cinépolis”, diz Fernando Bonamico, superintendente do Pátio Batel.

 

O Ultimato do Bacon entrevistou Luiza Honda, curadora da Sala de Arte Cinépolis e Luiz Gonzaga de Luca sobre o projeto:

 

UB – Luiza, qual é a proposta da Sala de Arte? Obviamente que, começando com A Vida Invisível neste evento, a gente já tem uma certa ideia do que vocês pretendem com a curadoria desta sala…

Luiza Honda – Na verdade não começa com A Vida Invisível, que estreia só no dia 21 de novembro. Mas já temos a programação fechada para o próximo mês e a proposta da Sala de Arte é basicamente oferecer o mesmo serviço de excelência que a Cinépolis oferece para os filmes comerciais, só que voltado para os filmes autorais. A Cinépolis presa muito a experiência do espectador, como podemos ver, por exemplo, nas salas VIP. E a verdade é que o público também gosta de assistir filmes de arte; não é porque estamos falando de um público A, B ou C que eles gostam de assistir só blockbusters. É um público que também gosta de ver filmes de arte. Então, por que não oferecer os dois?  

A programação e a curadoria da Sala de Arte é feita pensando no máximo diversidade que a gente puder abranger. Normalmente em multiplexes, em salas de cinema gigantes, a gente passa um filme comercialzão inteiro numa sala. O nome disso é programação full.

A questão da Sala de Arte, apesar de ser uma sala só, [é que] a gente quer que ela seja a mais diversa possível. Então serão sempre dois filmes passando, independentemente da semana, com duas sessões cada, pra oferecer diversidade. A curadoria também é pensada na diversidade de diretores, homens e mulheres, classe social de quem dirigiu… porque infelizmente o cinema de arte também tende a ser algo elitizado, masculinizado, e queremos dar espaço e destaque também para produções com menos espaço normalmente.

Curiosamente, nesta primeira leva de filmes, todos são concorrentes a uma vaga na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Mas não podemos iniciar um projeto como a Sala de Arte e exibir somente filmes norte-americanos; então estamos pegando filmes de todo o mundo: tem filme argelino, sul-coreano, brasileiro, mexicano, argentino… justamente nesta busca pela diversidade, no número de sessões, na escolha dos filmes e suas origens.

UB – E qual é a expectativa de retorno do público em relação a isso?

Luiza Honda –  Nós sabemos que vai ser necessário acostumar os espectadores com este tipo de filme. É também um trabalho de formação de público, um trabalho de formiguinha mesmo, água mole em pedra dura… Sabemos que não vai ser um sucesso estrondoso de início, mas é uma aposta da Cinépolis, focando e planejando fortemente com este objetivo da formação de público. A ideia é fecharmos 2020 com mais 25 Salas de Arte.

UB – Em relação ao cinema nacional, existe alguma pretensão sobre a quantidade de filmes ou de aposta de público?

Luiza Honda – Não temos pretensão de favorecer o cinema nacional só por serem filmes nacionais, por exemplo. Filmes comerciais como Chorar de Rir (2019) ou a franquia De Pernas Pro Ar (2010 – 2019) não compõem o perfil da sala. Mas não temos nenhuma censura quanto a filmes brasileiros. Caso tenhamos exemplares interessantes, como por exemplo, Bacurau (2019) ou A Vida Invisível (2019), certamente abriremos espaço.

Uma coisa interessante que estamos vivendo agora, apesar de ser um momento muito, muito difícil para o cinema nacional, é esse boom do cinema de autor. Estamos vivendo e vendo as pessoas fazendo e experimentando o cinema de um jeito muito potente. É reflexo direto de que esse público existe; existe gente interessada; e a gente tem que fomentar isso de alguma forma. Sejam filmes brasileiros ou de qualquer outro lugar [que tenham esse perfil], a gente vai tentar [incluir na programação da Sala de Arte] de qualquer forma.

Vamos ter que escolher os títulos de maneira cirúrgica – até porque serão somente dois filmes por semana, em uma sala só – então teremos bastante cuidado na escolha, mas na medida do possível, queremos abraçar o máximo possível pra contemplar essa grande diversidade do cinema.

UB – Gonzaga, você mencionou que o cinema de arte é considerado, pelo circuito exibidor, como um cinema marginal, relegado a salas com menor capacidade e, geralmente, uma pior qualidade de som e projeção de imagem. A gente entende que a procura da população por este tipo de filme é sempre abaixo da procura por blockbusters. Considerando que a Cinépolis em Curitiba representa cinemas de luxo, imagina-se que seria necessário, por parte de vocês, bancar, pelo menos por um tempo, essa aposta no projeto, em filmes de arte; é parte da estratégia tentar formar a população a respeito da qualidade do cinema de arte – que é tanto quanto, em muitos quesitos até maior – que a do "cinema pipoca"? Parte da estratégia seria apresentar o cinema de arte como um cinema de "luxo"?

Luiz Gonzaga de Luca – Olha, seu questionamento tem diversos lados. O primeiro deles é que se criou uma imagem de que a Cinépolis representa cinemas de luxo. Sem dúvida alguma, nós temos complexos como o do JK em São Paulo, ou aqui no Pátio Batel, ainda mais configurados como cinemas de luxo.

Mas considere que estamos em um shopping de luxo. Eu preciso atender bem esse cliente. A Cinépolis foca em experiência. Pra você ter um exemplo, eu proibi, nos nossos escritórios, que colocassem cartazes de filmes. Isso porque nosso negócio não é o filme… isso é com o produtor e o distribuidor. Meu problema é propiciar ao espectador a melhor experiência possível, seja a garotada que quer ser chacoalhada no 4D – vocês não sabem o que eu ouço de pessoas que acham o 4D horrível, que saíram de lá tontos… e ao mesmo tempo de pessoas que já querem saber quando será o próximo; eu mesmo assisti um filme em 4D e saí de lá parecendo que tinha apanhado, fui chacoalhado por todo lado.

Mas existe um público que é ávido pelo 4D, assim como existe um público que é ávido pelo IMAX, um público que gosta de ser atendido antes do filme, que gosta de poltronas lounge

Veja esse exemplo, existem pessoas que já não se contentam com a poltrona VIP e exigem uma poltrona lounge, ainda mais confortável e espaçosa. Eu sou obrigado a oferecer para cada público a melhor experiência.

 

 

Sala VIP, com poltronas lounge em primeiro plano: ainda mais conforto nas novas salas Cinépolis do Pátio Batel.

 

Luiz Gonzaga de Luca – Mas inversamente ao que se pensa, o maior circuito de cinemas populares no Brasil é o da Cinépolis. Embora tenhamos sido a última empresa a entrar nesse mercado no Brasil, com apenas 10 anos de atividade, nós estamos em Itaquera, Itaquaquecetuba e Carapicuíba em São Paulo… se você arrolar os 10 lugares mais violentos do Brasil, sem dúvidas nós estaremos em 4 ou 5 deles. Estamos na parte mais violenta de Fortaleza, estamos no Shopping Moxuara, em Cariacica na Grande Vila Velha, um dos lugares mais violentos do Brasil. Falando de perfil sócio-cultural, no Pernambuco, nós estamos em Guararapes e Olinda, e não estamos em Recife. São dois lugares muito pobres.

Ou seja, não estamos preocupados com a questão do espectro social. Nós temos que oferecer a melhor experiência para aquele espectador. E sem dúvida alguma nós iremos bancar [a Sala de Arte].

Para formar público, eu vou ter que bancar a mesa. E existem diversas outras salas [com filmes comerciais] para bancar isso. No caso específico daqui, do shopping Pátio Batel, temos um parceiro que está disposto a ter menos rendimentos para oferecer um serviço melhor e mais completo.

Então, sem dúvida alguma, é uma preocupação nossa, mas também dos parceiros – como por exemplo o grupo Iguatemi – que também se importam com a formação de público, que questionam sempre a disponibilidade de filmes somente dublados ou somente legendados, questionam se não passamos tal e tal filme. Então existe essa questão da parceria. E existe investimento. E existe investimento também do shopping que está deixando de ter receita.

Sem dúvida alguma a formação de público é o futuro da sala de cinema. Senão as pessoas vão estar olhando o celular e os conteúdos alternativos.

UB – Eu gostaria de agradecer, não como jornalista, mas como público, pois sabemos que esta é uma questão premente não só no Brasil, mas no mundo. Temos os maiores diretores da atualidade discutindo essa questão do blockbuster contra o cinema de arte e, enfim, é uma questão complexa demais. Um projeto como esse tende a revigorar o mercado e a produção como um todo.

Luiz Gonzaga de Luca – Eu vou complementar o que você está falando, porque tem uma coisa… nós temos filmes que só foram exibidos em Fortaleza, em Natal, em João Pessoa, em Recife, porque foi feito lá, existe um grande público pra lá. Então tem essa questão da regionalização também. A formação do público tende a quebrar essa barreira, através do ganho de cultura, conhecimento e educação.


Além desse inovador projeto, que busca aproximar o "cinema pipoca" e o "cinema café" e formar um público aberto ao cinema como um todo, a Cinépolis também renovou o espaço de seu complexo no Pátio Batel.

A sala 01, anteriormente uma sala 4DX e a sala 02, anteriormente sala Macro XE, foram convertidas em salas VIP. Com um total de 112 lugares cada, tecnologia 3D e projeção digital, as salas têm formato stadium, poltronas de couro com comando elétrico totalmente reclináveis, braços removíveis – transformando o par de poltronas em namoradeiras – e som digital 7.1 Surround. O destaque fica para as duas fileiras de poltronas lounge, ainda mais largas, confortáveis e totalmente reclináveis e carregores USB.

Outro grande diferencial da sala VIP é atendimento nas poltronas, em que os clientes podem ser servidos até o início do filme, solicitando quaisquer serviços da bombonière. O cardápio é variado e inclui Boneless Chicken Tenders, Mini Hamburguer Sliders, Mini Hot Dog com Batata Smiles, Crepes, sanduíche de pernil e churros gourmet.

 

Sanduíche de pernil e cinema: que horas acaba o expediente mesmo?

 

Já a sala 08, antiga sala VIP, foi convertida em 4DX, com uma tela de cerca de 67m2. Na 4DX as poltronas se movimentam sincronizadas com a ação do filme, além de possuir efeitos de vento, luz, névoa, cheiros e água. A nova sala, no entanto, tem um design mais moderno e 80 lugares.

 

Cinépolis Shopping Pátio Batel

Endereço: Av. do Batel, 1868 – Batel, Curitiba – PR, 80420-090

Ingressos a venda em www.cinepolis.com.br

 

Cinépolis Brasil

A Cinépolis é a maior operadora de cinemas da América Latina e segunda maior do mundo em ingressos vendidos, com um total de 738 cinemas, 5.941 salas 100% digitais, em quinze países.

Desde sua chegada ao Brasil em 2010, é a rede com maior crescimento no mercado. Atualmente, opera 57 cinemas em todo o Brasil com 422 salas, com marcas destaque como Macro XE, IMAX, 4DX, VIP e Junior.

A Cinépolis é a maior operadora de salas VIP do mundo e, no Brasil, foi a pioneira na implantação da tecnologia 4DX – que permite o movimento das poltronas e gera mais de 20 efeitos especiais sincronizados com o filme.

Em 2019 e 2017, foi eleita a Melhor Sala Premium de São Paulo pelo guia Divirta-se. Em 2018, pela terceira vez, o Cinépolis JK Iguatemi foi eleito pelo Guia da Folha como o melhor cinema da cidade de São Paulo (2015, 2017 e 2018) e sua sala IMAX foi apontada como a melhor sala individual do circuito. Em 2016 e 2017, a rede Cinépolis ficou em 1º lugar no Prêmio Estadão Melhores Serviços, na categoria redes de cinema.

A constante inovação e o bom desempenho são reconhecidos com diversos prêmios, dentre eles: Melhor Exibidor por quatro anos consecutivos (2011, 2012, 2013 e 2014), concedido no Prêmio ED (Exibição & Distribuição), realizado pelo Sindicato das Empresas Exibidoras do Estado de São Paulo.

 

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