Por Lucas Souza

A HBO pode comemorar mais um grande acerto para seu canal. “Chernobyl” é uma das produções mais impecáveis que tive o prazer de ver e consegue contar uma história extremamente complexa em cinco episódios que beiram a perfeição. O maior mérito da minissérie é conseguir explicar os eventos que levaram ao acidente de forma pouco romântica e bem prática. É perceptível que a série quer que nós saibamos os detalhes do ocorrido e o último dos cinco episódios deixa isso ainda mais evidente nas cenas que se passam no tribunal.

“Chernobyl” da HBO possui cinco episódios com quase uma hora cada um. Acompanhamos a história do cientista Valery Legasov (Jared Harris) que faz de tudo para descobrir a causa do acidente e minimizar os efeitos do ocorrido na população da antiga URSS. Ele é acompanhado pela personagem fictícia Ulana Khomyuk (Emily Watson) que foi criada para homenagear e representar todos os físicos que ajudaram Legasov. Outro personagem de destaque é o vice-presidente do Conselho de Ministros Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård) que passa por uma interessante transformação durante o seriado.

 

“Chernobyl” traz uma sensação de claustrofobia e desespero em seus primeiros episódios

 

“Chernobyl” começa muito bem ao mostrar o triste fim de Valery Legasov (Jared Harris) e depois voltar no tempo para explicar tudo que havia acontecido. O primeiro episódio é alucinante e traz os momentos do acidente e começa a mostrar suas consequências – que só se intensificam no decorrer dos episódios. Dado o nível da produção, confesso que esperava uma excelente abertura – o que eu não esperava é que eles fossem conseguir manter o nível da série após o acidente. As partes mais burocráticas relacionadas ao acidente, antes ou pós, são tratados de uma forma que faz com que não percamos o interesse. Depois de ver toda a dor e perda causada pela radiação é impossível não ficar ansioso para saber o que levou a tudo aquilo.

Mas nem só da busca pelos motivos do acidente vive “Chernobyl” da HBO. Uma das histórias mais interessantes é da jovem Lyudmilla Ignatenko (Jessie Buckley) que, contra todas as recomendações, acompanha seu marido bombeiro e seus companheiros em todo o trajeto deles após serem os primeiros a atenderem o chamado na Usina. Além de Lyudmilla temos outros personagens que têm suas vidas completamente modificadas pelo acidente – essas histórias ajudam a dar um balanço a narrativa principal e a tangibilizar os efeitos da tragédia.

 

Os momentos mais tristes de “Chernobyl” se passam com Lyudmilla (Jessie Buckley) acompanhando seu marido no hospital

 

Além da produção impecável, “Chernobyl” da HBO ainda se destaca pelas atuações que são muito boas em todos os níveis. Os diálogos dentro do hospital, sejam as entrevistas de Ulana Khomyuk (Emily Watson) ou as conversas de Lyudmilla (Jessie Buckley), são incrivelmente reais e é possível se sentir angustiado por elas tendo em vista que já sabemos o destino cruel de boa parte daqueles personagens.

Dentro de todos os personagens da série, o mais fascinante talvez seja Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård). O personagem, apresentado como mais um burocrata da URSS, se mostra muito mais do que isso conforme começa a entender a real natureza do acidente e se mostra um grande aliado de Valery Legasov (Jared Harris) no combate às consequências do desastre. Ele se torna interessante por ser o único personagem que apresenta uma mudança de comportamento e raciocínio real na série e vai de burocrata rígido e aparentemente insensível a um amigo de Legasov – Stellan Skarsgård dá alma a essa mudança e faz o processo todo parecer bem crível.

 

Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård) é um dos personagens mais complexos de “Chernobyl” da HBO

 

“Chernobyl” da HBO entrega uma série fantástica que possui cenas extremamente bem produzidas e tem o bom senso de não tentar transformar a tragédia nuclear em um espetáculo de fogos de artifício. O foco da série está muito mais nas consequências da explosão do reator da usina de Chernobyl do que em qualquer outra coisa. A série soube balancear bem os diálogos de forma que eles fossem interessantes até para quem não está acostumado com séries mais políticas – foi um grande acerto mostrar como o evento afetou a população pois isso criou uma necessidade de vermos como o problema se originou (o que a série entrega brilhantemente no seu último episódio). Valery Legasov (Jared Harris), Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård) e Ulana Khomyuk (Emily Watson) são os fios condutores da série e são indispensáveis para evolução da história. Um grande acerto da HBO.

 

 

Avaliação: Excelente

 


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