Cemitério Maldito (Pet Sematary)
Ano: 2019 Distribuição: Paramount Pictures
Estreia: 09 de Maio (Brasil)

Direção: Kevin Kölsch, Dennis Widmyer

Roteiro: Stephen King (baseado no livro de); Matt Greenberg (história); Jeff Buhler (roteiro) 

Duração: 101 Minutos  

Elenco: Jason Clarke, Amy Seimetz, John Lithgow, Jeté Laurence

Sinopse: “Uma família se muda para uma nova casa, localizada nos arredores de um antigo cemitério amaldiçoado, usado para enterrar animais de estimação, mas que já foi usado para sepultamento de indígenas. Algumas coisas estranhas começam a acontecer, transformando a vida cotidiana dos moradores em um pesadelo.”

 

 

Alexandre Baptista

Cemitério Maldito é um longa corajoso, bem feito e à altura da obra de Stephen King

Assim como outras boas adaptações de obras literárias, filme que estreia amanhã, 09 de maio, é fiel ao livro, mas nem tanto

por Alexandre Baptista

 

O grande problema com adaptações literárias (ou de qualquer outro suporte) para os cinemas é a transposição de medium. A palavra, com origem no latim, significa “meio”; o sentido em que usamos é de “suporte”, “forma”, o meio pelo qual um determinado conteúdo chega ao público. Assim, temos as diferentes media ou mídia de forma geral, compondo as grandes e as pequenas artes.

Baita abertura de texto bonita pra dizer basicamente que: música é música; texto é texto; quadrinho é quadrinho e assim vai até chegarmos ao cinema. Parece óbvio, mas até diretores experientes como Chris Columbus falharam em perceber que, em muitos casos, o que funciona em um lugar, não funciona em outro. O filme de Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Philosopher’s Stone, 2001), adaptação quase literal da obra homônima de J.K. Rowling que o diga.

É por esse motivo que as maiores adaptações de livros e quadrinhos para o cinema, as melhores e mais respeitadas pelo público, são filmes que divergem (às vezes, bastante) das obras originais: a trilogia de O Senhor dos Anéis (2001 – 2003) de Peter Jackson; Watchmen (2009) de Zack Snyder; O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972) de Francis Ford Coppola; entre outros. São novas obras em que seus diretores e roteiristas perceberam trechos, cenas e até mesmo personagens que, no cinema, não acrescentariam da mesma forma que em suas contrapartes literárias, atrasando o ritmo, não tendo a mesma força e impacto.

Nesse sentido, a nova adaptação de Cemitério Maldito, baseada no livro homônimo de Stephen King (que já havia ganhado uma adaptação em 1989 nas mãos de Mary Lambert) é bastante corajosa e altera tudo o que precisa para ganhar ritmo, tensão e desenvolvimento, detalhes que, na clássica versão anterior, falhavam em alguns momentos.

Jud Crandall, por exemplo, tem mais destaque no filme atual e a mudança na morte das crianças – mostrada no trailer – acaba sendo significativa no final. Apesar de bastante similar à versão de 89, o novo longa atualiza o conto com sucesso e estabelece uma tensão bastante interessante ao longo de todo o filme.

As atuações, especialmente a de Jeté Laurence como a pequena Ellie Creed, estão bastante convincentes e dramáticas. A direção é competente e funciona excepcionalmente bem considerando o background dos diretores. A fotografia é de bastante qualidade e os visuais são verdadeiramente sombrios e, ao mesmo tempo, realistas, transmitindo a sensação de se estar em uma pequena cidade do Maine.

Aos fãs de Stephen King, ela não faz, como na versão original, uma ponta como padre… mas esperem pequenas referências divertidas nos detalhes do filme.

A trilha sonora é bastante razoável mas a versão da música original dos Ramones, Pet Sematary, gravada pela banda Starcrawler, é mais fraca que café de restaurante americano: uma emulação de punk puxando para uma imitação barata de Hole, só que sanitizada, higienizada com álcool gel e formatada para agradar o gosto da geração mimimi. É um detalhe, que aparece somente nos créditos finais do filme mas que levanta muitas dúvidas acerca de outras escolhas do longa.

De qualquer forma, o roteiro do filme segue sendo o grande ponto alto, em seu questionamento profundo sobre a perda e a culpa, mascaradas sob o etéreo verniz do pós-vida, das maldições e do terror.

Diversão garantida pra quem é fã do gênero.

 

 

Avaliação: Bom

Lucas Souza

“Cemitério Maldito” (Pet Sematary) dos diretores Kevin Kolsch e Dennis Widmyer chega aos cinemas com a difícil missão de ser o segundo longa (o primeiro é de 1989) a adaptar a obra homônima de Stephen King.

A maior dificuldade de filmes que se utilizam de crianças como elemento de terror é conseguir fazer com que os atores mirins sejam verdadeiramente assustadores e passem as sensações que o roteiro precisa. Jeté Laurence interpreta a pequena Ellie Creed e consegue entregar uma performance convincente e assustadora.

Um dos primeiros elementos que atrapalha em um filme de terror é a atuação. Mais do que em filmes de outros gêneros, precisamos nos sentir conectados com as emoções assustadoras que os personagens estão sentindo e suas reações precisam ser humanas e próximas ao entendimento dos espectadores. Jason Clarke interpreta o grande catalisador dos eventos do filme e é através de suas ações que os problemas acontecem – o ator consegue convencer em todas as cenas do filme e isso fez com que fosse extremamente fácil ser envolvido pela história.

 


“Cemitério Maldito” faz questão de assustar com cenas tensas  e muitos jump scares

 

A história do filme pode não soar inovadora para muita gente uma vez que traz uma família que se muda para uma cidade pequena que traz seus segredos assustadores. Os grandes clichês do horror, como a casa isolada e o estranho que sabe de tudo, estão presentes – e isso não é um problema porque a história de Stephen King sabe utilizar esses elementos de uma forma que faça sentido. A única falha seja talvez o personagem Jud Crandall (John Lithgow) que tem atitudes e discurso desconexos em alguns momentos do filme – nada que atrapalhe a experiência que temos com o longa.

Os efeitos especiais presentes em “Cemitério Maldito” estão bem feitos e as cenas de Zelda (Alyssa Brooke Levine) são assustadoras.

O longa também pareceu acertar ao fazer com que Ellie Creed (Jeté Laurence) fosse a criança que sofre o acidente – os diretores já haviam comentado que a mudança serviria para adicionar camadas extras de terror psicológico ao longa – e funciona!

O visual do filme é outro acerto, apenas nos momentos de maior incursão na floresta é que não pude deixar de sentir o ambiente caricato demais e carregado de efeitos visuais que visam tornar o local ainda mais assustador – um pouco exagerado, mas funcionou bem no longa.

 


“Cemitério Maldito” traz Jud (John Lithgow) como o estranho que apresenta os mistérios locais

 

A nova versão de “Cemitério Maldito” é um tremendo acerto ao não ter vergonha de abraçar os clichês e parece se divertir ao assustar o espectador com seus “jump scares” – a maioria extremamente bem colocada.

O visual e os efeitos especiais, além da trilha sonora, nos ajudam a ficar ainda mais imersos na história clássica de Stephen King. As atuações são outro grande ponto alto do longa que escorrega muito pouco na construção dos personagens (sendo Jud o maior problema).

Uma excelente pedida para os fãs do autor e os amantes de filmes de terror – prepare-se para tomar alguns sustos!

 

 

Avaliação: Ótimo

 

 

Confira também a crítica do pessoal do Canal Metalinguagem!

 

Trailer Final

 

Trailer 2

 

Cena

 

 


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