Bumblebee
Ano: 2019 Distribuição: Paramount Pictures
Estreia: 25 de Janeiro  Roteiro: Travis Knight
Direção: Christina Hodson
Duração: 113 Minutos  Elenco: Hailee Steinfeld, John Cena, Jorge Lendeborg Jr., Stephen Schneider, Pamela Adlon

Sinopse: No ano de 1987, Bumblebee encontra refúgio em um ferro-velho de uma pequena cidade praiana da Califórnia. Charlie (Hailee Steinfeld), prestes a fazer 18 anos e buscando seu lugar no mundo, encontra Bumblebee machucado e sem condições de uso. Quando o revive, Charlie logo percebe que este não é qualquer fusca amarelo.

 

 

Alexandre Baptista

Bumblebee renova a franquia e finalmente entrega, 11 anos depois de Transformers, um filme à altura da série animada

Longa que estreia em 25 de dezembro aposta acertadamente na ambientação dos anos 80 como catalisador da aventura

por Alexandre Baptista

 

Um dos grandes recursos atuais nos cinemas é a nostalgia. Diversos longa-metragens apostam em músicas, personagens, veículos e cenários conhecidos dos velhos fãs para provocar um efeito saudosista e imediatamente conquistar a simpatia do público. Talvez por isso os primeiros 15 minutos de Bumblebee estejam tão recheados de referências que gritam “esse filme se passa nos anos 80”. Da trilha sonora a referências ao seriado Alf – O ETeimoso, cada segundo reflete algo da década perdida.

 

Não que eu esteja reclamando. Esse período marcou minha infância e adoro ser transportado para lá. Mas no início do longa de Travis Knight, esse esforço fica quase fake, quase demais… até que entra em equilíbrio e funciona. Depois dos minutos iniciais, a história parece se encontrar, entrar numa zona de conforto e aí tudo fica fluído, mágico e especial.

A estrutura do filme lembra em muito o recordista de bilheteria E.T. – O Extraterrestre de Steven Spielberg e o personagem principal, Bumblebee, é tão cativante quanto. O antagonista Agente Burns (John Cena) é factível e funciona bem; Hailee Steinfeld no papel de Charlie é convincente e pisa em alguns clichês estadunidenses especialmente típicos desse período de Guerra Fria pós Vietnam, mas de uma forma produtiva ao roteiro (ao contrário dos protagonistas do longa original Transformers, que parecem vazios e sem impacto em comparação). Destaque para Memo, personagem de Jorge Lendeborg Jr., que em diversos momentos rouba a cena, sendo um alívio cômico menos forçado que a maioria e participando mais ativamente da trama que a média dos coadjuvantes.

A franquia de Transformers no cinema já adaptou os personagens humanos do desenho animado de alguma forma, usando nomes iguais ou parecidos, mas sem muita relação com os mesmos. No entanto, a essência daqueles heróis nunca esteve tão presente quanto em Bumblebee – que cria personagens inéditos, mas que se comportam como os da animação dos anos 80. Em diversas cenas, vemos, assim como na animação, a fragilidade humana perante os transformers, desafiando-os apesar da desigual força física; defendendo-os apesar da falta de necessidade.

O longa acerta nessa aproximação, que ocorre em diversos outros níveis: na escala de Autobots e Decepticons, trazendo-os de volta ao tamanho de veículos reposicionados para se manterem em pé, ao contrário da escala monumental dos filmes de Michael Bay; seu design lúdico e definido, mais antropomórfico, ao contrário do maquinário indefinido dos outros longas; a profusão de cores, marcando com precisão quem é quem em tela (contra o cinza-engrenagem anterior); a presença do exército americano como um antagonista um tanto indefinido, que em algumas horas pode ser um possível aliado; mas principalmente na relação de Bumblebee (e dos Autobots em geral) com os humanos, ponto mais alto do roteiro.

Sim, o filme tem um perigo em escala global que precisa ser evitado. Mas o foco e a força não estão aí e sim na construção da amizade entre humanos e autobots, entre Charlie e Bumblebee, algo que sempre foi a tônica do desenho animado em seus primórdios. Seja na ajuda prestada por Charlie para que Bumblebee se repare, seja no esforço de aprendizado do Autobot em utilizar o recém-recebido toca-fitas com rádio como meio de comunicação – marca registrada do personagem.

 

Bumblebee e Cliffjumper. Não, não tem nenhum fã aqui.


 

O longa começa de um jeito muito semelhante a minissérie animada, com a batalha em Cybertron entre Autobots e Decepticons e a partida para a Terra. A chegada de B-127 em nosso planeta dá conta de, em poucos minutos, estabelecer elementos do cânone de forma orgânica e factível: a perda da habilidade de falar; sua forma como um Fusca; sua postura inocente e brincalhona depois disso e os motivos pelos quais não teremos outros Autobots e Decepticons (leia-se Líder Optimus e Megatron) neste longa.

A aventura é divertida e infanto juvenil, exatamente como deveria ter sido desde o início. Afinal, estamos falando de uma franquia que adapta um desenho animado infantil para as telonas (que por sua vez foi inspirado em uma linha de brinquedos da Hasbro). Não somente é adequada a todos os públicos, como finalmente atende aos fãs da série original. Quando o primeiro teaser de Transformers foi divulgado em 2006, o hype pela franquia era imenso justamente por força da legião de fãs dos brinquedos e desenhos originais. A chance de ver heróis da infância em versão live action era algo empolgante e, em certa medida, muitos acabaram se contentando com o que viram no filme estrelado por Shia LaBeouf. Mas foi somente em Bumblebee que a criança da década de 80, a voz interior dos fãs apaixonados, finalmente aplaudiu e vibrou. O clima daquele período ficou tão bom que há quem diga que o parque de diversões mostrado no filme é o mesmo onde seis jovens sumiram, na atração chamada Caverna do Dragão.

 

O parque de diversões onde seis jovens sumiram, na atração Caverna do Dragão…

…e o parque de diversões em Bumblebee. Coincidência?


 

O longa se encerra de uma forma que podemos tranquilamente assumi-lo como uma prequel do filme de 2007. Mas o tom é tão diferente dos outros que muitos preferem pensar nele como um reboot da franquia. Eu sinceramente não ficaria incomodado se o produtor Lorenzo Di Bonaventura e Michael Bay preferissem seguir esse caminho. Bumblebee funciona melhor que qualquer um e todos os cinco filmes de Transformers, juntos ou separados.

 

Avaliação: Ótimo!

 

Diego Brisse

Em 2007, quando tivemos o primeiro filme da franquia Transformers de Michael Bay, eu saí do cinema animado, empolgado com o visual e com a ação desenfreada. Infelizmente a fórmula que havia funcionado foi exaustivamente explorada e aumentada nos filmes posteriores, destruição mega exagerada, modelos lindas, ação ininterrupta, tudo cada vez mais exagerado. E esqueceram do principal: Contar uma boa história. A franquia a partir do segundo filme já não fazia muito sentido. Bumblebee vem praticamente como um pedido de desculpas, na tentativa de resgatar o interesse do público em uma franquia desgastada. E é um ótimo pedido de desculpas.

Bumblebee já prometia nos trailers ser um filme muito mais simples do que qualquer outro da franquia Transformers, com um foco maior na trama, deixando um pouco de lado a pancadaria dos robôs. Felizmente o filme tem um ótimo equilíbrio, com excelentes cenas de ação e uma trama funcional. Interessante notar como o uso excessivo de influência (clichês) dos filmes oitentistas de Steven Spielberg e John Hughes, por mais que possam incomodar algum expectador velho chato, é um ponto positivo do filme.    

Os efeitos são muito caprichados, as transformações são de uma qualidade impressionante, você consegue notar os detalhes. Foi a primeira vez desde o primeiro Transformers de 2007 que não saí do cinema com dor de cabeça, os filmes anteriores eram muito confusos visualmente, sinceramente não dava para entender quase nada nos últimos filmes! A cena de abertura é um presente para os fãs já desacreditados da franquia. O design ficou muito orgânico, com um nível de realismo não visto antes na franquia.

Um outro avanço foi a relação dos protagonistas. Bumblebee desde a franquia anterior era sem dúvidas o personagem mais carismático e a relação dele como Sam Witwicky (Shia LaBeouf) era um dos pontos altos dos filmes. A relação de Charlie Watson (Hailee Steinfeld) com Bumblebee é incrivelmente melhor, muito mais emocionante por diversos detalhes, pois se aprofundaram na narrativa individual dos dois personagens de forma extremamente funcional.

Mas afinal, Bumblebee é um reboot ou um prequel? Posso dizer que nesse ponto o estúdio aproveitou o conceito Transformers ao máximo, pois o filme deixa brechas para ser qualquer um dos dois. Existem referências muito sutis (ou nem tanto) à franquia anterior, mas o filme funciona bem melhor se for tratado como um reboot. A ideia de situar o filme nos anos 80 deixa aberta a possibilidade de se fazer uma sequência que se passe dentro do universo iniciado em 2007 ou inicie algo totalmente novo, que seria o ideal. Até mesmo as declarações do produtores estão confusas sobre isso no momento. 

Bumblebee vem para provar que podemos ter um ótimo filme sobre Transformers com excelentes cenas de ação, uma boa história e efeitos caprichados, tudo muito bem equilbrado. Um filme família, que vai fazer os adultos se emocionarem pelo saudosismo e as crianças se divertirem. Um ótimo presente de Natal para os fãs!

 

Avaliação: Ótimo!

 

Trailer

 


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