Brightburn – Filho das Trevas (Brightburn)
Ano: 2019 Distribuição: Sony
Estreia: 23 de Maio

Direção: David Yarovesky

Roteiro: Brian Gunn, Mark Gunn

Duração: 91 Minutos  

Elenco: Jackson A. Dunn, Elizabeth Banks, David Denman, Matt L. Jones

Sinopse: “Quando uma criança alienígena cai no terreno de um casal da parte rural dos Estados Unidos, eles decidem criar o menino como seu filho. Porém, ao começar a descobrir seus poderes, ao invés de se tornar um herói para a humanidade, ele passa a aterrorizar a pequena cidade onde vive, se tornando uma força obscura na Terra.”

 

Poster do filme Brightburn - Filho das Trevas, com produção de James Gunn

 

Alexandre Baptista

Brightburn – Filho das Trevas é filme obrigatório para os fãs de Superman

Conceito assustador muda nossa perspectiva em relação ao clássico personagem dos quadrinhos como nunca antes feito

por Alexandre Baptista

 

Um casal do meio-oeste americano, mais especificamente do Kansas, que não consegue ter filhos. Um meteoro, que se revela ser uma nave espacial contendo um bebê dentro, caindo próximo a esse casal. Um alienígena criado pelo casal como filho, recebendo educação e amor durante anos. Com o passar dos anos, a surgimento de poderes excepcionais na criança alienígena.

Todo mundo que já leu quadrinhos ou assistiu filmes e animações do Superman, conhece esse conceito básico – e até algumas variações dele como as mostradas nas HQs Entre a Foice e o Martelo (Red Son, 2003) de Mark Millar ou Superman: Terra Um (Superman: Earth One, 2010) de J. Michael Straczynski.

No entanto, Brightburn – Filho das Trevas explora um lado que a DC Comics nunca teve coragem de pisar, por medo de manchar a reputação de seu ícone máximo, aquele que inaugurou a era dos super-heróis e o expoente máximo da "Verdade, Justiça e o Jeito Americano" – e se a natureza alienígena do bebê falasse mais alto?

Não vou dar spoilers e peço que não assistam ao Trailer 2 (que entrega demais do filme). Mas confiem em mim: se você é fã do Super, é obrigatório assistir Brightburn. Durante o primeiro terço do filme (que é curtinho, dividido em três atos de meia hora), temos várias situações de foreshadowing (frases e cenas que antecipam elementos do meio e do final do filme). Pra quem conhece esse estilo de narrativa de super-herói, é bastante previsível o que vai acontecer. Mas nada te prepara para a forma como o filme faz isso.

O roteiro de Brian Gunn (irmão de James Gunn) e Mark Gunn (primo deles) é impecável. Ele subverte a lenda do kryptoniano de forma intensa e reverente, dando dimensão e profundidade aos personagens. Os Kent são aqui os Breyer; Clark é Brandon; Smallville é a cidade de Brightburn, ambas no Kansas; Lana Lang é Caitlyn; e por aí vai. Está tudo ali.

O problema é que Brandon abraça sua herança de superioridade e aí, temos um Superman que realmente faria o Batman de Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice, 2016) não somente ter razão, como se unir a Lex Luthor e Apocalipse para tentar alguma coisa.

A direção de David Yarovesky é perfeita. O orçamento do filme foi de US$ 7 milhões. Sete. E a impressão que temos é de que estamos assistindo O Homem de Aço (Men of Steel, 2013 – orçamento US$ 225 milhões) de Zack Snyder em termos de produção.

O cara é simplesmente genial. Usa de oclusão e efeitos práticos para minimizar as aparições do personagem em “feitos fantásticos” que demandem computação gráfica e, com isso, passa mais credibilidade e realismo, barateando o custo. Algo que Liga da Justiça (Justice League, 2017) por exemplo, não fez – exagerando na computação gráfica que, de tão ruim, parece um episódio de alguma série da CW.

Outro ponto que é importante ressaltar na direção é o clima de tensão e suspense, que realmente inaugura o novo gênero “terror de super-herói” nos cinemas. Espere muitos sustos – o famoso jump scare – e cenas de revirar o estômago; tudo isso aliado e equilibrado a cenas bucólicas do crescimento de um jovem super-herói numa fazenda do meio-oeste americano. Sensacional.

A trilha sonora também é espetacular, evocando em diversos momentos o mesmo clima que Hans Zimmer e John Williams imprimiram em seus temas para o Superman. O tema de Brightburn é lindo, épico e caberia perfeitamente para o Azulão. Timothy Williams, o compositor, acertou espetacularmente. Ainda mais nas sessões em que o tema deriva para o terror, o mistério e o obscuro, lembrando as coisas mais estranhas que Bear McCreary já fez.

O elenco está impecável, com destaque para Jackson A. Dunn, que interpreta Brandon Breyer. Sua mudança de interpretação a partir do segundo terço do filme é impressionante e em grande parte responsável por ficarmos vidrados na tela do cinema e segurando a respiração. O garoto manda muito bem!

A fotografia, assim como a trilha sonora, é muito bem realizada, exuberante e com locações bem escolhidas. Se por um trecho do filma ela evoca as paragens rurais estadunidenses, nos demais é algo mesclado, totalmente inspirado nos super-heróis, sim; mas também nos clássicos do terror como Colheita Maldita (Children of the Corn, 1984) e outros.

Por fim, espere um pequeno easter egg de Super (2010), dirigido e estrelado por James Gunn e uma cutucada afiada à Warner e à DC.

Brightburn – Filho das Trevas estreia amanhã, 23 de maio, nos cinemas. Sendo esse um período com uma grande quantidade de lançamentos, o filme tende a ficar pouco tempo em cartaz. Vale a pena se programar pra não perder o filme.

Eu diria pra você ir voando pro cinema… mas é uma piada muito ruim.

 

 

Avaliação: Excelente!

 

 

 

Trailer

 

 


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