Por Lucas Souza

 

Em abril de 1979 chegava às bancas brasileiras, pela extinta editora EBAL, o título O Mistério e a Loucura do Terror em Combate. A revista era mais uma das brilhantes antologias de terror que povoaram as HQs nas décadas de 60 em diante. Para se ter ideia da importância do título, é bacana olhar a lista de alguns roteiristas e desenhistas que passaram por ele: J.M. DeMatteis, Frank Miller, José Luis García-López, Marshall Rogers, Steve Ditko, Carmine Infantino, Joe Kubert e muitos outros nomes de peso da indústria.

O Mistério e a Loucura do Terror em Combate teve apenas 12 números publicados no Brasil de 1979 até 1980. A HQ americana original chamada Weird War Tales era da DC Comics e contou com incríveis 124 números sendo publicada de 1971 até 1983. A EBAL publicou os 12 números no Brasil sem nenhuma espécie de critério e, infelizmente, as outras edições (112) nunca chegaram em terras brazucas. Uma pena!

 

O Mistério e a Loucura do Terror em Combate - Baú de HQs 1
A Morte era a apresentadora dos contos da HQ O Mistério e a Loucura do Terror em Combate, no melhor estilo Contos da Cripta.

 

O Mistério e a Loucura do Terror em Combate é uma coletânea de contos de terror, a maioria sem nenhuma ligação, que era apresentada pela própria Morte – sempre trajada com as roupas de guerra da era em que aquele conto ia se passar. Temos contos de diversas épocas e lugares diferentes. Esparta, Segunda e Primeira Guerra Mundial, Guerra do Vietnã e até guerras futuristas faziam parte do repertório da HQ.

A fórmula é idêntica ao que víamos nas revistas Creepy (de 1964) apresentada pelo tio Creepy e na revista Eerie (de 1966) apresentada pelo primo Eerie. A diferença de O Mistério e a Loucura do Terror em Combate para os títulos citados acima é justamente a temática: nela o tema era, invariavelmente, a guerra.

No mais, tudo igual: curtos contos que traziam reviravoltas e finais surpreendentes. O mais interessante é que o tipo de terror apresentado nessas HQs era muito mais psicológico do que gráfico – isso faz com que ainda tenhamos histórias relevantes e assustadoras mesmo que a arte gráfica não assuste nem uma criança de 5 anos – o terror antigamente era muito mais “leve” do que hoje em dia.

 

O Mistério e a Loucura do Terror em Combate - Baú de HQs 2
A capitã Morte nos dá as boas vindas em mais um conto de O Mistério e a Loucura do Terror em Combate da EBAL.

 

Dentre os contos publicados no Brasil, alguns se destacam e são ainda super interessantes para os leitores e amantes do terror. Selecionamos três que valem a pena ser lidos:

 

  • Os devoradores de cadáveres é a primeira história da primeira edição publicada em terras tupiniquins. Vemos um idoso ser morto brutalmente pelos nazistas e descobrimos que algumas crianças podem fazer algo a respeito…

 

  • Até o último homem é a segunda história da segunda edição publicada no Brasil e apresenta duas tribos que se digladiam até quase a aniquilação. A história em si não é brilhante mas o plot twist do final é simplesmente incrível!

 

  • Não Quero Morrer no dia D é a primeira história do terceiro volume da HQ e mostra o soldado Massey fazendo um acordo com o Diabo (no melhor estilo de Fausto da lenda alemã) para não morrer no dia mais importante da 2ª Guerra Mundial. Tipo de coisa que não dá certo…

 

  • O Ser Estranho do Espaço foi publicado na sexta edição brasileira e é uma prova da versatilidade da HQ. Na história acompanhamos um alien que se disfarça entre os humanos para poder dar início a dominação do planeta mas ele logo descobre que nem tudo é o que parece…

 

 

O Mistério e a Loucura do Terror em Combate - Baú de HQs 3

O tanque mal assombrado foi uma das poucas histórias recorrentes da extinta Weird War Tales.

 

A publicação de terror se saia melhor quando trazia contos isolados – a esmagadora maioria. Contos ligados a personagens recorrentes, como os ligados a turma do tanque mal assombrado, nem sempre agradavam e acabam ficando “bobos” pela forma como os personagens lidavam com o sobrenatural. Não quero dizer com isso que as histórias não tivessem criatividade: O tanque mal assombrado, por exemplo, contava a história de combatentes da guerra que utilizavam um tanque que era protegido por um antigo general sulista! Apesar disso, ver histórias novas sempre me pareceu mais atraente.

Weird War Tales, ou O Mistério e a Loucura do Terror em Combate como ficou conhecido no Brasil, é o tipo de publicação que deve ser apreciada pelos amantes do terror – ainda mais na época atual onde os super-heróis dominam as prateleiras. Se você tiver disposição (e dinheiro) vale muito a pena buscar as edições antigas da EBAL ou mesmo ler o título completo em publicações americanas.

 

Fique ligado no Ultimato do Bacon para mais sobre HQs!

 

 


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