Ultimato do Bacon

Batman Estado Futuro – O Ultimato

Em 31 de Mar de 2022 6 minutos de leitura
Batman Estado Futuro - O Ultimato (3)

A DC Comics, logo após Death Metal (leia a matéria aqui), resolveu brincar com sua linha editorial a fim de que os leitores pudessem contemplar algo que fosse além do convencional, por assim dizer. Foram três meses de histórias onde cada personagem foi realocado num determinado ponto futuro de sua linha narrativa e tais histórias poderiam (ou não) serem trabalhadas novamente em algum momento presente.

É o caso do Batman – aparentemente, morto – e os demais personagens que circulam pela cidade de Gotham na clandestinidade, reféns de uma distopia onde o Magistrado persegue e mata os mascarados, instituindo um regime de opressão contra a vida dos gothamitas, que têm suas liberdades sob constante vigilância dessa milícia armada.

Para saber mais a respeito deste admirável mundo novo e os conceitos que envolvem o Estado Futuro, leia a matéria bem aqui. Agora, acompanhe nossas impressões desse regime distópico que assola a cidade do Homem-Morcego.

Índice

A História De Batman Estado Futuro

Num futuro não tão distante, Gotham City está sob controle do Magistrado, uma força paramilitar privada que adota um regime totalitário de vigilância e fiscalização da cidade, investindo contra mascarados, vilões e simpatizantes. Sob a anuência do prefeito Nakano, o Magistrado decreta tolerância zero contra vigilantes e justiceiros sociais, com permissão dada aos agentes “mantenedores da paz” atirar para matar os que se opõem às leis do Pacificador-01, líder do Magistrado e das demais unidades “pacificadoras” espalhadas por Gotham.

Belicosa ao extremo, tecnologicamente avançada com recursos sofisticados que vão de robôs a drones espalhados pelos setores da cidade e agindo de maneira implacável, o Magistrado assume o controle da cidade e regula a vida dos cidadãos, fiscalizando qualquer ato de insubordinação sob o pretexto de segurança e ordem a serviço do público.

Justiça Em Dobro

Neste cenário digno de filmes de ficção científica, quem assume a capa e o capuz do Cavaleiro das Trevas é Jace Fox (filho de Lucius, desenvolvedor das tecnologias e aparatos da Wayne Enterprises e que, desde a aparente morte de Bruce Wayne, estreitou laços com o Magistrado).

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Jace Fox é o Próximo Batman

Não chega a ser novidade que um novo Batman surja nas ruas de Gotham para combater o crime, afinal, enquanto símbolo, o Homem-Morcego representa uma tremenda força contra o mal e gera esperança nos corações dos cidadãos de Gotham.

Esse novo Batman assume o desafio de fazer justiça com as próprias mãos numa cidade distópica que lembra bastante o visual ultra moderno de Blade Runner e Minority Report – ambos os livros escritos por Philip K. Dick, um dos grandes escritores de ficção científica.

E como se não fosse o bastante, surge outro Homem-Morcego, mais detetivesco e que investiga os bastidores do Magistrado tentando encontrar a verdade por trás da ascensão deste regime fascista. Como dito por ele, “acabar com o Magistrado, antes que eles acabem com Gotham de vez. Mas como? Como um fantasma do que já foi? O Batman está morto.”

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Detetive das Trevas: qual será sua identidade?

O leitor se depara com um enredo que coloca dois Homens-Morcego numa narrativa de insurgência contra a força opressiva do Magistrado.

Distopia Em Pauta

Quem já leu outros textos sabe que gosto bastante do tema distopia, subgênero da ficção científica que especula contextos e cenários políticos/sociais que influenciam a rotina da sociedade. No campo do entretenimento puro e simples, essas histórias servem ao propósito de divertir os leitores e nada mais, porém, quando se digna a tecer comentários socioculturais, a distopia fornece um arcabouço intelectual sem precedentes e que nos tira do lugar comum.

Existem clássicos como Fahrenheit 451, O conto da Aia, Admirável Mundo Novo, Nós (romance pioneiro sobre distopia), Neuromancer e 1984, entre outras fantásticas literaturas distópicas. Nos quadrinhos, temos V de Vingança, Akira, Juíz Dredd, X-Men – Era do Apocalipse, Incal e, mais recentemente, o arco de histórias Batman Estado Futuro. Como se vê, a distopia carrega um forte senso crítico ao sistema e seus poderes político, social, cultural e midiático – um enorme chamariz para a indústria cinematográfica e literária.

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Distopia se tornou um dos temas mais lidos ultimamente, uma verdadeira febre mundial devido as discussões intrísecas em suas narrativas

Pode-se dizer que a ficção científica é uma boa forma de lidar com temas delicados como as relações de poder entre classes sociais, controle das massas, cerceamento da liberdade e individualidade, mídia alienante com programações que oferecem pouco ou nada para a população. Estas narrativas tencionam questionamentos que despertam os sentidos e ressignifica o papel social dos indivíduos no mundo.

Totalitarismo

O que pode ser apreendido sobre os regimes totalitários é que estes possuem como objetivo controlar a totalidade da vida pública e privada do Estado. Para tanto, são eleitos líderes centralizadores de poder – dois exemplos da máxima totalitária no século XX são Hitler e Mussolini, representantes do nazismo e  facismo, respectivamente.

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Pacificador-01 é o líder do Magistrado, uma corporação paramilitar que estabelece o regime totalitário que oprime os cidadãos de Gotham City em Estado Futuro

O totalitarismo detém altos níveis de controle, fiscalização, perseguição e opressão contra quem discorda do regime. Neste sentido, o Magistrado encaixa-se ao status de regime institucionalizado de opressão, medo e coerção ao povo de Gotham, além de possuir em suas fileiras uma polícia “pacificadora”, elite especial de membros designada para garantir a civilidade da população, nem que seja à força.

Uma corporação militar que cerceia a liberdade civil, proíbe qualquer tipo de manifestação e, aos que se opõem à nova ordem, são detidos e enviados para instalações ou campos de concentração (nos quadrinhos, são chamados de Reformatório).

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Soldado pacificador do Magistrado: os “mantenedores da paz” a qualquer custo em Estado Futuro

Os regimes totalitários ainda existem nos dias atuais e têm em comum o controle total da vida pública/privada e para se manterem no poder, utilizam um sistema político autoritário que possuem características tais como poder centralizado, repressão dos direitos e liberdades individuais, alienação da sociedade, propagandas políticas e militares e submissão.

Uma Boa História De Ação em Batman Estado Futuro

Batman Estado Futuro não é, necessariamente, um conto movido pelo desejo de manifestação e/ou panfletagem de causas sociais das quais a humanidade se vê (de certa forma) presa. É um produto da mídia focado em um personagem que detém décadas de reconhecimento e impacto de vendas absolutamente estrondosas.

O Homem-Morcego é uma mina de ouro que pode ser adaptada a todo e qualquer contexto e produto que será certeza de boas vendas.

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John Ridley assume os roteiros de Next Batman

No entanto, nada impede que um roteiro bem elaborado possa tecer comentários e crítica social, e é o que John Ridley faz em suas histórias ao colocar um Batman negro lutando contra um sistema corrompido e totalitarista em Next Batman (Próximo Batman). “É uma aposta bastante segura que, se estou escrevendo Batman, é provavelmente um pouco maior do que 47% de chance de que seja uma pessoa negra,” disse o ganhador do Oscar de Melhor Roteiro em 12 anos de Escravidão.

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Mariko Tamaki à frente de Dark Detective

Mariko Tamaki, vencedora do prêmio Eisner de Melhor Graphic Novel por This One Summer (inédito no Brasil) e que já escreveu histórias para Mulher-Maravilha, assumiu os roteiros de Dark Detective (Detetive das Trevas, no Brasil). Na história, outro Homem-Morcego surge nas ruas de Gotham com um modus operandi bem parecido com o original – será que Bruce Wayne morreu mesmo? Fica a questão…

Os roteiristas fazem um delicioso arroz com feijão com gostinho de quero mais, deixando o leitor curioso com algumas pontas soltas deixadas em suas respectivas histórias e que, agora, serão desenvolvidas nas mensais do Morcegão na nova fase da mensal do Batman a ser publicada pela Panini Comics.

Vale a pena ler Batman Estado Futuro?

Sou suspeito de falar devido a paixão que sinto pelo gênero distopia e também por ser fã do Batman, um personagem que detém várias camadas que levantam questões sociais pertinentes e, muitas vezes, levam a pensar na conjuntura que o levou-o a se tornar um justiceiro social.

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Vida longa ao Batman!

O arco de histórias Estado Futuro apresenta uma visão do Homem-Morcego e demais vigilantes de Gotham numa linha do tempo que avança alguns anos no futuro dos personagens.

Digo que vale a pena ler por se tratar de uma história em quadrinhos que joga dados com a realidade, abordando questões sociais importantes para humanidade, quando os indivíduos vão pouco a pouco cedendo seus direitos civis em troca de uma ilusão de segurança e proteção oriunda de poderes mais elevados.

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Por mais que já tenham visto obras literárias e audiovisuais tratarem do tema distopia com mais profundidade, acredito que Batman Estado Futuro aproveita bem desta fonte de ideias.

A questão de um mundo à mercê de governos totalitários e que submete a nação aos seus termos delirantes é algo único e o leitor é presenteado com histórias que vão além da mera ficção e entretenimento para algo mais maduro e que alavanca novas formas de pensar.

Esperamos que tenham gostado deste tour pela cidade futura de Gotham e que voltem ao Ultimato do Bacon daqui algum tempo, quando falaremos sobre arcos de histórias passadas do Batman que irão reverberar em Estado Futuro – a começar pela Guerra do Coringa. Até lá!

Avaliação: Bom!.

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Créditos:
Texto: André ‘Brasuka” Roberto – @Comunicafic
Imagens: Reprodução
Edição: Diego Brisse
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