A Favorita (The Favourite)

Ano: 2018

Distribuição: Fox Film

Estreia: 24 de Janeiro (Brasil)

Roteiro: Deborah Davis, Tony McNamara

Diretor: Yorgos Lanthimos

Duração: 121 minutos

Elenco:  Olivia Colman, Emma Stone, Rachel Weisz, Nicholas Hoult, Joe Alwyn, James Smith, Mark Gatiss

Sinopse: "Na Inglaterra do século XVIII, Sarah Churchill, a Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz) exerce sua influência na corte como confidente, conselheira e amante secreta da Rainha Ana (Olivia Colman). Seu posto privilegiado, no entanto, é ameaçado pela chegada de Abigail (Emma Stone), nova criada que logo se torna a queridinha da majestade e agarra com unhas e dentes a oportunidade única.”

 

Alexandre Baptista

A Favorita, novo longa de Yorgos Lanthimos é uma genial construção entre drama, comédia e filme de época

A obra, considerada a mais acessível do diretor grego, estreia dia 24 de janeiro nos cinemas nacionais e teve 5 indicações ao Globo de Ouro

Por Alexandre Baptista

 

A Favorita (The Favourite, 2018) é uma tragicomédia de época pelo tétrico e genial diretor, roteirista e produtor Yorgos Lanthimos (O Lagosta, O Sacrifício do Cervo Sagrado), que tem ganhado cada vez mais espaço entre os críticos e apreciadores de cinema com seus filmes inquietantes e pouco usuais.

Não surpreendentemente, é o filme mais acessível do diretor, que trabalhou em cima do excelente roteiro de Deborah Davis e Tony McNamara e com um elenco espetacular. Seja pelo talento individual ou pela força do diretor, as performances de Emma Stone, Olivia Colman e Rachel Weisz estão em seus ápices e as participações de Nicholas Hoult e Joe Alwyn acompanham de perto a experiência e firmeza das atuações de Mark Gatiss e James Smith.

Na trama do longa, acompanhamos o reinado da Rainha Ana (Olivia Colman) no início do século XVIII, na Inglaterra; a amizade e influência de sua confidente e amiga Sarah Churchill, a Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz) e a chegada de sua prima Abigail Hill (Emma Stone), que é recebida como nova criada e passa, em pouco tempo, a disputar a preferência e a atenção da rainha.

Apesar de apresentar certa correção histórica acerca de fatos políticos – a Guerra de Sucessão Espanhola, a disputa entre Torys e Whigs e outros fatos públicos – o enredo se baseia principalmente nas especulações acerca das histórias de alcova da corte, cuja veracidade é amplamente pesquisada e debatida entre historiadores que não chegam a um consenso acerca do verdadeiro grau de intimidade compartilhado entre a Sra. Morley e a Sra. Freeman (apelidos satíricos da rainha e a duquesa quando estavam a sós). No longa, ambas partilham de um relacionamento amoroso e sexual que, descoberto por Abigail, passa a ser alvo de disputa e cobiça.

Além da linha principal, as sub tramas também são inteligentemente apresentadas, criando um panorama ácido e muito claro da corte inglesa naquele período: as manobras e artimanhas femininas determinando a vida de milhares de pessoas e consentindo que a arrogância e ingenuidade masculina fizesse as vezes de identidade visual do poder, sem realmente ser. Essa “declaração” está presente em diversos momentos no longa, mas principalmente em uma cena que envolve Abigail, o Barão Masham (Joe Alwyn) e masturbação. Fato histórico é que a rainha Ana, anos antes, afrontou o rei Guilherme III de Inglaterra acerca de Sarah Churchill e que, em seus derradeiros anos, tornou a camareira Abigail Hill uma amiga pessoal, algo inimaginável para a época.

A trilha sonora apresenta clássicos em sua maioria, sendo a trilha inédita composta por Olivier Messiaen, Luc Ferrari e Anna Meredith. Extremamente minimalistas, muitas vezes propositalmente incômodas e ressaltando uma espécie de humor velado na cena, as peças modernas seguem o estilo oitocentista e são organicamente apresentadas na obra.

Nesse ponto, a nota mais importante é justamente acerca do humor do filme. Apesar de possuir algumas cenas mais diretas, a piada está geralmente no detalhe e nas proposições fora de lugar do longa. O diretor ressalta o cômico com pequenos exageros, elementos autorreferentes e um tanto fora de sintonia com o restante da cena. Fosse Lanthimos alguém mais conhecido e badalado pelo grande público como digamos, Quentin Tarantino, A Favorita estaria sendo idolatrado como “o melhor filme de época de todos os tempos” ou alguma outra bobagem do tipo. O brilhantismo da direção aparece e faz diferença, tornando a obra de fato algo além do esperado.

O drama também está presente e é igualmente sutil, principalmente quando aborda as sabidas 17 tentativas fracassadas da rainha Ana em ser mãe – entre abortos, mortes prematuras e infantis – e sua relação com coelhos de estimação.

O filme ganhou dois prêmios no Festival Internacional de Cinema de Veneza – o Grande Prêmio do Júri e a Copa Volpi de Melhor Atriz para Olivia Colman; 10 prêmios do British Independent Film Awards, incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz (Colman), Melhor Atriz Coadjuvante (Rachel Weisz), Melhor Diretor e Melhor Roteiro. Foi indicado em cinco categorias no Globo de Ouro, incluindo Melhor Filme e foi classificado pelo American Film Institute como um dos 10 melhores filmes de 2018.

A Favorita tem estreia nacional no dia 24 de Janeiro e deve certamente estar entre os indicados ao Oscar 2019.

 

 

Avaliação: Ótimo!

 

 

Trailer

 

 


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