Por Lucas Souza

Paul Pope é um dos grandes autores e desenhistas que temos na indústria dos quadrinhos. Suas obras como “Bom de Briga” e “Batman Ano 100” são muito boas e interessantes e o melhor é que o autor sempre consegue entregar textos, artes e argumentos diferenciados que fazem com que suas histórias sempre fujam do lugar comum. “100%” da Vertigo é mais uma HQ do autor que consegue fugir do tradicional.

“100% de Paul Pope chegou ao Brasil em 2006 pela editora Opera Graphica e reuniu as edições americanas “100%” #1 – #5 que foram lançadas nos EUA em 2002 e 2003. Essa foi a única vez que a obra foi publicada aqui no país.

 

Minissérie “100%” da Vertigo foi escrito e desenhado por Paul Pope em cinco edições

 

“100%” é uma história futurística que se passa em uma Neo Manhattan. Na trama, nada de invasões aliens ou grandes perigos ao mundo. Vemos apenas a história de três casais que lutam para serem felizes em um mundo cada vez mais perdido e depravado. Pope traz até nós uma realidade e um futuro sujos onde vemos claras evoluções tecnológicas mas continuamos percebendo que a natureza do ser humano dita que elas nem sempre serão usadas para o bem ou de forma realmente útil.

Os três casais da história são completamente problemáticos e disfuncionais e “100%” da Vertigo faz questão de nos mostrar isso. O mais problemático, e talvez interessante, é o composto pela nova dançarina e stripper (bem futurista e diferente do que estamos acostumados) Daisy e o rapaz que lava pratos no local John. Os romance dos dois é começa com desconfiança (da parte de Daisy) e logo evolui para algo bem diferente – mas o passado de um deles faz com que o desenvolvimento da relação não seja exatamente normal. A boate de Strip é, de alguma forma, o local que une todos os casais e personagens que possuem sempre alguma espécie de relação entre si – uns mais próximos e outros mais distantes.

 

“100%” da Vertigo se passa em um futuro sujo e pouco convidativo imaginado por Paul Pope

 

Os outros dois casais de 100%, formado por lutadores, artistas e strippers, são mais convencionais em relação aos seus problemas e desconfianças – o que não torna eles menos interessantes. O autor ainda faz com que imaginemos diversos problemas e situações antes de nos deixar conhecer a verdadeira natureza daquelas relações. Nesse sentido ele entrega um ótimo trabalho com a dançarina Strel e a volta de uma misteriosa figura que parece estar perturbando a personagem. Mas as coisas não são exatamente o que parecem em “100%”.

O começo da trama nos dá a sensação de que veremos mais uma história sobre assassinatos e mistérios no futuro – mas é só para nos despistar. Conforme a história avança Paul Pope deixa claro que a tecnologia e outros acontecimentos são apenas plano de fundo para o que ele quer abordar : as relações humanas. E o autor faz isso com maestria, tornando a história crível e interessante.

 

Strel conversa com sua amiga Kimberly em “100%” da Vertigo e do autor Paul Pope

 

“100%” é uma história diferente porque consegue ser interessante e apresentar um novo mundo sem ter que criar tramas gigantescas e que envolvem a destruição do mundo. Pope diz inclusive que a sua ideia original era “criar uma série de histórias baseadas em amor e desencontros em uma cidade de ficção científica”. É exatamente isso que o autor entrega em uma minissérie que é a cara da Vertigo e que nos mostra como as relações podem seguir caminhos diferentes baseados em nossas experiências passadas. Vale muito a pena ler!

 

 

Avaliação: Ótimo!

 

 

 


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