O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate)
Ano: 2019 Distribuição: Fox Film
Estreia: 31 de Outubro

Direção: Tim Miller

Roteiro: James Cameron, Charles H. Eglee, Josh Friedman, David S. Goyer, Justin Rhodes (história); David S. Goyer, Justin Rhodes, Billy Ray (roteiro); James Cameron, Gale Anne Hurd (baseado nos personagens de)

Duração: 128 Minutos

Elenco: Linda Hamilton, Arnold Schwarzenegger, Mackenzie Davis, Natalia Reyes, Gabriel Luna

Sinopse: Na sexta aventura da saga Exterminador do Futuro, Arnold Schwarzenegger interpreta novamente o papel icônico de T-800, enquanto Linda Hamilton encarna mais uma vez Sarah Connor.

 

 

Alexandre Baptista

Destino Sombrio e o fim de Exterminador do Futuro

Longa que estreia hoje, 31 de outubro, encerra a trilogia iniciada por James Cameron ignorando demais filmes da saga

por Alexandre Baptista

 

Muita gente da minha idade conheceu a saga do Exterminador do Futuro através de seu segundo filme, O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final (Terminator 2: Judgment Day, 1991), indo conhecer a primeira parte O Exterminador do Futuro (Terminator, 1984) anos depois.

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, longa dirigido por Tim Miller – que também dirigiu Deadpool (2016) – funciona como a terceira parte dessa saga e, provavelmente, será a nova porta de entrada para muitos jovens que desconhecem a franquia.

Como mencionei na mini-crítica em vídeo no Sobrecapa, os minutos iniciais do filme são imprescindíveis para os fãs da saga. É ali que ocorre o primeiro e gigantesco plot twist que faz de O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio um filme caracteristicamente da saga, mas com pontos essenciais de subversão aos elementos clássicos.

Só nesses primeiros 5 minutos, o roteiro dá conta de enterrar para sempre O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas (Terminator 3: Rise of the Machines, 2003), O Exterminador do Futuro: A Salvação (Terminator: Salvation) e O Exterminador do Futuro: Gênesis (Terminator Genisys, 2015) junto com a série O Exterminador do Futuro: As Crônicas de Sarah Connor (Terminator: The Sarah Connor Chronicles, 2008 – 2009).

A linha geral da trama já é bastante conhecida: uma pessoa comum torna-se alvo de um exterminador, um organismo cibernético vindo do futuro com alto poder letal. Também do futuro é enviado, pela resistência humana, um protetor para tal alvo. Neste filme, porém, algumas mudanças e subversões ocorrem e é bastante interessante notar os pontos de evolução nessa dinâmica entre os três filmes.

A sensação que fica é de que o novo longa funciona como um soft boot, um remake dos filmes originais para a nova geração, sem precisar “começar do zero”. Essa proeza é realizada de maneira interessantíssima e bastante sutil. Presente nos detalhes, esse recomeço fica evidente na opção do diretor em deixar de lado as frases clássicas ou altera-las significativamente. E, claro, também através de pontos importantes do roteiro que não vou mencionar para não dar spoilers.

Na direção, Tim Miller abusa da computação gráfica mas confesso que tudo me pareceu muito bem renderizado e bem-feito, não tendo notado nenhuma aberração ao estilo da luta final de Pantera Negra (Black Panther, 2018).

O clima geral do longa mimetiza o estilo de direção de Cameron, até mesmo na paleta de cores dos primeiros filmes: a impressão que fica é que estamos vendo um filme da década de 80 restaurado. As cenas de luta, no entanto, mostram que se trata de um filme atual, trazendo um equilíbrio muito bacana para essa continuação vintage.

O elenco está incrível e Gabriel Luna, como o exterminador modelo Rev-9 é bastante convincente, lembrando em muitos momentos o excelente T-1000 de Robert Patrick; Mackenzie Davis, no papel da protetora do futuro Grace é exuberante e deslumbrante e, para os mais antigos, não é raro achar que estamos vendo Robin Wright rejuvenescida em um filme de ação; Natalia Reyes, que interpreta o alvo Dani Ramos, entrega uma típica mulher latina frente a uma crise: um pouco dramática e assoberbada de início, mas feroz e incansável quando necessário; Swarzza segue desempenhando de maneira brilhante o papel de sua vida, o modelo 101 da Cyberdine Systems, sr. T-800 ou Carl, para facilitar. A presença de Swarzza é imprescindível; a do personagem, dispensável num arco que foi construído para que as mulheres brilhassem de maneira orgânica e factível.

E brilham. Especialmente no retorno triunfal de Linda Hamilton ao papel de Sarah Connor. Desde sua primeira participação em cena até os créditos finais, a atriz esbanja domínio do jogo cênico, incluindo cenas em que a improvisação é evidente. Sim, estou falando da cena do cinto de segurança.

Ela é durona, implacável e, coisa rara no mundo de plástico e CGI de Hollywood, naturalmente velha. A atriz, assim como bilhões de pessoas, envelheceu nesses 28 anos. Mas optou por deixar as rugas e pés-de-galinha à mostra, algo que somente acrescenta credibilidade a sua Sarah Connor. Uma mulher marcada pelo tempo, pela luta, pela resistência. Além disso, o roteiro de O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio devolve também o protagonismo a ela, mostrando que ninguém além de Cameron havia realmente entendido o eixo motriz da saga até hoje.

Na trilha sonora, Junkie XL definitivamente enterrou o pseudônimo após ter sido substituído por Danny Elfman na trilha de Liga da Justiça (Justice League, 2017). Assinando como Tom Holkenborg, entrega uma trilha inspirada, com inserções grandiosas nos momentos certos num clima bastante urgente e empolgante.

De maneira geral, espere as típicas proezas físicas absurdas e muitas explosões – o tipo de coisa que se espera em profusão num filme do exterminador. Infelizmente, na reta final o longa perde um bacon por um detalhe que acabou não sendo realizado. Não posso mencionar abertamente, para não estragar o final do filme, mas na minha opinião, faltou coragem.

Assim, sem entregar muito, o máximo que pode ser dito é isso: O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio é o longa que foi aguardado por 28 anos. E, felizmente, a espera valeu a pena. O exterminador está finalmente de volta.

 

 

 

Avaliação: Ótimo!

 

 

 

Trailer

 

 


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