Ultimato do Bacon

Judas de Ennio Missaglia (Chacal) – O Ultimato

Em 24 de Mai de 2021 3 minutos de leitura

Prepare-se para embarcar em um faroeste menos brilhante e limpo do que você está acostumado na série Judas de Ennio Missaglia para a Bonelli Editore. A série nos apresenta um pistoleiro menos perfeito e infalível: aqui vemos um ex-condenado que trabalha para a famosa “Pinkerton ‘s Nacional Detective Agency” e precisa resolver todo tipo de caso que surge: desde assassinato até busca por heranças e tramas envolvendo samurais (sim, você leu certo!).

Antes de falarmos do protagonista Alan Scott, que atende de maneira pouco amistosa ao apelido Judas, vale falarmos um pouco sobre o histórico dessa publicação no Brasil. Criado em 1979 por Ennio Missaglia, a série Judas teve 16 edições. A série surgiu em terras brazucas pela primeira vez em 1980 pela Editora Vecchi com o nome de Chacal.

O tremendo sucesso da série fez com que a editora quisesse continuar as histórias da revista com um outro protagonista: Tony Carson, criado por Antônio Ribeiro – que,não tem nenhuma relação com o protagonista original da Bonelli Alan Scott. A série italiana original foi republicada pela editora Record em 1989 em um formato fiel ao italiano: 16 edições com o nome Judas – uma versão incrível e relativamente fácil de ser encontrada.

os desafios são variados em Judas de Ennio MissagliaAlan Scott enfrenta todo tipo de situação na série Judas de Ennio Missaglia

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As tramas da série Judas de Ennio Missaglia

Dois fatos vão fazer com que os leitores amantes de faroeste fiquem vidrados na série de Ennio Missaglia: o passado misterioso e fora da lei do protagonista (que rendeu o apelido que ele tanto detesta) e a diversidade das tramas que apresentam soluções e situações diferentes do que estamos acostumados a ver em séries de faroeste. Alan Scott não é um herói infalível como Tex e nem é um caçador de recompensas como Jonah Hex. O personagem erra, é pego de surpresa e, muitas vezes, conta com a sorte para poder cumprir algumas de suas missões – é o tipo de história que nos deixa temendo pelo sucesso da missão e pelos coadjuvantes que aparecem no caminho de Judas. 

Alan Scott tem a fama de ser o mais cruel e eficiente agente da “Pinkerton ‘s Nacional Detective Agency” (tida como o berço do FBI). O agente, que prefere trabalhar sozinho, ainda é conhecido pelo apelido de Judas e é estabelecido, desde a primeira edição, que ele tem um passado como fora-da-lei – e foi justamente algo feito nesse passado que rendeu o apelido. A história do passado do personagem só é revelada na 6ª edição da série (“O Atentado”) e deixa claro que o apelido é bem pensado. 

Uma missão envolvendo índios deixa Alan Scott em apuros na série Judas de Ennio Missaglia

Cada história da série é independente e não possui nenhuma ordem obrigatória. Se você quer escolher 3 histórias da série para conhecer o personagem eu recomendaria “Daishô” (11ª edição e traz uma trama envolvendo samurais), “A Cruz Ardente” (4ª edição que mostra um embate com a Klan) e “O Fantasma do Vale” (8ª edição que mostra um misterioso inimigo que parece estar morto!). Se você gostar dessas histórias, que tem temáticas muito diferentes das tradicionais, vale conferir a 6ª edição que conta o passado de Judas. 

As outras histórias da série são boas e vão agradar os fãs de faroeste, mas julgo que elas tem menos elementos “inovadores”. São histórias envolvendo vinganças, perseguições e mistérios que prendem o leitor mas passam longe de ser algo que “nunca vimos antes”.

Alan Scott confronta a maioria de seus antagonistas sozinho nas tramas da HQ Judas de Ennio Missaglia

Ennio Missaglia consegue criar um faroeste que mistura elementos tradicionais com tramas inovadoras que possuem ritmo alucinante e prende o leitor – seja pela personalidade “carrancuda” e solitária do protagonista, seja pelo ineditismo de ideias que ele apresenta em algumas passagens e situações. Judas é o tipo de protagonista que trabalha sozinho, é rápido no gatilho, inteligente.. mas erra, e feio em alguns casos! Ele falha, é aprisionado, apanha e – apesar de ser um “lobo solitário” – conta muito com ajuda e com a sorte para resolver alguns casos. Como todo bom casca grossa do velho oeste, ele é implacável e esconde seus temores e traumas por baixo da cara de mau! 

Um excelente protagonista com ótimas histórias que vão agradar em cheio os fãs do gênero. E se você quer ler outras histórias incríveis de faroeste, confira nossa matéria sobre Ken Parker, Bella e Bronco, Tenente Blueberry e nossa lista de 15 Melhores HQ´s de Cangaço.

Ultimato do Bacon

Avaliação: Ótimo!

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Créditos:
Texto: Lucas Souza
Imagens: Reprodução
Edição: João Maia
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