Por Fabio da Luz do Canal Caverna do Morcego

 

 

 

A edição No. 70 da revista Batman, lançada na América do Norte em 1º de maio de 2019, traz o começo de um novo arco pelas mãos do grande roteirista Tom King. Trata-se de “The Fall and the Fallen”, que em tradução literal seria “A Queda e o Caído”, contando com os desenhos competentes de Mikel Janin e Jorge Formes.

O longo arco Knightmares, que mostrou Batman sendo capturado por Bane e Thomas Wayne, da realidade alternativa da saga Ponto de Ignição, e tendo que viver dentro de vários pesadelos, se mostrou um exercício de raciocínio e interpretação dentro das caracterizações que formam o homem-morcego e dos aspectos que o formam como ser humano.

E sejamos honestos, o leitor médio de quadrinhos de super-heróis muitas vezes não está acostumado com esse tipo de leitura dentro do que seria um material seriado mensal, fazendo com que certos detalhes lhe passem despercebidos, inclusive taxando como uma leitura massante, que no primeiro momento pode desinteressar. Essa primeira impressão sobre o material é bem comum, mas que quando é ultrapassada, acaba rendendo um resultado gratificante.

 

 

A edição 70 abre fazendo um resumo do que foram os acontecimentos de Knightmares, que é relembrado através do poema “Argumento” de William Blake. Vemos que os acontecimentos do arco passado se encaixam muito bem com os versos do referido poema. É fantástico ver como o roteirista gosta de encaixar muito da literatura inglesa dentro dos quadrinhos que escreve, tal qual visto por exemplo na sua aclamada obra “Visão”.

 

 

E após passarmos por todas as experiências metafóricas em relação a vida do homem-morcego, esse novo arco resolve começar com um pouco mais de ação, com Batman escapando de seu cárcere dentro do Asilo Arkham e enfrentando um punhado de vilões que estavam lá dentro.

Conforme vínhamos vendo em edições anteriores, todos os vilões estão mancomunados com Bane, sendo que desde o começo estamos diante de um grande plano deste vilão para quebrar psicologicamente Batman.

E a determinação do protagonista está mais forte do que nunca, fazendo com que ele consiga sair na mão contra, por exemplo, Solomon Grundy e Amygdala ao mesmo tempo, fato este que provavelmente será bem criticado por aqueles que acreditam que o Batman não passa de um reles mortal insignificante. Inclusive o roteiro neste momento não nos mostra como se deu a vitória do homem-morcego sobre os dois vilões brutamontes, mas conclui a luta com uma sonora risada dele, que nos faz supor que nosso herói não esteja bem dos fatos que aconteceram anteriormente.

 

 

Essa suposição não se mostra tão errônea, pois em determinado momento vemos o vilão Ventríloquo prestando contas ao Bane, onde este questiona se a sensação de prazer que o titereiro sentia ao usar Scarface era mesma que ele vinha sentindo naquele momento em que manipulava Batman.

 

Talvez nosso protagonista ainda não tenha saído dos pesadelos, continuando a ser quebrado por Bane dentro do que é a sua existência.

E outra prova de que podemos estar vendo Batman ainda sofrer com os planos de Bane é que, ao sair do Asilo Arkham, vemos Maxie Zeus recitar o começo do Canto III da obra “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, quando Dante e Virgílio chegam às portas do inferno e avistam os seguintes dizeres:

 

POR MIM SE VAI À CIDADE DOLENTE,

POR MIM SE VAI À ETERNA DOR ,

POR MIM SE VAI À PERDIDA GENTE.

 

JUSTIÇA MOVEU O MEU ALTO CRIADOR,

QUE ME FEZ COM O DIVINO PODER,

O SABER SUPREMO E O PRIMEIRO AMOR.

 

ANTES DE MIM COISA ALGUMA FOI CRIADA

EXCETO COISAS ETERNAS, E ETERNA EU DURO.

DEIXAI TODA ESPERANÇA, VÓS QUE ENTRAIS!

 

Por mais que possamos pensar que o Asilo Arkham é o inferno e que Batman está saindo dele, bem verdade podemos estar vendo o homem-morcego entrar no inferno do que fora planejado pelos seus inimigos, nos deixando a sensação de que o pior ainda está por vir.  

 

 

Dessa forma, Tom King vai nos brindando com mais uma leitura de qualidade, acima daquilo que geralmente vemos sendo trabalho com o personagem.

As vezes é bom termos histórias que são mais diretas no trabalho de caracterização do personagem, que é o que geralmente vemos acontecer com o Batman, mas ao mesmo tempo é bom termos um trabalho que queira instigar o leitor a pensar e ser bem menos direto na sua mensagem.

No fim, é hora de abandonarmos nossas esperanças e entrarmos no que está sendo o inferno na vida do homem-morcego.

 

 

Avaliação: Ótimo

 

Gostou? Não deixe de conferir o canal Caverna do Morcego para saber tudo sobre o Batman!

 

 


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