A Saga do Clone de Tom DeFalco 2009 é a verdadeira “Crise dos Infinitos Clones”, um resumo do original.

A Saga do Clone do Homem-Aranha, é sem sombra de dúvidas, uma das histórias mais controversas e confusas dos quadrinhos. A história tem dezenas de reviravoltas, introduz uma tonelada de novos personagens e ainda por cima é bem longa – e deve ser uma “pedra no sapato” dos novos leitores uma vez que sempre está gerando consequências – como na história Conspiração do Clone que re-introduziu o Aranha-Escarlate original.

Em 2009 a Marvel Comics decidiu dar a Tom DeFalco, um dos idealizadores da Saga do Clone da década de 90 a oportunidade de recontar a história da forma como ele acreditava que ela deveria ter acontecido.

O autor se juntou a Howard Mackie e Todd Nauck na minissérie Spiderman: Clone Saga que teve seis edições. No Brasil a minissérie foi publicada na íntegra em A Teia do Homem-Aranha #4 (2010) da Panini Comics.

 

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Ben Reilly, o clone de Peter Parker, enfrenta o Doutor Octopus em uma das páginas da minissérie Spiderman: Clone Saga de 2009

 

A Saga do Clone de Tom DeFalco 2009 e as aventuras com Clones anteriores do Aranha

 

Antes de entrarmos na história da Saga do Clone de Tom DeFalco 2009 é importante lembrarmos que a saga publicada na década de 90 era uma continuação de uma história intitulada The Delusion Conspiracy (A Gênese do Clone no Brasil), que foi publicada em originalmente em 1975 na revista The Amazing Spider-Man #144 – #148.

Escrita por Gerry Conway, a saga trazia a história do vilão Chacal e o retorno de Gwen Stacy, que depois descobrimos ser um clone. É nesse arco que o Cabeça-de-Teia enfrenta seu clone pela primeira vez. Após derrotá-lo e acreditar que o clone estava morto, Peter joga o corpo em uma chaminé que ele acreditava que incineraria o corpo.

Vale dizer que esse foi o fim da chamada Saga do Clone original e que não tivemos grandes desenvolvimentos até a chegada da década de 90.

Os fãs do Teioso que estiverem curiosos e querendo conhecer a saga original podem encontrá-la  facilmente no Brasil em Homem-Aranha: Grandes Desafios #5 (2007, Panini Comics) ou Coleção Definitiva do Homem-Aranha #3 (2017, Salvat).

 

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Imagens da primeira Saga do Clone de 1975 escrita por Gerry Conway

A revisão da Saga do Clone de Tom DeFalco 2009

 

Tom DeFalco é um dos grandes defensores da Saga do Clone da década de 90 e uma das poucas críticas com que ele costuma concordar é a que diz que a saga começou a ficar longa demais e acabou perdendo o seu rumo…

A ideia de DeFalco era utilizar a minissérie Spiderman: Clone Saga para mostrar como a saga deveria ter acontecido na visão dele!

A história da Saga do Clone de Tom DeFalco 2009 segue a premissa da história da década de 90 que começa a esquentar mesmo quando Ben Reilly, o clone morto de Peter Parker, retorna para Nova York e é seguido por seu inimigo Kane, um clone deformado e maligno do herói que está trabalhando para alguém que permanece nas sombras manipulando sua vida.

A dinâmica de Peter e Reilly é uma das melhores coisas da Saga do Clone – o que começa como desconfiança vai crescendo em uma relação fraternal. Outro grande acerto que DeFalco consegue reproduzir bem na sua versão é a personalidade de Reilly que apresenta traços similares ao de Peter – como a noção de responsabilidade -, mas com algumas diferenças ocasionadas pelo tempo que ele passou na estrada. A minissérie Homem-Aranha: Anos perdidos”, que faz parte da saga da década de 90, explica muito bem tudo que o personagem passou e justifica suas diferenças!

 

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Peter e Reilly interagem na Saga do Clone de Tom DeFalco 2009 pela Marvel Comics

 

A minissérie Saga do Clone de Tom DeFalco 2009 foca nos principais eventos da saga original e na relação entre Peter e Reilly: a passagem de manto, o Aranha Escarlate, a gravidez de Mary Jane, as obsessões de Kane, o Chacal e o misterioso responsável por todo o sofrimento de Peter. Tudo isso está lá.

É inegável contudo perceber que a releitura perde muito da emoção da Saga do Clone da década de 90 justamente porque já sabemos que Peter Parker é o Homem-Aranha original e Ben Reilly o clone.

Eu cresci lendo essa história e lembro que tentar descobrir quem era o original era uma das muitas emoções que a HQ trazia. Fora o fato de vermos a vida de Peter e Reilly mudando com o passar das edições. Esse apego emocional acaba se perdendo nessa história justamente por ela ser curta: em comparação com a original, ela parece apressada e quase um resumo para quem não leu ou não se lembra da história dos anos 90… quase!

 

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Peter Parker e Ben Reilly se conhecem na Saga do Clone da década de 90

 

O que a Minissérie Muda em relação a Saga do Clone Original?

 

Por mais que a Saga do Clone escrita na década de 90 ganhe de lavada no quesito emoção e construção de personagens (vale lembrar que ela durou de 1994 até 1996), é inegável que ela toma algumas decisões controversas e deixa alguns plots em aberto que são simplesmente abandonados depois.

Vamos destacar as quatro diferenças principais entre as duas sagas no que diz respeito a decisões criativas:

 

  • A filha de Peter Parker e Mary Jane

 

May Parker, a filha do casal Peter Parker e Mary Jane, é tida como morta pelos pais no final da Saga do Clone da década de 90 – os leitores sabem que ela foi levada por Kane mas esse plot nunca se desenvolveu.

Na releitura da Saga do Clone de Tom DeFalco 2009, a pequena May Parker é devolvida por Kane para Mary Jane e tudo indica que ela teria um futuro brilhante sendo criada por um dos casais mais queridos das HQs – esse final é muito mais agradável para os fãs do Teioso!

 

  • O Destino de Ben Reilly

 

Na Saga do Clone da década de 90 Ben Reilly encontra seu fim nas mãos do Duende Verde. O personagem morre após ser atingido pelo planador do vilão salvando Peter Parker. O corpo de Ben se decompõe e descobrimos que Parker era realmente o Homem-Aranha original.

Na Saga do Clone de Tom DeFalco 2009 o autor deixa Ben Reilly vivo. O herói que foi o Homem-Aranha por um tempo vai embora na sua moto rumo ao horizonte. Por mais que a morte do herói dê uma dramaticidade toda especial à história da década de 90, confesso que preferia que ele tivesse ficado vivo do que retornasse da maneira pífia que ocorreu no arco Conspiração do Clone de Dan Slott.

 

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Peter Parker e Ben Reilly enfrentam Norman Osborn na Saga do Clone da década de 90

 

 

  • O Vilão

 

Na história original o vilão é ninguém menos que Norman Osborn. É dito que o vilão não morreu e que esteve escondido e manipulando a vida de Peter desde que o mesmo provocou a morte de seu filho: Harry Osborn.

A explicação é simples: o vilão, após ser atingido pelo seu próprio planador e ser dado como morto, descobre que possui um fator de cura dado pela fórmula do Duende – ele só descobre isso ao acordar no necrotério. Todas as maquinações do Chacal eram, na verdade, comandadas por Osborn.

Na releitura de DeFalco, Osborn vira uma espécie de herói. Seu filho, Harry Osborn, é quem engana a morte nessa versão e usa os recursos de clonagem para ressuscitar seu pai. Nessa versão Osborn é convencido por Kane, que muda após segurar a pequena May Parker no colo, de que nenhum filho deve pagar pelos pecados do pai.

O ex-vilão volta-se contra seu próprio filho e salva Reilly só para ser morto de novo… Harry continua vivo e jura continuar com seus planos de vingança!

 

  • O Destino de May Parker

 

Na história da Saga do Clone da década de 90, May Parker nunca se recupera da doença que a acomete (a doença que acaba atraindo Reilly no começo da história). Seu estado piora e ela acaba falecendo durante a saga.

Na releitura de 2009, May ingere um remédio que Peter e Ben conseguem pegar do Chacal e usam isso para salvar a tia – que se recupera e fica bem desta vez.

 

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May Parker morre na versão dos anos 90 da Saga do Clone

 

Qual a melhor Saga do Clone?

 

Aqui entra o ponto que faz com que uma história seja boa para uma pessoa e ruim para outras: o gosto. Acredito que a edição nova seja um super ponto de partida para o leitor que quer conhecer um pouco mais sobre essa saga que criou tantos personagens (Kane é inclusive participativo em Aranhaverso) e é tão falada.

Como um leitor mais antigo, confesso que prefiro ainda a Saga do Clone da década de 90. Com muitos exageros e plot-twists, ela foi uma das responsáveis por me fazer começar a acompanhar HQs com frequência e me lembro de ficar particularmente ansioso para ler A Teia do Aranha #10 da editora Abril – onde o desfecho de toda a saga foi conhecida.

A realidade é que, gostando ou não, a Saga da Clone é uma das sagas que marcaram o Homem-Aranha e, acredito eu, é dever de todo fã do Cabeça-de-Teia conhecer essa “rocambolesca” saga a fundo!

Quer conhecer mais sagas da década de 90 do Homem-Aranha? Acesse nossas matérias sobre Planeta dos Simbiontes e Carnificina Total !

 


Créditos:

Texto: Lucas Souza
Imagens: Reprodução
Edição: Alexandre Baptista

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