por Lucas Souza

Nas décadas de 60 e 70, a Hanna-Barbera dominava o universo das animações. Corrida Maluca, Johnny Quest, Flinstones, Jetsons, Scooby Doo e tantos outros ganhavam vida nas telinhas. Por isso, não foi nenhuma surpresa quando a DC (mais uma vez) anunciou um relançamento de alguns títulos baseados nesses personagens. A ideia era reimaginá-los e fazer com que eles fossem diferentes sem perder a essência que os tornava tão reconhecíveis. E Corrida Maluca foi um desses títulos.

A iniciativa começou em 2016 e a Corrida Maluca foi publicada originalmente em Wacky Raceland #1 – #6. No Brasil, a série foi publicada na íntegra em um encadernado da Panini Comics lançado em 2018 intitulado Hanna-Barbera.

 

A Reinvenção da Corrida Maluca 1

Corrida Maluca (2016) incorpora o espírito pós apocalíptico de Mad Max

 

De todos os títulos anunciados (Scooby Apocalipse, Future Quest, Flintstones) a Corrida Maluca foi a que mais me despertou curiosidade. Afinal, tentar racionalizar uma corrida com carros bizarros que nunca foram explicados no desenho é uma grande tarefa. A premissa da HQ parte do mesmo ponto que o desenho : Temos corredores (versões reimaginadas de grandes perosnagens como Dick Vigarista, Penélope Charmosa, Peter Perfeito e outros) em carros absolutamente pirados disputando o 1º lugar por um prêmio misterioso. A diferença é que as corridas se passam em cenários que poderiam facilmente estar no filme Mad Max e os corredores têm um senso de questionamento (e violência!) infinitamente maiores que no antigo cartoon.

Um dos grandes acertos da HQ, além do visual, é mergulhar no passado de alguns desses corredores e mostrar porque eles foram “selecionados” para essa corrida. E, enquanto faz isso, a HQ vai aumentando nossa ansiedade em saber o que aconteceu com o planeta Terra. Dick Vigarista e Penélope são os grandes destaques da HQ Corrida Maluca, que não deixa de dar algum espaço para outros personagens. Infelizmente, apesar da Penélope e do Dick continuarem super interessantes enquanto personagens, Mutley foi extremamente mal trabalhado e perdeu muito do seu carisma – apenas em uma passagem próxima do fim vemos um vislumbre do antigo cachorro dos desenhos.

 

A Reinvenção da Corrida Maluca 2

Personagens ganham um ar mais “bad ass” na nova versão de Corrida Maluca

 

Por mais que o roteiro tenha grandes acertos nas personalidades dos personagens e nas suas histórias de fundo, ele escorregou feio ao montar o panorama geral. As corridas, mesmo com todo visual fantástico e cenário avassalador, passam longe de serem divertidas como deveriam e a história de como o mundo foi parar no apocalipse já dava sinais de que falharia antes mesmo de chegar no seu BIZARRO (e não no bom sentido) final. O autor Ken Potac (do desenho Happy Tree Friends) não consegue entreter e nos manter conectados a série. Em compensação, palmas para Leonardo Manco por dar vida ao universo Mad Max de Corrida Maluca! As páginas são lindas e os designs dos carros impressionam pela criatividade e homenagem aos modelos originais.

Se você nunca viu Corrida Maluca, passe longe dessa HQ. A nostalgia é o grande personagem principal. Ver personagens da infância repaginados é um exercício divertido e ainda bem que a série não se alongou por mais edições – o divertido poderia virar insuportável em mais alguns números. Leonardo Manco e seus maravilhosos desenhos junto aos flashbacks e personalidade dos personagens salvam a história de ser um fiasco. Fica a sensação de que com um novo roteirista, essa versão ainda poderia nos dar mais algumas alegrias…

E você? Gostou de Corrida Maluca?Conte-nos nos comentários!

 

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