20 grandes quadrinistas brasileiros estão hoje na lista que compõem também alguns de nossos quadrinhos nacionais favoritos.

Nossa ideia nesta lista é comentar a respeito de cada um deles, não só para que você possa conhecer melhor a obra, mas porque acreditamos que estejam na lista dos grandes artistas nacionais; aqueles que tem uma produção que faz diferença e vão além do “mais do mesmo”. 

Obviamente, a lista não está em ordem de preferência e sim disposta de maneira aleatória.

Aproveitem para conferir nossa coluna HQs Brasileiras em que apresentamos grandes exemplares que já tivemos a oportunidade de ler, bem como o Costelinha e UB Entrevista, com a presença de muitos desse autores falando sobre o processo criativo, inspiração e mais detalhes de cada obra.

E aí, vamos para a lista de 20 grandes quadrinistas brasileiros?

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Laudo Ferreira

Ze do Caixao encadernado de Laudo Ferreira

Álbum da Jupati Books que reúne adaptações de Laudo Ferreira dos filmes de Zé do Caixão, incluindo a premiada À Meia-Noite Levarei Sua Alma.

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Yeshu crucificado em Yeshuah Absoluto de Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole

Yeshu crucificado em Yeshua Absoluto.

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Mestre Laudo Ferreira é aquele tipo de cara que você não acredita que tem contato. É um daqueles sujeitos que conhece desde o cobrador do ônibus até o famoso cineasta que ganhou o prêmio na semana passada.

Dono de uma humildade ímpar, Laudo Ferreira começou sua carreira através da cena fanzineira de São Paulo nos anos 80. Lá por 96 veio o começo do reconhecimento de seu talento: ganhou o HQMix de Melhor Lançamento Nacional por À Meia-Noite levarei sua alma, adaptação em quadrinhos da obra do mestre José Mojica Marins, o Zé do Caixão.

O que mais é de se admirar em Laudo Ferreira é que, geralmente quando um artista é premiado, ele tende a se acomodar e achar que encontrou seu estilo.

Mas Laudo não se contentou com isso e o leitor pode constatar no álbum Zé do Caixão da Jupati Books (confira o vídeo aqui) – a história que abre o volume, desenhada atualmente, mostrando como o estilo do mestre mudou – e evoluiu!

E grande parte dessa evolução é devido ao seu trabalho mais famoso – ao lado da loira Tianinha – Yeshua.

Originalmente pensado em um estilo “ilustração clássica de livro religioso”, a obra foi ganhando, ao longo dos estudos, um traço mais estilizado e arrojado, característica marcante da arte mais refinada de Laudo Ferreira.

Entre seus trabalhos destacamos:

  • a personagem Tianinha (saiba mais aqui, aqui e aqui), especialmente em sua nova fase;
  • Cadernos de Viagem – Anotações e Experiências do Psiconauta (saiba mais aqui), uma obra quase autobiográfica;
  • Yeshua Absoluto (leia mais aqui e veja o vídeo aqui), que traz uma interpretação magnífica sobre a vida de Jesus Cristo;
  • Zé do Caixão, que reúne adaptações em quadrinhos dos filmes do personagem;
  • O Santo Sangue (leia mais aqui e veja o vídeo aqui), uma aventura fantástica que mescla folclore, religião e elementos extremamente brasileiros. O Santo Sangue tem roteiro de Laudo Ferreira e arte de Marcel Bartholo.

Confira a mesa redonda sobre HQs de Terror direto da CCXP Worlds 2020 com o autor.

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Marcel Bartholo e Rodrigo Ramos

Portinari Os Retirantes

Retirantes (1944) de Candido Portinari. Tinta a óleo sobre tela; 190 cm x 180 cm; Museu de Arte de São Paulo – SP.

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Canil de Rodrigo Ramos e Marcel Bartholo

Uma das cenas de Canil, trabalho da dupla.

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O próximo artista é uma dupla. Sim, eu sei que isso é jogo sujo… mas a questão é que a maior parte das obras de um é escrita pelo outro; e do outro, ilustrada pelo um.

Começo por Marcel Bartholo, já que citamos ali em cima O Santo Sangue, ilustrada a partir do roteiro de Laudo Ferreira. 

Bartholo é uma estrela em ascensão. E não é exagero afirmar isso. Sua estreia de forma independente foi com Insubstituível, HQ com roteiro de Mavian e arte de Bartholo em 2016.

Na sequência, a excelente Carniça, com roteiro de Rodrigo Ramos, pegou o público de surpresa.

O tenso texto de terror de Ramos ganha peso e densidade no duro traço de Bartholo – “duro” aqui, no sentido de áspero e cru. A impressão é de que o artista não desenha e sim, dá estocadas no papel como um xilógrafo esculpe a madeira para o entintamento.

Seu traço é propositalmente bruto e, nas narrativas sombrias que geralmente ilustra, dão severidade, seriedade e profundidade.

Observe a arte de Bartholo. Se você achar que já viu algo parecido em algum lugar, observe a série Retirantes de Cândido Portinari e terá uma das prováveis inspirações de Bartholo para seu estilo.

Já o texto de Ramos é algo digno de um Lovecraft ou Allan Poe nascidos no Brasil. O clima de tensão e expectativa que Rodrigo Ramos exprime em suas narrativas, ao mesmo tempo em que trabalha realidades rurais ou urbanas totalmente brasileiras, é único.

Destaques do trabalho lançado pela dupla incluem Carniça, que infelizmente encontra-se esgotada; Lama, inspirada no crime ambiental de Mariana; e o mais recente lançamento, Canil, que retrata uma tradicional lenda com a realidade carcerária brasileira em foco.

Confira também nosso papo com eles no Costelinha e a mesa redonda sobre HQs de Terror direto da CCXP Worlds 2020.

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Daniel Esteves

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Capas da série São Paulo dos Mortos

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Daniel Esteves é quadrinista. Mas, segundo ele, não desenha nem “hominho de palito”.

Daniel Esteves é um daqueles caras que, se tivesse nascido nos Estados Unidos, estaria na direção de alguma editora grande. C.E.O. e os caramba a quatro.

Ele é roteirista. E dos bons. Eu diria que algumas de suas HQs são geniais. De verdade.

Se fosse americano e escrevesse quadrinho de super-heróis… coitado do Geoff Johns.

Seu texto tem uma sutileza que é pra poucos. Tem um humor que também não pinga pra todo mundo. Mas, mais do isso, é de uma ferocidade e mordacidade que deixaria uma cobra coral amedrontada.

Autor da aclamada série São Paulo dos Mortos (leia mais aqui), nunca gostou de filmes de zumbi. Nem do tema “zumbi”. Mas ninguém diria isso ao ler suas HQs.

Muito pelo contrário. Isso porque, assim como George A. Romero, um dos maiores autores dentro desse universo, Esteves está mais preocupado com a crítica social, com o humor, com a sátira e com a história em si do que com a violência dos mortos-vivos.

Além da famosa saga, destacamos as HQs da série Pelota, especialmente àqueles que amam o futebol e suas incríveis histórias; a premiada Por Mais Um Dia com Zapata, que narra os últimos dias do revolucionário mexicano e Archimedes Bar, uma hilária HQ que se passa em um típico bar paulistano-espacial.

Confira também nossas entrevistas com Daniel Esteves aqui e aqui, além da resenha de 147!

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Leandro Robles

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Leandro Robles é engraçado. Quer dizer, estou sendo comedido aqui. Leandro Robles é hilário.

Autor da Escola de Animais, que era publicada na Folha de São Paulo no início dos anos 2000, Robles tem um timming para piadas que é difícil nos quadrinhos. E uma grande parte do mérito de seu humor vem justamente do seu traço minimalista, porém muito expressivo.

A arte de Leandro Robles evoluiu muito ao longo dos anos e parte dessa evolução foi justamente a simplificação de seus desenhos. Menos linhas, menos detalhes; mais foco e síntese.

E a habilidade em extrair humor de uma sobrancelha erguida, uma testa franzida, um barulhinho sugerido, uma linha de movimento, uma reflexão sem sentido, um pensamento corriqueiro.

Sim, é também no texto que Robles mostra seu genial talento. Sejam piadas inocentes, lugares comuns, humor engraçadinho e “fofo”; seja o non-sense ou a piada de tiozão; ou até mesmo a piada ácida, soco no estômago, que faz você ficar pensando na vida e em como certas coisas são complicadas.

Destaques para os álbuns e HQs do Macaco Albino, personagem cheio de personalidade que empresta muito do próprio autor; As Diabetes, série autobiográfica em que Robles discute com duas “diabetes”, a doença diabetes; e a clássica Escola de Animais, com um humor mais contido e familiar, que agrada todos os públicos.

Confira nossas conversas com o autor aqui, aqui e aqui.

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Marcello Quintanilha

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Cena de Luzes de Niterói, de Marcello Quintanilha

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Falar sobre Marcello Quintanilha é covardia.

Vencedor do Jabuti de Histórias em Quadrinhos e do Fauve Polar SCNF do Festival de Angoulême na França, o carioca de Niterói estreou nas HQs com Fealdade de Fabiano Gorila, história baseada na vida de seu pai, publicada pela Conrad em 1999.

Com roteiros mundanos e extremamente realistas e brasileiros, Quintanilha tem a habilidade de transportar o leitor para diversas realidades e, ainda assim, transmitir sentimentos e sensações praticamente universais.

É raro que um leitor não se sinta no centro da história que está lendo com um quadrinho de Quintanilha.

Sua arte, que varia de estilo nas diferentes obras, ora usa de colagens, ora chiaroscuro, ora do desenho a carvão e lápis. A variedade de estilo dá a cada uma de suas HQs uma identidade gráfica única e, em especial nas edições mais recentes pela editora Veneta que têm acabamento e papéis de qualidade superior, algo a mais como objeto em si.

Destaque para Hinário Nacional, Luzes de Niterói, Talco de Vidro e Tungstênio que foi adaptado no filme homônimo dirigido por Heitor Dhalia.

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Germana Viana

Conheça a HQ Faroeste de Terror Gibi de Menininha

Cena de uma das histórias presentes em Gibi de Menininha #2

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A criadora do Gibi de Menininha e ativa componente do Ménage não poderia estar fora da nossa lista.

Com Lizzie Bordello, Germana conquistou um público cativo que pede até hoje a volta das histórias da personagem. Em As Empoderadas, ganhadora do HQ Mix em 2016, um grupo de mães passa a combater o crime graças a suas filhas. Com o mais recente, Só Mais uma História de Uma Banda, Germana explora relacionamentos, música e dramas pessoais de uma maneira muito orgânica e natural.

Mas a série do Gibi de Menininha, cujo número 2 ganhou também o HQ Mix em 2020, se destaca: com autoras e artistas femininas, a HQ é um mix de histórias de diferentes pontos de vista, traços e com muita diversidade, em todos os sentidos. O segundo número foca no faroeste, e você pode conferir a review completa aqui. A iniciativa ainda tem derivados como Patrícia e outros ainda não anunciados oficialmente.

A prolífica autora ainda participa de Ménage, com Laudo Ferreira e Marcatti – confira a review em vídeo aqui, uma HQ +18 que brinca com palavras-tema para uma pequena história de cada autor.

Germana tem HQs para todos os gostos e, com certeza, tem alguma HQ pra você. Confira nosso bate-papo com a autora aqui.

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Luís Carlos Sousa

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O antagonista de Lâmina Azulada, Severino: inspirado no barqueiro Caronte, da mitologia clássica grega.

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Luís Carlos Sousa é um autor com um conhecimento técnico e literário incrível. E que usa desse conhecimento para democratizar o próprio texto e desburocratizar a leitura de seus quadrinhos.

Idealizador da coletânea Capitão Rapadura 40 anos de Mino, Sousa tem em Lâmina Azulada sua principal obra autoral – confira a review aqui e nossa conversa com o autor aqui.

Sousa brinca com referências históricas, grandes clássicos da literatura brasileira e mundial, ao mesmo tempo em que despeja suas referências pessoais, as paragens e a linguagem do seu querido Ceará, numa leitura dinâmica, envolvente e que, embora seja rebuscada em seu conceito, transpira simplicidade e beleza para leitores iniciantes. Um texto em camadas, que apaixona qualquer leitor ou literato.

Confira a mesa redonda direto da CCXP Worlds 2020 com o autor.

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Rafael Dantas

Mandacaru Vermelho de Rafael Dantas

Lampião e seu bando em cena de Mandacaru Vermelho

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Rafael Dantas é um artista que sabe traduzir uma ideia em desenho e chamá-la também de sua. Responsável pela arte da incrível obra de Luís Carlos Sousa – Lâmina Azulada (e se você ainda não leu a review, coloco aqui o link novamente; a entrevista com o artista, aqui), Dantas dá vida ao antagonista Severino de maneira deslumbrante e que transmite a sobriedade dos mitos clássicos ao mesmo tempo em que assina “Brasil” em seu design.

Criador da HQ Mandacaru Vermelho, de 2015, confessa que nesses anos de intervalo, trabalhou duro para alterar e melhorar sua arte – com um resultado que realmente vale a pena.

Autor também de Cavaleiro Avante, trabalha atualmente em Reino, sequência aguardadíssima de Mandacaru Vermelho. Um dos grandes quadrinistas brasileiros que merece, sem dúvida, estar na mira dos leitores.

Confira a mesa redonda com o autor, direto da CCXP Worlds 2020.

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Felipe Cagno

Ruiva no Saloon em "The Few And The Cursed" de Felipe Cagno

A Ruiva, fazendo um estrago no saloon em The Few and Cursed: Os Corvos de Mana O’lana

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Felipe Cagno é um roteirista das mentes mais férteis. Além de diversas aventuras curtas na série – criada por ele – 321 Fast Comics, em que a única premissa é que a HQ tenha 3 páginas, 2 personagens e 1 final surpreendente e a excelente ficção científica de Adágio – que parece algo saído de Black Mirror, apesar do autor ter confessado, no Costelinha em que participou, nunca ter assistido nenhum episódio da série – Cagno criou o universo distópico-velho-oeste de Os Poucos e Amaldiçoados ou The Few and Cursed.

Com 3 arcos completos nas HQs – Os Corvos de Mana’Olana, Crônicas e Nação Sombria -, a série já ganhou até mesmo um jogo de tabuleiro inspirado em seu cânone.

Sua obra mais recente é o relançamento de Os Corvos de Mana’Olana, originalmente em 6 edições avulsas, agora em edição encadernada.

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Pedro Mauro

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A linda arte de Pedro Mauro na trilogia Gatilho: versão encadernada em 2021!

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Pedro Mauro é um mestre do traço e da arte. Suas pinturas são maravilhosas e seus quadrinhos, impressionantes.

Seja na sua obra inicial, compilada na edição recente Cowboy (leia mais), em que o próprio autor confessa ainda estar desenvolvendo sua arte; seja na trilogia Gatilho (leia mais); seja nos trabalhos realizados para a Bonelli na Itália como Adam Wild e Mugikoque vai ganhar edição brasileira pela Editora Trem Fantasma, ambas com texto de Gianfranco Manfredi – Pedro Mauro esbanja talento nos cenários exuberantes, no dinamismo e detalhe.

Um talento ímpar que atualmente é mais prestigiado na Itália do que por aqui, mas que, com a chegada de mais obras com sua assinatura em solo brasileiro, certamente verá essa situar mudar.

Se você ainda não conhece o trabalho do autor, não perca a chance de adquirir a versão encadernada de Gatilho que, conforme o autor nos contou nesta conversa, será lançada em breve.

Confira a mesa redonda sobre HQs de faroeste com Pedro Mauro e Marcello Fontana.

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Marcello Fontana

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Detalhe da capa da primeira edição de Never Die Club

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Marcello Fontana é um dos sócios da editora Trem Fantasma, que mencionamos acima – confira nosso papo sobre a editora aqui. Ele também é tradutor, responsável pela versão brasileira de Tiki de Ivo Milazzo e Giancarlo Berardi. Mas aqui, vamos falar de Fontana como autor de HQs. E dos bons.

São do autor São Jorge da Mata Escura, indicada ao HQ Mix; uma das sequências de Valkíria – Olhos de Cristal de Alex Mir e  Máquina Zero #1 – HQ que contou com outros nomes como Flávio Luiz e Lillo Parra –  intitulada A Máquina; e o “faroeste amazônico” da premiada Trovões no Rio Negroo próprio autor fala mais sobre ela aqui.

No entanto é o universo de Never Die Club que mais chama a atenção dos leitores que não conhecem as obras de Marcello. Nela, imortais batalham há séculos com herdeiros de uma ordem medieval pelo controle dos rumos da humanidade. Ação, suspense, intrigas… um texto ágil e com uma dose inteligente de humor que já rendeu as edições Never Die Club vol 1 – O Anti-Buda de Havana, Never Die Club vol 2 – Os Jogos de Judas e o spin-off Never Die Club – A Cosmonauta.

Confira a mesa redonda direto da CCXP Worlds 2020 com o autor.

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Francisco Marcatti

Dedos Mágicos de Francisco Marcatti e Laudo Ferreira - HQ´s Brasileiras

Cena da HQ Dedos Mágicos, de Marcatti e Laudo Ferreira.

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Francisco Marcatti, ou só Marcatti tem anos e anos e anos e anos… no cenário dos quadrinhos brasileiros, mais marcadamente a cena underground. Como ele mesmo anuncia, é autor de quadrinhos escatológicos – entenda o termo como preferir.

Em sua prancheta estão mais notadamente o personagem Frauzio, que chegou a ter uma HQ com grande tiragem. Outra HQ muito comentada é sua perspicaz e escancarada adaptação em quadrinhos de A Relíquia de Eça de Queiroz.

Com Laudo Ferreira, fez a curiosa e aterrorizante Dedos Mágicos – confira o review completo aqui, que se passa em um bar, que na vida real fica na esquina da casa de Laudo.

Experiente também na parte de produção gráfica das HQs, tem sua própria editora independente, responsável pela tiragem de Ménage #1 e outros tantos quadrinhos.

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Shiko

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Lavagem, de Shiko: o maior terror e o comportamento humano.

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O paraibano Shiko ficou conhecido do grande público quando entrou para o time de autores das graphic MSP – as releituras dos personagens de Mauricio de Sousa pelas mãos de quadrinistas de todas as áreas e gêneros. Com Piteco – Ingá de 2013, o autor mostrou seu grande talento para o desenvolvimento de personagens e na arte.

Ninguém sabe ao certo por que, mas Shiko não voltou para a continuação da saga.

Talvez seja pelo fato de que o autor é bastante criativo e explora de maneira impecável os personagens e histórias que cria. Pra quem gosta de terror, nós destacamos Lavagem e Três Buracos, duas obras seminais do autor.

Outro destaque vai para Talvez seja mentira, que tem um formato editorial diferente, em sanfona, e permite a leitura do começo para o fim e vice-versa.

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Orlandelli

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Orlandelli por ele mesmo: quadrinhos dos mais variados estilos para todos os leitores.

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Walmir Orlandeli é quadrinista e ilustrador que acumula vários prêmios de humor gráfico nacionais e internacionais. Sua primeira publicação impressa de quadrinhos foi em 2010 com (SIC)

Além dela, destacamos Eu matei o LibórioO mundo de Yang, O Sinal e a espetacular, doce e profunda graphic MSP Chico Bento – Arvorada, de 2017.

Tanto O Sinal quanto Chico Bento – Arvorada foram finalistas do Prêmio Jabuti de 2018 na categoria Histórias em Quadrinhos

Arvorada, no mesmo ano, ainda levou o Troféu HQ Mix na categoria melhor publicação juvenil e consta em listas de melhores graphics MSP até hoje.

Considerando o alto nível das publicações do selo, não é dizer pouco. Se você ainda não conhece as HQs de Orlandelli, não perde essa dica.

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Camilo Solano

Semi Lunar

Capa de Semilunar, finalista do prêmio Jabuti, de Camilo Solano.

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Camilo se destacou na cena independente dos últimos anos. É autor de diversas belas obras como Inspiração – Deixa entrar sol nesse porão, com duas indicações ao Troféu HQMIX; Onde eu tavo? Captar, ao lado de Thobias Daneluz – também indicada ao HQMix; além das ótimas DesenganoSolzinho e Badida.

Em 2017, lançou Semilunar pela Balão Editorial, indicado ao prêmio Jabuti, e pela Veneta, lançou O Fio do Vento em 2019. Agora em 2020, lançou Cascão: Temporal, do selo Graphic MSP.

Com claras influências de Robert Crumb, Moebius, Will Eisner e Lourenço Mutarelli, Camilo se destaca como um dos melhores quadrinistas de sua geração.

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Felipe Folgosi

Aurora de Felipe Folgosi

Cena da HQ Chaos, a segunda parte do universo Aurora de Felipe Folgosi.

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Felipe Folgosi é ator, diretor, autor e empresário. Reconhecido no mercado de quadrinhos principalmente pelo universo que desenvolveu na saga Aurora, Felipe tem outras obras bastante diversas do universo dos super-poderes.

Conheça mais sobre a carreira dele em sua participação com a gente no Costelinha podcast.

Suas primeiras obras em quadrinhos – Um Outro Dia e Comunhão – nasceram de roteiros de peças e filmes que foram transformados para a nona arte… e funcionaram muito bem. A série Aurora, com sua continuação Chaos e o terceiro volume a ser anunciado, são o melhor exemplo da qualidade e profissionalismo das HQs de Folgosi – confira mais sobre este universo aqui.

Destaque para Knock Me Out, o novo projeto do autor.

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Flávio Luiz

Au

Au, um dos personagens mais conhecidos de Flávio Luiz.

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O baiano Flávio Luiz é um autor versátil. Desde histórias de aventura a adaptações literárias, o cartunista, desenhista, chargista e, claro, quadrinista, já fez de tudo um pouco.

Com personagens marcantes como o cangaceiro de O Cabra, para o divertido e cheio de adrenalina Agente Sommos, passando pela premiada Jayne Mastodonte, Flavio Luiz atingiu as crianças de todo o país com o sensacional Au, o Capoeirista.

Outro grande destaque das obras do artista é Histórias Paulistanas, um retrato pungente e no ponto dolorido da vida em São Paulo; escrita por Lica de Souza, a obra ganha muito com o traço de inspiração europeia de Flavio Luiz – confira nossa review em vídeo aqui.

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Gustavo Borges

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Escolhas, HQ de Gustavo Borges com Felipe Cagno e Cris Peter.

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O gaúcho Gustavo Borges é mais um dos artistas que ficou conhecido do grande público pelo selo Graphic MSP e sua versão do Cebolinha em Cebolinha – Recuperação. Mas a qualidade do trabalho de Borges passeia por muitos gêneros como a comédia da série de Morte Crens que já conta com três álbuns – A Entediante Vida de Morte Crens (2013), A Entediante Família de Morte Crens (2016), O Entediante Trabalho de Morte Crens (2019); a inteligente HQ de 321: Fast Comics #1 e 2 de Felipe Cagno; a sensibilidade de Pétalas (com cores de Cris Peter) e Edgar; a doçura de Escolhas, com Felipe Cagno e cores de Cris Peter e muitos outros trabalhos.

Se você ainda está em dúvida sobre a qualidade de Borges, vale dizer que ele foi indicado a um Eisner Award em 2019 na categoria Best Publication for Early Readers (up to age 8).

Confira nossa entrevista com o autor aqui.

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Fábio Moon e Gabriel Bá

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Cena de Daytripper do selo Vertigo: Bá e Moon no topo do mundo.

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Os irmãos paulistanos são, talvez, a dupla mais famosa da nossa lista. Os dois já produziram grandes obras como Daytripper (para a Vertigo) e a adaptação da obra de Milton Hatoum chamada Dois Irmãos.

O talento desses dois artistas é inegável e é quando eles trabalham juntos que os melhores resultados vem, desde o longínquo fanzine 10 pãezinhos que começaram em 1997 e que catapultou os irmãos ao sucesso.

Quando observar o nome deles, espere HQs reflexivas, pessoais e que realmente te façam pensar.

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Danilo Beyruth

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Capa da edição original de Bando de Dois em P&B de Danilo Beyruth, que ganhou também uma reedição colorida.

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Acho que se a gente contar a lista, vamos ver que a maioria está em alta por conta do projeto capitaneado por Sidney Gusman na MSP. Mas não é pra menos. Desde que Danilo Beyruth assinou aquela que foi a primeira Graphic MSP, Astronauta – Magnetar, o selo não teve uma HQ ruim, tendo apenas um ou dois exemplares deixado alguns leitores em dúvida se gostaram ou não – muito em função de estilos bastante diferentes.

Beyruth já está na sua quinta HQ do personagem – Astronauta – Parallax, e sua versão do clássico de Mauricio de Sousa, que bebe muito da obra de Jack Kirby e Jim Starlin, vai ganhar uma animação em breve pela HBO.

Confira aqui uma das reviews sobre o Astronauta de Beyruth.

Como nem só de Graphic MSP vive um leitor, vale destacar a excelente obra autoral de Beyruth, Bando de Dois – confira aqui a review completa. Danilo é, sem sombra de dúvida, um dos maiores autores de quadrinhos nacionais.

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Tem outros nomes das HQs nacionais para sugerir?

Comente em nossas redes sociais, quem sabe na próxima lista o seu autor preferido não está aqui?

E fique ligado no Ultimato do Bacon para mais sobre quadrinhos nacionais!

 


Créditos:

Texto: Alexandre Baptista com Lucas Souza e Breno Raphael
Edição: Alexandre Baptista
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Imagens: Reprodução
Matéria publicada originalmente em 01 de julho de 2020. Atualizada em 14 de dezembro de 2020.

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