05 grandes quadrinhistas brasileiros estão hoje na lista que compôem também alguns de nossos quadrinhos nacionais favoritos!

Nossa ideia nesta lista inicial é comentar a respeito de cada um deles, não só para que você possa conhecer melhor a obra, mas porque acreditamos que estejam na lista dos grandes artistas nacionais; aqueles que tem uma produção que faz diferença e vão além do “mais do mesmo”. 

Obviamente que temos outros grandes autores por aqui e a lista não está em ordem de preferência! Em breve traremos outras listas com mais autores nacionais.

E aproveitem para conferir nossa coluna HQs Brasileiras em que apresentamos grandes exemplares que já tivemos a oportunidade de ler, bem como o Costelinha e UB Entrevista, com a presença de muitos desse autores falando sobre o processo criativo, inspiração e mais detalhes de cada obra!

E aí, vamos para a lista de 05 grandes quadrinhistas brasileiros?

05 grandes quadrinhistas brasileiros – Laudo Ferreira

Mestre Laudo Ferreira é aquele tipo de cara que você não acredita que conhece. É um daqueles sujeitos que conhecem desde o cobrador do ônibus até o famoso cineasta que ganhou o prêmio na semana passada.

Dono de uma humildade ímpar, Laudo Ferreira começou sua carreira através da cena fanzineira de São Paulo nos anos 80. Lá por 96 veio o começo do reconhecimento de seu talento: ganhou o HQMix de Melhor Lançamento Nacional por À Meia-Noite levarei sua alma, adaptação em quadrinhos da obra do mestre José Mojica Marins, o Zé do Caixão.

 

Ze do Caixao encadernado de Laudo Ferreira

Álbum da Jupati Books que reúne adaptações de Laudo Ferreira dos filmes de Zé do Caixão, incluindo a premiada À Meia-Noite Levarei Sua Alma.

 

O que mais é de se admirar em Laudo Ferreira é que, geralmente quando um artista é premiado, ele tende a se acomodar e achar que encontrou seu estilo.

Mas Laudo não se contentou com isso e o leitor pode constatar no álbum Zé do Caixão da Jupati Books (confira o vídeo aqui) – a história que abre o volume, desenhada atualmente, mostra como o estilo do mestre mudou – e evoluiu!

E grande parte dessa evolução é devido ao seu trabalho mais famoso – ao lado da loira Tianinha – Yeshua.

 

Yeshu crucificado em Yeshuah Absoluto de Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole

Yeshu crucificado em Yeshua Absoluto.

 

Originalmente pensado em um estilo “ilustração clássica de livro religioso”, a obra foi ganhando, ao longo dos estudos, um traço mais estilizado e arrojado, característica marcante da arte mais refinada de Laudo Ferreira.

Entre seus trabalhos mais marcantes estão:

  • a personagem Tianinha (saiba mais aqui, aqui e aqui), especialmente em sua nova fase;
  • Cadernos de Viagem – Anotações e Experiências do Psiconauta (saiba mais aqui), uma obra quase autobiográfica;
  • Yeshua Absoluto (leia mais aqui e veja o vídeo aqui), que traz uma interpretação magnífica sobre a vida de Jesus Cristo;
  • Zé do Caixão, que reúne adaptações em quadrinhos dos filmes do personagem;
  • O Santo Sangue (leia mais aqui e veja o vídeo aqui), uma aventura fantástica que mescla folclore, religião e elementos extremamente brasileiros. O Santo Sangue tem roteiro de Laudo Ferreira e arte de Marcel Bartholo.

05 grandes quadrinhistas brasileiros – Marcel Bartholo e Rodrigo Ramos

O próximo artista é uma dupla. Sim, eu sei que isso é jogo sujo… mas a questão é que a maior parte das obras de um é escrita pelo outro; e do outro, ilustrada pelo um.

Começo por Marcel Bartholo, já que citamos ali em cima O Santo Sangue, ilustrada a partir do roteiro de Laudo Ferreira. 

Bartholo é uma estrela em ascensão. E não é exagero afirmar isso. Sua estreia de forma independente foi com Insubstituível, HQ com roteiro de Mavian e arte de Bartholo em 2016.

Na sequência, a excelente Carniça, com roteiro de Rodrigo Ramos, pegou o público de surpresa.

O tenso texto de terror de Ramos ganha peso e densidade no duro traço de Bartholo. A impressão é de que o artista não desenha e sim, dá estocadas no papel como um xilógrafo esculpe a madeira para o entintamento.

Seu traço é propositalmente bruto e, nas narrativas sombrias que geralmente ilustra, dão severidade, seriedade e profundidade.

Observe a arte de Bartholo. Se você achar que já viu algo parecido em algum lugar, observe a série Retirantes de Cândido Portinari e terá uma das prováveis inspirações de Bartholo para seu estilo.

 

Portinari Os Retirantes

Retirantes (1944) de Candido Portinari. Tinta a óleo sobre tela; 190 cm x 180 cm; Museu de Arte de São Paulo – SP.

 

Já o texto de Ramos é algo digno de um Lovecraft ou Allan Poe nascidos no Brasil. O clima de tensão e expectativa que Rodrigo Ramos exprime em suas narrativas, ao mesmo tempo em que trabalha realidades rurais ou urbanas totalmente brasileiras é único.

Destaques do trabalho lançado pela dupla incluem Carniça, que infelizmente encontra-se esgotada atualmente; Lama, inspirada no crime ambiental de Mariana; e o mais recente lançamento, Canil, que retrata uma tradicional lenda com a realidade carcerária brasileira em foco.

Confira também nosso papo com eles no Costelinha!

 

Canil de Rodrigo Ramos e Marcel Bartholo

Uma das cenas de Canil, trabalho mais recente da dupla.

 

05 grandes quadrinhistas brasileiros – Daniel Esteves

Daniel Esteves é quadrinhista. Mas, segundo ele, não desenha nem “hominho de palito”.

Daniel Esteves é um daqueles caras que, se tivesse nascido nos Estados Unidos, estaria na direção de alguma editora grande. C.E.O. e os caramba a quatro.

Ele é roteirista. E dos bons. Eu diria que algumas de suas HQs são geniais. De verdade.

Se fosse americano e escrevesse quadrinho de super-heróis… coitado do Geoff Johns.

Seu texto tem uma sutileza que é pra poucos. Tem um humor que também não pinga pra todo mundo. Mas, mais do isso, é de uma ferocidade e mordacidade que deixaria uma cobra coral amedrontada.

Autor da aclamada série São Paulo dos Mortos (leia mais aqui), nunca gostou de filmes de zumbi. Nem do tema “zumbi”. Mas ninguém diria isso ao ler suas HQs.

 

05 grandes quadrinhistas brasileiros 1

Capas da série São Paulo dos Mortos

 

Muito pelo contrário. Isso porque, assim como George A. Romero, um dos maiores autores dentro desse universo, Esteves está mais preocupado com a crítica social, com o humor, com a sátira e com a história em si do que com a violência dos mortos-vivos.

Além da famosa série, destacamos as HQs da série Pelota, especialmente àqueles que amam o futebol e suas incríveis histórias; a premiada Por Mais Um Dia com Zapata, que narra os últimos dias do revolucionário mexicano e Archimedes Bar, uma hilária HQ que se passa em um típico bar paulistano-espacial.

Confira também nossas entrevistas com Daniel Esteves aqui e aqui, além da resenha de 147!

 

05 grandes quadrinhistas brasileiros – Leandro Robles

Leandro Robles é engraçado. Quer dizer, estou sendo comedido aqui. Leandro Robles é hilário.

Autor da Escola de Animais, que era publicada na Folha de São Paulo no início dos anos 2000, Robles tem um timming para piadas que é difícil nos quadrinhos. E uma grande parte do mérito de seu humor vem justamente do seu traço minimalista, porém muito expressivo.

A arte de Leandro Robles evoluiu muito ao longo dos anos e parte dessa evolução foi justamente a simplificação de seus desenhos. Menos linhas, menos detalhes; mais foco e síntese.

 

 

E a habilidade em extrair humor de uma sobrancelha erguida, uma testa franzida, um barulhinho sugerido, uma linha de movimento, uma reflexão sem sentido, um pensamento corriqueiro.

Sim, é também no texto que Robles mostra seu genial talento. Sejam piadas inocentes, lugares comuns, humor engraçadinho e “fofo”; seja o non-sense ou a piada de tiozão; ou até mesmo a piada ácida, soco no estômago, que faz você ficar pensando na vida e em como certas coisas são complicadas.

Destaques para os álbuns e HQs do Macaco Albino, personagem cheio de personalidade que empresta muito do próprio autor; As Diabetes, série autobiográfica em que Robles discute com duas “diabetes” a doença diabetes; e a clássica Escola de Animais, com um humor mais contido e familiar, que agrada todos os públicos.

Confira nossas conversas com o autor aqui, aqui e aqui.

 

05 grandes quadrinhistas brasileiros – Marcello Quintanilha

Falar sobre Marcello Quintanilha é covardia.

Vencedor do Jabuti de Histórias em Quadrinhos e do Fauve Polar SCNF do Festival de Angoulême na França, o carioca de Niterói estreou nas HQs com Fealdade de Fabiano Gorila, história baseada na vida de seu pai, publicada pela Conrad em 1999.

Com roteiros mundanos e extremamente realistas e brasileiros, Quintanilha tem a habilidade de transportar o leitor para diversas realidades e, ainda assim, transmitir sentimentos e sensações praticamente universais.

É raro que um leitor não se sinta no centro da história que está lendo com um quadrinho de Quintanilha.

 

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Cena de Luzes de Niterói, de Marcello Quintanilha

 

Sua arte, que varia de estilo nas diferentes obras, ora usa de colagens, ora chiaroscuro, ora do desenho a carvão e lápis. A variedade de estilo dá a cada uma de suas HQs uma identidade gráfica única e, em especial nas edições mais recentes, pela editora Veneta, com acabamento e papéis de qualidade superior, ajudam a elevar a qualidade de suas obras.

Destaque para Hinário Nacional, Luzes de Niterói, Talco de Vidro e Tungstênio que foi adaptado no filme homônimo dirigido por Heitor Dhalia.

 

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Tem outros nomes das HQs nacionais para sugerir?

Comente em nossas redes sociais, quem sabe na próxima lista o seu autor preferido não está aqui?

E fique ligado no Ultimato do Bacon para mais sobre Quadrinhos Nacionais!

 


Créditos:

Texto e Edição: Alexandre Baptista
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Imagens: Reprodução